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Penso, logo duvido.

Frei Betto e falsas motivações do voto – Sérgio C. Buarque

Sérgio C. Buarque

Frei Beto.

Frei Beto.

Frei Betto é um homem culto, sério e informado. Mas a paixão política parece leva-lo a cometer vários equívocos e impropriedades quando manifesta sua posição política nas próximas eleições para presidente da República. Em texto escrito no dia 10 de setembro último e divulgado na rede social, o ilustre e respeitável Frei Betto apresenta 13 motivos pelos quais votará em Dilma Rousseff. Para estimular o debate, comento e questiono os seus argumentos equivocados ou inapropriados para defesa do voto na candidata do PT.

  1.    Apesar das mazelas e contradições do PT e do atual governo, votarei em Dilma para que se aprimorem as políticas sociais que, nos últimos 12 anos, tiraram da miséria 36 milhões de brasileiros.

As políticas distribuição de renda tiveram pouco efeito na redução da pobreza, por mais que se tenha difundido o contrário. O principal determinante da redução da pobreza e das desigualdades sociais do Brasil nas últimas décadas foi a forte mudança demográfica: o muito baixo crescimento da população em idade ativa e a drástica redução do tamanho das famílias. No ano 2000, as famílias tinham, em média, 2,4 filhos, caindo para apenas 1,9 filhos, em 2010, o que corresponde a famílias com média de apenas 3,3 membros. Mesmo com um aumento do PIB muito baixo, a pressão no mercado de trabalho levou à expansão dos salários médios. Simples assim: foi mais o mercado (mercado de trabalho) que o Estado o responsável pela melhoria social. Quem mostra isso é um estudo de Marcelo Neri, atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE): a contribuição da Bolsa Família, segundo o estudo, para o crescimento da renda domiciliar per capita no Brasil foi muito pequena, apenas 0,93%. E o aumento do salário real dos trabalhadores (não o salário mínimo) foi responsável por 71,16% do resultado social O que aconteceu foi uma queda do chamado “exército industrial de reserva”, para usar um conceito de Marx, que minguou porque a população em idade ativa se arrasta em torno de 1,2% ao ano (2005 a 2010). Ou seja, até com um crescimento medíocre da economia, com vivemos no governo Dilma, a demanda por trabalho tende a ser menor que baixa oferta de emprego. Isso explica também porque o desemprego está baixo enquanto a economia patina.

  1. Votarei para que o Brasil prossiga independente e soberano, livre das ingerências do FMI e do Banco Mundial, distante dos ditames da União Europeia e crítico às ações imperialistas dos EUA.

A orientação destas instituições tem sido no sentido de gerar um superávit primário para reduzir o estoque da dívida pública. No governo Lula, ainda sob a condução de Antônio Pallocci, foi gerado um superávit primário de mais de 3%, superior ao que recomendava o FMI e que foi alcançado no governo de Fernando Henrique Cardoso. No que, aliás, fez muito bem. Sabiamente e sem precisar de ditames de fora, o governo apertou os gastos para gerar este superávit. O governo do PT diz que pagou a dívida brasileiro ao FMI para não sofrer “ditames”, mas seguiu as regras do fundo; e, pior, pagou divida barata com financiamento caro dos títulos da dívida pública. Marketing puro. Agora, no governo Dilma, a gastança voltou e não tem conseguido um superávit adequado, o que tem contribuído para pressão inflacionária. Não é preciso “ditames” de ninguém para saber que os gastos correntes do governo não podem crescer mais que o PIB-Produto Interno Bruto, a não ser com o aumento da carga tributária que parece já sufocante.

  1. Votarei pela integração latino-americana e caribenha; pelo solidário apoio aos governos de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Uruguai; pela autonomia da CELAC e do Mercosul. 

A política externa de uma nação tem que ter princípios e buscar a defesa dos interesses nacionais e os acordos e cooperação internacional não podem ser guiados pela ideologia de plantão no governo. Contaminada pela ideologia terceiro-mundista, velha de 60 anos, o governo brasileiro ficou refém do MERCOSUL, contido por dois países em crise, incluindo a Venezuela, que entrou no bloco pela porta dos fundos numa manobra muito pouco diplomática.

  1.    Votarei pelo respeito ao direito constitucional de greves e manifestações públicas, sem criminalização dos movimentos sociais e de seus líderes.

Quem criminalizou ou quem poderá vir a criminalizar os movimentos sociais? Marina? Uma política originada dos movimentos sociais, muito mais identificada com estes movimentos sociais que a candidata do PT cuja história política está mais liga aos aparelhos partidários que aos movimentos sociais. E Aécio, como governador de Minas Gerais por 8 anos não tomou nenhuma decisão de desrespeito ao direito constitucional nem de criminalização dos movimentos sociais.

  1.    Votarei pela Política Nacional de Participação Social; pela manutenção de cotas em universidades; pelo Enem, o Pronatec e o ProUni; e pelo aumento do percentual do PIB aplicado em educação

Nenhum candidato discorda dessas políticas e medidas. Vale dizer que, em Minas Gerais Aécio Neves deu uma grande prioridade à educação, tanto que tem o maior IDEB do Brasil. E Marina se inspira na estratégia de Eduardo Campos para a educação que levou Pernambuco a ter o maior crescimento da nota do IDEB, subindo do 12º para o 4º lugar no ranking dos Estados brasileiros. Mas o que não se pode escamotear é que no quesito educação, depois de 12 anos do governo do PT, a nota do PISA, que mede o desempenho dos alunos de 65 países, o Brasil ficou em 55º lugar.

  1.    Votarei a favor do Programa Mais Médicos que, graças à sua ação preventiva, fez decrescer a mortalidade infantil para 15,7 em cada 1.000 nascidos vivos.

A redução da mortalidade infantil é bem anterior ao Programa “Mais médicos” e, portanto, não tem nada a ver com esta iniciativa que, diga-se de passagem, é carregada de efeito publicitário para dizer, depois das manifestações do ano passado, que estavam resolvendo as péssimas condições de saúde do Brasil. O dado utilizado para a mortalidade infantil (15,7 em cem mil nascidos vivos) é de 2012 (IBGE) e, portanto, ainda não tinha sido inventado o tal programa. E a verdade é que a saúde no Brasil continua na UTI. O programa “Mais médicos” não está errado mas é vendido como a solução para os problemas de saúde do Brasil numa clara mistificação.

  1.    Votarei pelo crédito facilitado e o reajuste anual do salário mínimo, de modo a ampliar o poder aquisitivo das famílias brasileiras, a ponto de viagens aéreas deixarem de ser um luxo das classes abastadas.

. O reajuste anual do salário mínimo é absolutamente inquestionável. Algum presidente da República pode acabar com o aumento do salário mínimo que, aliás, está regulamentado por lei? E o crédito? O crédito parece que foi facilitado demais a julgar pelo alto nível de endividamento das famílias que dificulta agora a expansão do consumo. A economista presidente achou que bastava aumentar o consumo que a economia deslanchava; esqueceu que o crescimento da economia depende mesmo é de investimento. Sem investimento, as políticas expansionistas do governo Dilma aumentaram a inflação, que representa a mais perversa forma de redução do poder aquisitivo da população de média e baixa renda. Pelo visto, o governo dá com uma mão e toma com a outra.

  1.    Votarei para que o trabalho escravo em fazendas do agronegócio seja severamente punido e tais propriedades confiscadas em prol da reforma agrária. 

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso o Ministério do Trabalho combate o trabalho escravo e, principalmente, o trabalho infantil. Lembram do PETI-Programa de Erradicação do Trabalho Infantil?

  1.    Votarei para que a Polícia Federal prossiga apartidária, efetuando prisões até mesmo de membros do governo, combatendo o narcotráfico, o contrabando, a corrupção e a atividade nefasta dos doleiros.

Duvido que qualquer dos outros candidatos pensem em impedir esta atividade da Polícia Federal. Contudo, só agora a candidata Dilma está falando em cooperação com os Estados e foi leniente no controle de trafico de armas e droga na fronteira. Desconfio que esta declaração tenha implícita a ideia, que está sendo difundida pela candidata, de que a corrupção não cresceu nos governos do PT, o que houve foi aumento da investigação. Parece que as duas coisas cresceram muito nos últimos anos porque, por mais que se investigue os governos passados, nunca se viu nada parecido com o mensalão e que ganha novas proporções com a Petrobrás. Vale considerar que o mensalão foi muito mais que corrupção, foi uma desmoralização da política e do Congresso brasileiro.

10.   Votarei para que a inflação seja mantida sob controle e, no Brasil, o crescimento do IDH seja considerado mais importante que o do PIB. Se nosso PIB cresce pouco, nosso IDH é o segundo do mundo, atrás apenas dos EUA, se considerarmos o tamanho da população. 

Quem decide votar com o objetivo de conter a inflação não pode votar em Dilma. Além da retomada da inflação nestes últimos anos do seu governo, ela está deixando armadilhas inflacionárias para serem desmontadas pelo futuro presidente, entre as quais, o represamento dos preços administrados, particularmente, combustível e energia elétrica.

E a informação sobre o IDH está totalmente equivocada. O Brasil está muito, muito longe de ser o segundo do mundo. O PNUD informa que, em 2013, o Brasil estava em 79º lugar, bem atrás da Argentina, do Uruguai, do Chile, do México, da Costa Rica e até da Venezuela, para citar apenas países da América Latina. Não existe nenhuma comparação lógica com o tamanho da população até porque, uma das variáveis do IDH é a renda per capita, além da educação e saúde. A informação sobre os Estados Unidos serem o primeiro do ranking também está errada: EUA estão em 5º lugar.

11.   Votarei para que a nossa diplomacia permaneça independente, aliada às causas justas, sem tirar os sapatos nas alfândegas usamericanas e endossar o terrorismo bélico dos EUA, que dissemina lágrimas e sofrimentos em tantas regiões do planeta. 

A política externa brasileira tem tido, ao longo de décadas, uma postura independente em relação às grandes potencias, parte dos princípios diplomáticos do Itamaraty, com algumas exceções em períodos da ditadura. Como disse o deputado José Genoíno, em 1999, o governo de Fernando Henrique Cardoso, que o PT tanto critica, teve como meta constante da sua politica externa “refundar a credibilidade externa sobre a estabilidade interna”. De qualquer forma, cabe a pergunta: quais são essas causas justas que os governos do PT defendem? As ditaduras africanas às quais perdoou dívidas? À Venezuela com a aventura populista de Chavez? Cuba? Os governos anteriores do PSDB defenderam o fim do embargo dos Estados Unidos e não creio que nenhum outro candidato rejeite esta tese. O que não parece ser uma postura independente é a forma como o Brasil trata os prisioneiros políticos de Cuba. Numa das passagens de Lula por Havana, um preso político em greve de fome estava morrendo (e morreu quando ele ainda estava lá), e o presidente brasileiro ignorou e ainda comparou os presos comuns do Brasil. Lula: “Greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação”.

12.   Votarei pela preservação do Marco Zero da internet, sem ingerência das gigantes de telecomunicações, interessadas em mercantilizar as redes sociais e manter controle sobre a comunicação digital.

O marco regulatório da internet foi aprovado no Congresso com o voto da grande maioria dos parlamentares dos partidos do governo e da oposição. Que presidente eleito vai modificar este marco regulatório?

13.   Votarei, enfim, por um Brasil melhor, mesmo sabendo que o atual governo é contraditório e incapaz de promover reformas de estruturas e punir os responsáveis pelos crimes da ditadura militar. Porém, temo o retrocesso e, na atual conjuntura, não troco o conhecido pelo desconhecido.

Não existe nada mais conservador e reacionário do que preferir o conhecido ao desconhecido na medida em que, este sim, pode conter mudanças e inovações. O “mais do mesmo” é uma aposta no descontrole econômico, no voluntarismo irresponsável, no aparelhamento do Estado com a utilização dos cargos públicos para garantir o poder e comprar a adesão dos partidos e parlamentares, e na desestruturação do sistema elétrico, A maioria da população que pede mudança, como mostram as pesquisas de opinião, não pode preferir este conhecido que, de fato, é “incapaz de promover reforma de estruturas”.

Conclusão: Se Frei Betto decidiu votar em Dilma Rousseff, o que respeito e entendo como uma adesão ideológica, não pode explicar sua escolha pelos 13 argumentos apresentados como se fosse um diferencial positivo da candidata à reeleição, exceto o temor reacionário da mudança que o leva a “não trocar o conhecido pelo desconhecido”. Quase todos os 13 argumentos são infundados ou levam a preferir um candidato da oposição.

11 Comments

  1. Na minha modesta opinião, Frei Beto é como um CÃO FIEL, nada mais…como são todos os que votarão na Dilma: do amigo do peito à pobrezinha que teme perder o Bolsa Família.

    • Você realmente é muito modesta, chamar uma pessoa do nível de Frei Beto, Chico Buarque, Fernando Veríssimo entre outros de ” cão fiel”, mostra como sua mente é modesta.

  2. Caro Sérgio: Assino embaixo! Lamentável que até Frei Beto tenha perdido o prumo. Nada mais conservador e anti-revolucionário que temer mudanças e
    manter o que ele prório reconhece como defeituoso

  3. Excelente comentário do Sérgio. Pena que no Brasil tenhamos perdido o gosto, se é que já tivemos, do enfrentamento de idéias. Normalmente escrevemos para nós próprios e não contestamos os outros. Sérgio analisou um por um dos argumentos do Frei Beto. E eu concordo com ele, Sérgio. A análise do Frei Beto começa mostrando parcialidade ao ter treze pontos. Ou é uma estranha coincidência, ou ele submeteu sua análise aos aspectos partidários. Não entendi a referência que ele fez ao nosso IDH. E lamento que não tenha podido dizer que votaria na Dilma para parar a corrupção.
    Gostei quando Sergio fala sobre o conservadorismo do medo dos riscos de mudanças. Pessoalmente, prefiro as incerteza de um governo da Marina do que as certezas de mais um governo da Dilma.
    Cristovam

  4. votarei no menos pior, ou seja na certeza! agora falar de um governo que vendeu o patrimônio do brasileiro sem consulta-lo e tao ruim quanto ele

  5. Não consigo entender como uma pessoa culta/instruida como Frei Beto pense, muito mais escreva o que ele publicou. Só pode ser lavagem cerebral ou, o que não acredito por enquanto, matéria regiamente paga. Lamentável…

  6. Quanto à questão do efeito de políticas públicas dos últimos 12 anos sobre a queda da desigualdade e da pobreza, vou discordar. É verdade que o fator demográfico tem tido efeito relevante nesse processo. Todavia, penso ser incorreto dizer que as políticas de transferências condicionais de renda (em particular, o PBF) e a política de valorização real do salário mínimo (que se acelerou a partir de 2007, com o uso de MPs, e que foi positivada através de lei ordinária em 2011) não tiveram efeitos sobre a queda da desigualdade e da pobreza, no Brasil. Por exemplo, Rodolfo Hoffman (um dos maiores especialistas no estudo da distribuição de renda no Brasil), em um capítulo publicado no livro comemorativo dos 10 anos do PBF (http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2082/4/Livro-Programa_Bolsa_Familia-uma_d%C3%A9cada_de_inclus%C3%A3o_e_cidadania.pdf), no qual apresenta uma decomposição dinâmica do Índice de Gini, conclui seu trabalho da seguinte forma:

    “Ao analisar a contribuição de diferentes parcelas para a redução da desigualdade da distribuição de renda no Brasil a partir de 1995, todas as análises constatam a importância das mudanças na distribuição do rendimento do trabalho, mas todas mostram também a extraordinária contribuição das transferências sociais, particularmente do Bolsa Família, dada sua pequena participação da renda total” (p. 215).

    Quanto aos impactos da política de valorização real do salário mínimo, vou citar um trecho de um estudo totalmente crítico aos governos petistas (vide seu nome: “A Década Perdida: 2003 a 2012”, de autoria de pesquisadores da PUC-Rio e do INSPER, que reconhecem o extraordinário crescimento da massa salarial no Brasil a partir de 2003, chegando a afirmar que:

    “Há um debate aberto sobre as causas do aumento da massa salarial como proporção do PIB. A política de aumentos do salário mínimo além da variação no PIB nominal tende a aumentar a participação da massa salarial no PIB sempre e quando não causar desemprego ou informalidade. Sabemos que a formalização aumenta no Brasil durante o período (não há suficientes dados de outros países emergentes para avaliar o contrafactual). A conclusão natural desses fatos é que o aumento do salário mínimo não foi acompanhado de aumento no desemprego ou na informalidade. Não se sabe bem o por quê, mas o aquecimento da demanda por trabalho nos últimos anos certamente contribuiu para que a política de salário mínimo fosse exitosa” (p. 89).

    É legítimo questionar se a política de elevação real do salário mínimo é sustentável no longo prazo, mas me parece ser inegável que ela contribuiu para a redução da desigualdade e da pobreza ao elevar a participação da massa salarial como proporção do PIB, bem como que tem sido exitosa até aqui (como reconhece esse trabalho tão crítico) e que foi resultante de decisões difíceis e esforços políticos custosos. Finalmente, gostaria apenas de relatar que tanto em trabalhos realizados por mim e por meus colaboradores anteriormente (ver: NEVES, JORGE ALEXANDRE ; FERNANDES, Danielle Cireno ; XAVIER, Flávia Pereira ; TOMAS, M. C. . “POLÍTICAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA, CAPITAL SOCIAL E ALCANCE EDUCACIONAL NO BRASIL”. In: MURILO FAHEL E JORGE ALEXANDRE BARBOSA NEVES, orgs. GESTÃO E AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS SOCIAIS NO BRASIL. 01 ed.BELO HORIZONTE-MG: EDITORA PUC-MINAS, 2007, v. 01, p. 275-290) quanto no livro que me encontro escrevendo (que tem como título provisório “The State, Politics, and Policies: The Fall of Inequality in Brazil in a Comparative Perspective”, que deverá ser publicado, em inglês, no próximo ano), também com colaboradores, fica demonstrado a partir de robustas evidências empíricas que as políticas brasileiras recentes de redistribuição de renda têm apresentado potenciais impactos sobre a queda da desigualdade que mais interessa a nós sociólogos (enquanto os economistas se interessam mais pela desigualdade de renda), qual seja, aquela referente aos fluxos itergeracionais.

  7. Excelente, Sérgio! Sem alterar uma vírgula!
    O que me dói é ver pessoas sérias, bem intencionadas, cultas, agirem na forma referida por Camus: se a realidade não se conforma aos seus desejos e contraria as suas crenças, furam os olhos para não ver a realidade.

  8. Caro Jorge Alexandre

    Grato pelos seus comentários ao texto em que refuto os argumentos falaciosos de Frei Betto na declaração do seu voto para presidente. Seu comentário ajuda a alimentar o debate, o que é extremamente importante neste período de tanta manipulação de campanha eleitoral. De qualquer forma, não creio que seus argumentos e dados neguem a afirmação central do meu texto quando digo que “as políticas de distribuição de renda tiveram pouco efeito na redução da pobreza, por mais que tenha sido difundido o contrário”. Não quer dizer, claro, que as políticas não tiveram efeito algum, mas que estão longe, muito longe mesmo de ser a causa da redução da pobreza e das desigualdades. E me baseio nesta afirmação em outro estudo, vale dizer, o trabalho citado de Marcelo Neri que faz uma decomposição da contribuição de diferentes fontes para a elevação da renda na população (“Miséria e a nova classe média na década da igualdade” – Marcelo Cortês Nery e Luisa Cavalhaes – Rio de Janeiro – FGV/IBRE – CPS – 2008). O estudo mostra, com dados da PNAD para o período 2002/2007, que a “renda de todos os trabalhos” contribuiu com 75,15% para o crescimento da renda (o dado que citei no meu texto era para o período mais longo, 1992/2007) enquanto a “transferência de renda” (leia-se Bolsa Família) representou apenas 4,1% da evolução da renda. A “previdência de salário mínimo” contribuiu com 10,5%, resultado de uma política correta de elevação real do Salário Mínimo, mas ainda muito menos que o efeito da “renda de todos os trabalhos”. Interessante ainda verificar que a contribuição da Previdência acima do salário mínimo foi ainda superior (13,9% do total). Se o estudo de Marcelo Neri estiver correto não se pode atribuir às políticas brasileiras recentes de redistribuição de renda impacto relevante na queda da desigualdade.

    Por outro lado, não acho que se apropriado falar de “aquecimento da demanda por trabalho nos últimos anos” embora, de fato, o desemprego tem declinado e se situa num patamar baixo. Ocorre que, como tentei explicar no meu texto, o que tem havido é uma queda significativa da oferta de mão de obra e não da demanda por trabalho. E é isso que explica que não tenha aumentado o desemprego no Brasil apesar do modesto, para dizer o mínimo, crescimento do PIB. A geração de emprego (aquecendo a demanda por trabalho) decorre diretamente do ritmo de crescimento da economia, mesmo quando a produtividade praticamente estagnou nas últimas décadas.

  9. Excelente artigo. Deixe de levar a sério “frei”Beto, quando ele comparou Che Guevara Jesus Cristo, e quando disse e escreveu em O Dia, que O ex presidente era a “reencarnacão” de Cristo.
    Há muito ele se aproveita do cargo e da protecão religiosa, embora frei não seja padre, para aliciar fiéis. Ou vítimas. Adepto e defensor da Teologia da Libertacão, que pretendeu (?) casar duas ideologias opostas: O Cristianismo : “meu reino nào é deste mundo” com o Comunismo: ëxtinguindo as classes, ou melhor exterminando a burguesia, alacancaremos o paraíso aqui na terra”. Ainda que onde foi tentado o Socialismo real, tenha criando o inferno com 200 milhões de assassinados que recusarm o tal paraíso, ele é apenas mais um miliante comunista travestido de religioso, e como tal impregnado da ideologia
    comunista, não consegue ver os males que o lulo petismo, ao desmoralizar o Congresso, intrometer-se nos trabalhos do Judciário, lutar pelo controle da mídia e da mente dos cidadãos vem fazendo para nossa Democracia. Ao defender a ampliacão do Bolsa Família, não deseja a emancipacão dos pobres e sua elevacão a condicão de cidadãos. É preciso que os pobres continuem dependentes do assistencialismo do Estado. Tanto o lulo petismo como os coronéis de ontem e hoje, precisam alimentar este círculo de pobreza e ignorância. Os mais pobres – ainda que agoram possam comer – continuarão pobres. E isto mantem os petistas no Poder e “frei”Beto como seu profeta.

  10. Então na sua visão nem precisávamos de governo pois as coisas iam se ajeitando normalmente…
    As vezes penso que moro no pais diferente pois vi sim muito progresso e saindo das tais estatísticas vendo nas ruas vendo na minha própria vida e vida dos meus vizinhos, a muito o que fazer sim mas não tenho duvida tenho certeza que foi nesse governo que vi e vejo o pobre ter oportunidades pra ter e ser alguma coisa na vida.É mas fácil ser contra esse governo quando não se vive com essas dificuldades …

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