
Flavio e seus aliados
A política externa dos candidatos a presidente da República deve ter uma influência secundária na decisão dos eleitores, preocupados, antes de tudo, com os grandes problemas e desafios internos do Brasil. Mesmo assim, os partidos de oposição têm, reiteradamente (quase sempre com razão), criticado as posições do presidente Lula da Silva orientadas pela sua simpatia e convergência ideológica com países considerados de esquerda, incluindo algumas ditaduras. Além da inclinação exagerada do governo Lula pelo BRICS, bloco cheio de governos autocráticos, os casos mais emblemáticos foram a tolerância de Lula com a invasão da Ucrânia pela Rússia e o apoio explícito que dava aos governos autoritários da Venezuela. Nos dois últimos anos, contudo, a política externa do governo Lula tem demonstrado independência e evitado as decisões orientadas pelas afinidades ideológicas. O presidente Lula ainda repete os discursos anti-imperialistas carregados de populismo que, no entanto, não tem definido a política externa brasileira, conduzida de forma competente pelo Itamaraty.
No outro extremo da polarização político-eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro se apresenta, de fato, como o candidato de Donald Trump e, mais diretamente, do Secretário de Estado, Marco Rúbio, com as suas agressões comerciais ao Brasil e os ataques verbais ao presidente Lula. Além do desastroso e incompetente presidente dos Estados Unidos, que interfere, sistematicamente nos assuntos internos do Brasil, Flávio conta com dois outros aliados nada recomendáveis para um candidato a presidente do Brasil. Na Convenção do PL-Partido Liberal, Flávio Bolsonaro recebeu o apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um comprovado criminoso de guerra e acusado por corrupção em Israel. Você é um “grande campeão do Brasil (….) e eu sei que vai levar o Brasil a voos cada vez mais altos”, afirmou Netanyahu através de vídeo apresentado na Convenção.
Mais bombástica e impactante foi a performance do presidente da Argentina, Javier Milei, distribuindo grosserias e impropérios contra o governo e o presidente Lula. A simples participação de Milei num evento político-eleitoral, defendendo a candidatura de um dos contendores, viola o princípio de respeito à soberania das nações. Mais grave ainda porque, em vez de se limitar a elogiar o seu candidato (ou não tinha o que elogiar?), o discurso performático de Milei foi uma peça recheada de agressões ao presidente da República e a um ministro do Supremo Tribunal Federal. O que se pode esperar de um candidato a presidente da República que dá sinais claros de subserviência e adesão incondicional ao império do Norte, um candidato que conta como grandes aliados externos, um devastador do futuro do planeta (Trump), um criminoso de guerra (Netenyahu) e um desequilibrado (El Loco Milei)?
comentários recentes