Petróleo

Petróleo

Com o ufanismo que pede uma campanha eleitoral, o presidente Lula da Silva declarou que a descoberta de reservas de petróleo na Margem Equatorial representaria o “passaporte para o futuro” para o Brasil. De novo, Presidente? O passaporte para o futuro não teria sido concedido ao Brasil, em 2010, quando foi anunciada e comemorada a descoberta das bilionárias reservas do PRÉ-SAL? Na ocasião, em pronunciamento à Nação, em cadeia nacional, Lula declarou que o petróleo e o gás extraídos daquelas reservas iriam tirar o Brasil do atraso, superando a desigualdade social e os péssimos serviços públicos na saúde e educação.

O PRÉ-SAL foi um sucesso, tornou o Brasil um player internacional no petróleo, o Fundo Social que foi criado com recursos dos royalties da exploração do petróleo para investimentos estratégicos disponibilizou um grande volume de recursos que viabilizariam uma estratégia de desenvolvimento. No entanto, Presidente, quase duas décadas depois, o futuro não chegou, e o Brasil está longe de ser um país desenvolvido. Aquele passaporte concedido em 2010 teve o prazo vencido, e o Brasil continua sendo um país de renda média, com uma economia travada e bem preguiçosa (crescimento em torno 2% ao ano), com sofrível qualidade da educação, lamentáveis serviços de saúde pública, e segue sendo um país muito desigual e com elevados níveis de pobreza, apenas amenizados pelas transferências de renda. Os recursos do Fundo foram diluídos em múltiplos e dispersos programas, perdendo a força transformadora que teriam se fossem aplicados na educação, na infraestrutura e logística, e na inovação. Como disse Ildo Sauer, ex-diretor de Gás Natural da Petrobrás, o PRÉ-SAL “não foi um passaporte para o futuro” (…) “os recursos do PRÉ-SAL foram queimados até agora”.

Para não falar, Presidente, que o petróleo, que vem sendo anunciado – sem sucesso – como portador do nosso futuro, é um dos principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa que estão ameaçando o futuro do planeta (e o Brasil vai junto). E a euforia que o Senhor mostra ao comemorar a exploração do petróleo da Margem Equatorial sinaliza para o mundo que o Brasil não pretende ser a liderança mundial na construção de uma economia de baixo carbono.