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Penso, logo duvido.

Diplomacia de caneladas – Editorial

Editorial

Muay thai fights.

Antes mesmo de assumir o governo, Jair Bolsonaro e seu futuro chanceler, Ernesto Araújo, vêm jogando pedras para todos os lados, criando arestas com o mundo árabe, arengando com a China e se isolando do mundo todo, com a promessa de retirada do Brasil do Acordo do Clima e do Pacto Mundial para a Migração, assinado por 164 países, com o objetivo de reforçar a cooperação internacional neste delicado problema planetário. Até aí, eram ainda gestos e declarações de intenções que, em todo caso, quebram uma tradição de discrição e elegância da diplomacia brasileira. Mas agora, às vesperas da posse, Bolsonaro e Araújo deram uma canelada, quando pediram ao Itamaraty para retirar o convite feito a Cuba e Venezuela para participação na posse do novo presidente do Brasil. Ninguém duvida que o presidente Bolsonaro vai romper relações diplomáticas com os dois países. Nem podem ser ignoradas as declarações recentes dos presidentes Nícolas Maduro e Miguel Díaz-Canel com clara demonstração de desapreço por Jair Bolsonaro. Entretanto, como até o dia primeiro de janeiro, Cuba e Venezuela têm relações diplomáticas com o Brasil, o Itamaraty cumpriu o protocolo incluindo os dois países no convite para a cerimônia de transferência do cargo de chefe de Estado. De modo que o desconvite formal dos dois países é um gesto de alta grosseria, independentemente da configuração politica deles, que deve incomodar muito os diplomatas brasileiros. O argumento de que não se aceitam ditaduras na cerimônia de um presidente eleito é uma falácia insustentável. Vários outros países com regimes autoritários foram convidados e devem participar, entre eles a China, a Coreia do Norte e vários países da África. Além disso, o quase certo rompimento de relações diplomáticas com Cuba e Venezuela não contribui em nada para uma transição política nesses países, menos ainda para a melhoria das condições de vida da sua população. São sinais da diplomacia de caneladas que o futuro chanceler introduzirá na política externa.

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