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Penso, logo duvido.

Frei Betto e falsas motivações do voto – Sérgio C. Buarque

S?rgio C. Buarque

Frei Beto.

Frei Beto.

Frei Betto ? um homem culto, s?rio e informado. Mas a paix?o pol?tica parece leva-lo a cometer v?rios equ?vocos e impropriedades quando manifesta sua posi??o pol?tica nas pr?ximas elei??es para presidente da Rep?blica. Em texto escrito no dia 10 de setembro ?ltimo e divulgado na rede social, o ilustre e respeit?vel Frei Betto apresenta 13 motivos pelos quais votar? em Dilma Rousseff. Para estimular o debate, comento e questiono os seus argumentos equivocados ou inapropriados para defesa do voto na candidata do PT.

  1. ? ?Apesar das mazelas e contradi??es do PT e do atual governo, votarei em Dilma para que se aprimorem as pol?ticas sociais que, nos ?ltimos 12 anos, tiraram da mis?ria 36 milh?es de brasileiros.

As pol?ticas distribui??o de renda tiveram pouco efeito na redu??o da pobreza, por mais que se tenha difundido o contr?rio. O principal determinante da redu??o da pobreza e das desigualdades sociais do Brasil nas ?ltimas d?cadas foi a forte mudan?a demogr?fica: o muito baixo crescimento da popula??o em idade ativa e a dr?stica redu??o do tamanho das fam?lias. No ano 2000, as fam?lias tinham, em m?dia, 2,4 filhos, caindo para apenas 1,9 filhos, em 2010, o que corresponde a fam?lias com m?dia de apenas 3,3 membros. Mesmo com um aumento do PIB muito baixo, a press?o no mercado de trabalho levou ? expans?o dos sal?rios m?dios. Simples assim: foi mais o mercado (mercado de trabalho) que o Estado o respons?vel pela melhoria social. Quem mostra isso ? um estudo de Marcelo Neri, atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estrat?gicos da Presid?ncia da Rep?blica (SAE): a contribui??o da Bolsa Fam?lia, segundo o estudo, para o crescimento da renda domiciliar per capita no Brasil foi muito pequena, apenas 0,93%. E o aumento do sal?rio real dos trabalhadores (n?o o sal?rio m?nimo) foi respons?vel por 71,16% do resultado social O que aconteceu foi uma queda do chamado ?ex?rcito industrial de reserva?, para usar um conceito de Marx, que minguou porque a popula??o em idade ativa se arrasta em torno de 1,2% ao ano (2005 a 2010). Ou seja, at? com um crescimento med?ocre da economia, com vivemos no governo Dilma, a demanda por trabalho tende a ser menor que baixa oferta de emprego. Isso explica tamb?m porque o desemprego est? baixo enquanto a economia patina.

  1. Votarei para que o Brasil prossiga independente e soberano, livre das inger?ncias do FMI e do Banco Mundial, distante dos ditames da Uni?o Europeia e cr?tico ?s a??es imperialistas dos EUA.

A orienta??o destas institui??es tem sido no sentido de gerar um super?vit prim?rio para reduzir o estoque da d?vida p?blica. No governo Lula, ainda sob a condu??o de Ant?nio Pallocci, foi gerado um super?vit prim?rio de mais de 3%, superior ao que recomendava o FMI e que foi alcan?ado no governo de Fernando Henrique Cardoso. No que, ali?s, fez muito bem. Sabiamente e sem precisar de ditames de fora, o governo apertou os gastos para gerar este super?vit. O governo do PT diz que pagou a d?vida brasileiro ao FMI para n?o sofrer ?ditames?, mas seguiu as regras do fundo; e, pior, pagou divida barata com financiamento caro dos t?tulos da d?vida p?blica. Marketing puro. Agora, no governo Dilma, a gastan?a voltou e n?o tem conseguido um super?vit adequado, o que tem contribu?do para press?o inflacion?ria. N?o ? preciso ?ditames? de ningu?m para saber que os gastos correntes do governo n?o podem crescer mais que o PIB-Produto Interno Bruto, a n?o ser com o aumento da carga tribut?ria que parece j? sufocante.

  1. Votarei pela integra??o latino-americana e caribenha; pelo solid?rio apoio aos governos de Cuba, Venezuela, Bol?via, Equador e Uruguai; pela autonomia da CELAC e do Mercosul.?

A pol?tica externa de uma na??o tem que ter princ?pios e buscar a defesa dos interesses nacionais e os acordos e coopera??o internacional n?o podem ser guiados pela ideologia de plant?o no governo. Contaminada pela ideologia terceiro-mundista, velha de 60 anos, o governo brasileiro ficou ref?m do MERCOSUL, contido por dois pa?ses em crise, incluindo a Venezuela, que entrou no bloco pela porta dos fundos numa manobra muito pouco diplom?tica.

  1. ? ?Votarei pelo respeito ao direito constitucional de greves e manifesta??es p?blicas, sem criminaliza??o dos movimentos sociais e de seus l?deres.

Quem criminalizou ou quem poder? vir a criminalizar os movimentos sociais? Marina? Uma pol?tica originada dos movimentos sociais, muito mais identificada com estes movimentos sociais que a candidata do PT cuja hist?ria pol?tica est? mais liga aos aparelhos partid?rios que aos movimentos sociais. E A?cio, como governador de Minas Gerais por 8 anos n?o tomou nenhuma decis?o de desrespeito ao direito constitucional nem de criminaliza??o dos movimentos sociais.

  1. ? ?Votarei pela Pol?tica Nacional de Participa??o Social; pela manuten??o de cotas em universidades; pelo Enem, o Pronatec e o ProUni; e pelo aumento do percentual do PIB aplicado em educa??o.?

Nenhum candidato discorda dessas pol?ticas e medidas. Vale dizer que, em Minas Gerais A?cio Neves deu uma grande prioridade ? educa??o, tanto que tem o maior IDEB do Brasil. E Marina se inspira na estrat?gia de Eduardo Campos para a educa??o que levou Pernambuco a ter o maior crescimento da nota do IDEB, subindo do 12? para o 4? lugar no ranking dos Estados brasileiros. Mas o que n?o se pode escamotear ? que no quesito educa??o, depois de 12 anos do governo do PT, a nota do PISA, que mede o desempenho dos alunos de 65 pa?ses, o Brasil ficou em 55? lugar.

  1. ? ?Votarei a favor do Programa Mais M?dicos que, gra?as ? sua a??o preventiva, fez decrescer a mortalidade infantil para 15,7 em cada 1.000 nascidos vivos.

A redu??o da mortalidade infantil ? bem anterior ao Programa ?Mais m?dicos? e, portanto, n?o tem nada a ver com esta iniciativa que, diga-se de passagem, ? carregada de efeito publicit?rio para dizer, depois das manifesta??es do ano passado, que estavam resolvendo as p?ssimas condi??es de sa?de do Brasil. O dado utilizado para a mortalidade infantil (15,7 em cem mil nascidos vivos) ? de 2012 (IBGE) e, portanto, ainda n?o tinha sido inventado o tal programa. E a verdade ? que a sa?de no Brasil continua na UTI. O programa ?Mais m?dicos? n?o est? errado mas ? vendido como a solu??o para os problemas de sa?de do Brasil numa clara mistifica??o.

  1. ? ?Votarei pelo cr?dito facilitado e o reajuste anual do sal?rio m?nimo, de modo a ampliar o poder aquisitivo das fam?lias brasileiras, a ponto de viagens a?reas deixarem de ser um luxo das classes abastadas.

. O reajuste anual do sal?rio m?nimo ? absolutamente inquestion?vel. Algum presidente da Rep?blica pode acabar com o aumento do sal?rio m?nimo que, ali?s, est? regulamentado por lei? E o cr?dito? O cr?dito parece que foi facilitado demais a julgar pelo alto n?vel de endividamento das fam?lias que dificulta agora a expans?o do consumo. A economista presidente achou que bastava aumentar o consumo que a economia deslanchava; esqueceu que o crescimento da economia depende mesmo ? de investimento. Sem investimento, as pol?ticas expansionistas do governo Dilma aumentaram a infla??o, que representa a mais perversa forma de redu??o do poder aquisitivo da popula??o de m?dia e baixa renda. Pelo visto, o governo d? com uma m?o e toma com a outra.

  1. ? ?Votarei para que o trabalho escravo em fazendas do agroneg?cio seja severamente punido e tais propriedades confiscadas em prol da reforma agr?ria.?

Desde o governo de Fernando Henrique Cardoso o Minist?rio do Trabalho combate o trabalho escravo e, principalmente, o trabalho infantil. Lembram do PETI-Programa de Erradica??o do Trabalho Infantil?

  1. ? ?Votarei para que a Pol?cia Federal prossiga apartid?ria, efetuando pris?es at? mesmo de membros do governo, combatendo o narcotr?fico, o contrabando, a corrup??o e a atividade nefasta dos doleiros.

Duvido que qualquer dos outros candidatos pensem em impedir esta atividade da Pol?cia Federal. Contudo, s? agora a candidata Dilma est? falando em coopera??o com os Estados e foi leniente no controle de trafico de armas e droga na fronteira. Desconfio que esta declara??o tenha impl?cita a ideia, que est? sendo difundida pela candidata, de que a corrup??o n?o cresceu nos governos do PT, o que houve foi aumento da investiga??o. Parece que as duas coisas cresceram muito nos ?ltimos anos porque, por mais que se investigue os governos passados, nunca se viu nada parecido com o mensal?o e que ganha novas propor??es com a Petrobr?s. Vale considerar que o mensal?o foi muito mais que corrup??o, foi uma desmoraliza??o da pol?tica e do Congresso brasileiro.

10. ? Votarei para que a infla??o seja mantida sob controle e, no Brasil, o crescimento do IDH seja considerado mais importante que o do PIB. Se nosso PIB cresce pouco, nosso IDH ? o segundo do mundo, atr?s apenas dos EUA, se considerarmos o tamanho da popula??o.?

Quem decide votar com o objetivo de conter a infla??o n?o pode votar em Dilma. Al?m da retomada da infla??o nestes ?ltimos anos do seu governo, ela est? deixando armadilhas inflacion?rias para serem desmontadas pelo futuro presidente, entre as quais, o represamento dos pre?os administrados, particularmente, combust?vel e energia el?trica.

E a informa??o sobre o IDH est? totalmente equivocada. O Brasil est? muito, muito longe de ser o segundo do mundo. O PNUD informa que, em 2013, o Brasil estava em 79? lugar, bem atr?s da Argentina, do Uruguai, do Chile, do M?xico, da Costa Rica e at? da Venezuela, para citar apenas pa?ses da Am?rica Latina. N?o existe nenhuma compara??o l?gica com o tamanho da popula??o at? porque, uma das vari?veis do IDH ? a renda per capita, al?m da educa??o e sa?de. A informa??o sobre os Estados Unidos serem o primeiro do ranking tamb?m est? errada: EUA est?o em 5? lugar.

11. ? Votarei para que a nossa diplomacia permane?a independente, aliada ?s causas justas, sem tirar os sapatos nas alf?ndegas usamericanas e endossar o terrorismo b?lico dos EUA, que dissemina l?grimas e sofrimentos em tantas regi?es do planeta.?

A pol?tica externa brasileira tem tido, ao longo de d?cadas, uma postura independente em rela??o ?s grandes potencias, parte dos princ?pios diplom?ticos do Itamaraty, com algumas exce??es em per?odos da ditadura. Como disse o deputado Jos? Geno?no, em 1999, o governo de Fernando Henrique Cardoso, que o PT tanto critica, teve como meta constante da sua politica externa ?refundar a credibilidade externa sobre a estabilidade interna?. De qualquer forma, cabe a pergunta: quais s?o essas causas justas que os governos do PT defendem? As ditaduras africanas ?s quais perdoou d?vidas? ? Venezuela com a aventura populista de Chavez? Cuba? Os governos anteriores do PSDB defenderam o fim do embargo dos Estados Unidos e n?o creio que nenhum outro candidato rejeite esta tese. O que n?o parece ser uma postura independente ? a forma como o Brasil trata os prisioneiros pol?ticos de Cuba. Numa das passagens de Lula por Havana, um preso pol?tico em greve de fome estava morrendo (e morreu quando ele ainda estava l?), e o presidente brasileiro ignorou e ainda comparou os presos comuns do Brasil. Lula: ?Greve de fome n?o pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que est?o presos em S?o Paulo entrassem em greve de fome e pedissem liberta??o?.

12. ? Votarei pela preserva??o do Marco Zero da internet, sem inger?ncia das gigantes de telecomunica??es, interessadas em mercantilizar as redes sociais e manter controle sobre a comunica??o digital.

O marco regulat?rio da internet foi aprovado no Congresso com o voto da grande maioria dos parlamentares dos partidos do governo e da oposi??o. Que presidente eleito vai modificar este marco regulat?rio?

13. ? Votarei, enfim, por um Brasil melhor, mesmo sabendo que o atual governo ? contradit?rio e incapaz de promover reformas de estruturas e punir os respons?veis pelos crimes da ditadura militar. Por?m, temo o retrocesso e, na atual conjuntura, n?o troco o conhecido pelo desconhecido.

N?o existe nada mais conservador e reacion?rio do que preferir o conhecido ao desconhecido na medida em que, este sim, pode conter mudan?as e inova??es. O ?mais do mesmo? ? uma aposta no descontrole econ?mico, no voluntarismo irrespons?vel, no aparelhamento do Estado com a utiliza??o dos cargos p?blicos para garantir o poder e comprar a ades?o dos partidos e parlamentares, e na desestrutura??o do sistema el?trico, A maioria da popula??o que pede mudan?a, como mostram as pesquisas de opini?o, n?o pode preferir este conhecido que, de fato, ? ?incapaz de promover reforma de estruturas?.

Conclus?o: Se Frei Betto decidiu votar em Dilma Rousseff, o que respeito e entendo como uma ades?o ideol?gica, n?o pode explicar sua escolha pelos 13 argumentos apresentados como se fosse um diferencial positivo da candidata ? reelei??o, exceto o temor reacion?rio da mudan?a que o leva a ?n?o trocar o conhecido pelo desconhecido?. Quase todos os 13 argumentos s?o infundados ou levam a preferir um candidato da oposi??o.

11 Comments

  1. Na minha modesta opinião, Frei Beto é como um CÃO FIEL, nada mais…como são todos os que votarão na Dilma: do amigo do peito à pobrezinha que teme perder o Bolsa Família.

    • Você realmente é muito modesta, chamar uma pessoa do nível de Frei Beto, Chico Buarque, Fernando Veríssimo entre outros de ” cão fiel”, mostra como sua mente é modesta.

  2. Caro Sérgio: Assino embaixo! Lamentável que até Frei Beto tenha perdido o prumo. Nada mais conservador e anti-revolucionário que temer mudanças e
    manter o que ele prório reconhece como defeituoso

  3. Excelente comentário do Sérgio. Pena que no Brasil tenhamos perdido o gosto, se é que já tivemos, do enfrentamento de idéias. Normalmente escrevemos para nós próprios e não contestamos os outros. Sérgio analisou um por um dos argumentos do Frei Beto. E eu concordo com ele, Sérgio. A análise do Frei Beto começa mostrando parcialidade ao ter treze pontos. Ou é uma estranha coincidência, ou ele submeteu sua análise aos aspectos partidários. Não entendi a referência que ele fez ao nosso IDH. E lamento que não tenha podido dizer que votaria na Dilma para parar a corrupção.
    Gostei quando Sergio fala sobre o conservadorismo do medo dos riscos de mudanças. Pessoalmente, prefiro as incerteza de um governo da Marina do que as certezas de mais um governo da Dilma.
    Cristovam

  4. votarei no menos pior, ou seja na certeza! agora falar de um governo que vendeu o patrimônio do brasileiro sem consulta-lo e tao ruim quanto ele

  5. Não consigo entender como uma pessoa culta/instruida como Frei Beto pense, muito mais escreva o que ele publicou. Só pode ser lavagem cerebral ou, o que não acredito por enquanto, matéria regiamente paga. Lamentável…

  6. Quanto à questão do efeito de políticas públicas dos últimos 12 anos sobre a queda da desigualdade e da pobreza, vou discordar. É verdade que o fator demográfico tem tido efeito relevante nesse processo. Todavia, penso ser incorreto dizer que as políticas de transferências condicionais de renda (em particular, o PBF) e a política de valorização real do salário mínimo (que se acelerou a partir de 2007, com o uso de MPs, e que foi positivada através de lei ordinária em 2011) não tiveram efeitos sobre a queda da desigualdade e da pobreza, no Brasil. Por exemplo, Rodolfo Hoffman (um dos maiores especialistas no estudo da distribuição de renda no Brasil), em um capítulo publicado no livro comemorativo dos 10 anos do PBF (http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2082/4/Livro-Programa_Bolsa_Familia-uma_d%C3%A9cada_de_inclus%C3%A3o_e_cidadania.pdf), no qual apresenta uma decomposição dinâmica do Índice de Gini, conclui seu trabalho da seguinte forma:

    “Ao analisar a contribuição de diferentes parcelas para a redução da desigualdade da distribuição de renda no Brasil a partir de 1995, todas as análises constatam a importância das mudanças na distribuição do rendimento do trabalho, mas todas mostram também a extraordinária contribuição das transferências sociais, particularmente do Bolsa Família, dada sua pequena participação da renda total” (p. 215).

    Quanto aos impactos da política de valorização real do salário mínimo, vou citar um trecho de um estudo totalmente crítico aos governos petistas (vide seu nome: “A Década Perdida: 2003 a 2012”, de autoria de pesquisadores da PUC-Rio e do INSPER, que reconhecem o extraordinário crescimento da massa salarial no Brasil a partir de 2003, chegando a afirmar que:

    “Há um debate aberto sobre as causas do aumento da massa salarial como proporção do PIB. A política de aumentos do salário mínimo além da variação no PIB nominal tende a aumentar a participação da massa salarial no PIB sempre e quando não causar desemprego ou informalidade. Sabemos que a formalização aumenta no Brasil durante o período (não há suficientes dados de outros países emergentes para avaliar o contrafactual). A conclusão natural desses fatos é que o aumento do salário mínimo não foi acompanhado de aumento no desemprego ou na informalidade. Não se sabe bem o por quê, mas o aquecimento da demanda por trabalho nos últimos anos certamente contribuiu para que a política de salário mínimo fosse exitosa” (p. 89).

    É legítimo questionar se a política de elevação real do salário mínimo é sustentável no longo prazo, mas me parece ser inegável que ela contribuiu para a redução da desigualdade e da pobreza ao elevar a participação da massa salarial como proporção do PIB, bem como que tem sido exitosa até aqui (como reconhece esse trabalho tão crítico) e que foi resultante de decisões difíceis e esforços políticos custosos. Finalmente, gostaria apenas de relatar que tanto em trabalhos realizados por mim e por meus colaboradores anteriormente (ver: NEVES, JORGE ALEXANDRE ; FERNANDES, Danielle Cireno ; XAVIER, Flávia Pereira ; TOMAS, M. C. . “POLÍTICAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA, CAPITAL SOCIAL E ALCANCE EDUCACIONAL NO BRASIL”. In: MURILO FAHEL E JORGE ALEXANDRE BARBOSA NEVES, orgs. GESTÃO E AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS SOCIAIS NO BRASIL. 01 ed.BELO HORIZONTE-MG: EDITORA PUC-MINAS, 2007, v. 01, p. 275-290) quanto no livro que me encontro escrevendo (que tem como título provisório “The State, Politics, and Policies: The Fall of Inequality in Brazil in a Comparative Perspective”, que deverá ser publicado, em inglês, no próximo ano), também com colaboradores, fica demonstrado a partir de robustas evidências empíricas que as políticas brasileiras recentes de redistribuição de renda têm apresentado potenciais impactos sobre a queda da desigualdade que mais interessa a nós sociólogos (enquanto os economistas se interessam mais pela desigualdade de renda), qual seja, aquela referente aos fluxos itergeracionais.

  7. Excelente, Sérgio! Sem alterar uma vírgula!
    O que me dói é ver pessoas sérias, bem intencionadas, cultas, agirem na forma referida por Camus: se a realidade não se conforma aos seus desejos e contraria as suas crenças, furam os olhos para não ver a realidade.

  8. Caro Jorge Alexandre

    Grato pelos seus comentários ao texto em que refuto os argumentos falaciosos de Frei Betto na declaração do seu voto para presidente. Seu comentário ajuda a alimentar o debate, o que é extremamente importante neste período de tanta manipulação de campanha eleitoral. De qualquer forma, não creio que seus argumentos e dados neguem a afirmação central do meu texto quando digo que “as políticas de distribuição de renda tiveram pouco efeito na redução da pobreza, por mais que tenha sido difundido o contrário”. Não quer dizer, claro, que as políticas não tiveram efeito algum, mas que estão longe, muito longe mesmo de ser a causa da redução da pobreza e das desigualdades. E me baseio nesta afirmação em outro estudo, vale dizer, o trabalho citado de Marcelo Neri que faz uma decomposição da contribuição de diferentes fontes para a elevação da renda na população (“Miséria e a nova classe média na década da igualdade” – Marcelo Cortês Nery e Luisa Cavalhaes – Rio de Janeiro – FGV/IBRE – CPS – 2008). O estudo mostra, com dados da PNAD para o período 2002/2007, que a “renda de todos os trabalhos” contribuiu com 75,15% para o crescimento da renda (o dado que citei no meu texto era para o período mais longo, 1992/2007) enquanto a “transferência de renda” (leia-se Bolsa Família) representou apenas 4,1% da evolução da renda. A “previdência de salário mínimo” contribuiu com 10,5%, resultado de uma política correta de elevação real do Salário Mínimo, mas ainda muito menos que o efeito da “renda de todos os trabalhos”. Interessante ainda verificar que a contribuição da Previdência acima do salário mínimo foi ainda superior (13,9% do total). Se o estudo de Marcelo Neri estiver correto não se pode atribuir às políticas brasileiras recentes de redistribuição de renda impacto relevante na queda da desigualdade.

    Por outro lado, não acho que se apropriado falar de “aquecimento da demanda por trabalho nos últimos anos” embora, de fato, o desemprego tem declinado e se situa num patamar baixo. Ocorre que, como tentei explicar no meu texto, o que tem havido é uma queda significativa da oferta de mão de obra e não da demanda por trabalho. E é isso que explica que não tenha aumentado o desemprego no Brasil apesar do modesto, para dizer o mínimo, crescimento do PIB. A geração de emprego (aquecendo a demanda por trabalho) decorre diretamente do ritmo de crescimento da economia, mesmo quando a produtividade praticamente estagnou nas últimas décadas.

  9. Excelente artigo. Deixe de levar a sério “frei”Beto, quando ele comparou Che Guevara Jesus Cristo, e quando disse e escreveu em O Dia, que O ex presidente era a “reencarnacão” de Cristo.
    Há muito ele se aproveita do cargo e da protecão religiosa, embora frei não seja padre, para aliciar fiéis. Ou vítimas. Adepto e defensor da Teologia da Libertacão, que pretendeu (?) casar duas ideologias opostas: O Cristianismo : “meu reino nào é deste mundo” com o Comunismo: ëxtinguindo as classes, ou melhor exterminando a burguesia, alacancaremos o paraíso aqui na terra”. Ainda que onde foi tentado o Socialismo real, tenha criando o inferno com 200 milhões de assassinados que recusarm o tal paraíso, ele é apenas mais um miliante comunista travestido de religioso, e como tal impregnado da ideologia
    comunista, não consegue ver os males que o lulo petismo, ao desmoralizar o Congresso, intrometer-se nos trabalhos do Judciário, lutar pelo controle da mídia e da mente dos cidadãos vem fazendo para nossa Democracia. Ao defender a ampliacão do Bolsa Família, não deseja a emancipacão dos pobres e sua elevacão a condicão de cidadãos. É preciso que os pobres continuem dependentes do assistencialismo do Estado. Tanto o lulo petismo como os coronéis de ontem e hoje, precisam alimentar este círculo de pobreza e ignorância. Os mais pobres – ainda que agoram possam comer – continuarão pobres. E isto mantem os petistas no Poder e “frei”Beto como seu profeta.

  10. Então na sua visão nem precisávamos de governo pois as coisas iam se ajeitando normalmente…
    As vezes penso que moro no pais diferente pois vi sim muito progresso e saindo das tais estatísticas vendo nas ruas vendo na minha própria vida e vida dos meus vizinhos, a muito o que fazer sim mas não tenho duvida tenho certeza que foi nesse governo que vi e vejo o pobre ter oportunidades pra ter e ser alguma coisa na vida.É mas fácil ser contra esse governo quando não se vive com essas dificuldades …

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