Grafite sobre radicalismo ideológico – Índia.

 

Um antibolsonarista, assim como muitos democratas, tem um natural horror e repulsa a todos os atos insensatos de Bolsonaro e sua trupe. Do mesmo modo, um eleitor de Bolsonaro tem igual horror e repulsa a tudo que venha do PT, principalmente aos atos que têm as digitais de Lula.

Eu tenho o mesmo horror e repulsa aos dois líderes políticos, porque sinto no primeiro o perigo da insensatez e da loucura gerando instabilidade política, quase todos os dias, e seu desprezo radical aos valores democráticos;  no segundo, porque carismático e populista criou e coordenou, enquanto estava no poder, a maior máquina de corrupção do capitalismo moderno.

Ou seja, um louco alimentado por ideologias de extrema direita e um ladrão, julgado e condenado, que usurpou o nome e as bandeiras humanistas da esquerda, associando-as ao radicalismo ideológico, ao populismo e a corrupção.

A fonte da minha repulsa a estes dois está na compreensão de que a democracia, um processo permanente de aperfeiçoamento da vida em sociedade, é a mais importante conquista civilizatória da humanidade e os dois, embora por práticas políticas distintas, corroem as bases da nossa democracia, manipulando os desejos dos eleitores em favor de seus interesses, quase nunca republicanos.

Meu horror e repulsa porém, têm seu foco e está limitado a estes dois líderes, e ao perigo que eles representam com  suas máquinas de manipulação  em massa: vendendo ilusões e destruindo esperanças. Meu asco não atinge os eleitores dessas duas facções radicais.  Estes, me desafiam sempre a tentar compreender as fragilidades humanas e sua vital e quase indestrutível necessidade de ter um líder a quem seguir cegamente, colocando-o na função do “pai da horda primeva”, com poderes para definir sua existência – esta, quase sempre limitada e carregada de ódio ao outro, que pensa e vê o mundo diferente.

O exercício da  tolerância, prática fundamental para a vida em uma democracia, é meu desafio contínuo e tem como valioso objeto o outro que pensa diferente de mim. Se esta, por um feliz acaso, volta estabelecendo um diálogo, constrói-se o respeito à diversidade humana – a tessitura mais delicada e valiosa do nosso processo civilizatório.

A tolerância, entretanto, deve ter um limite, uma barreira contra os intolerantes, pois a história mostra que onde ela transigiu com os intolerantes, estes destruíram as liberdades e os valores democráticos, instaurando regimes de trevas e mortes.