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Penso, logo existo.

Da Itália à Suíça – Fernando Dourado

Hoje acordei bastante mal. Ou apenas razoavelmente mal – convém relativizar para achar um meio termo, ainda que seja na linguagem. O céu estava azul, e as camélias, magnólias e castanheiras estão em plena floração lá pelas bandas do lago Maggiore.

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De meu avô sobre Sevilha – Fernando Dourado

A caminho da casa do avô, Elisa teve a premonição de que aquela seria a última visita que lhe faria. Na semana seguinte, viajaria sem data para voltar. Se tudo corresse bem, iria ficar na Áustria, estação após estação, à medida que o trabalho conhecesse…

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Um quadro para a Dra. Laila – Fernando Dourado

Então Alba estacou diante da casinha, endereço provável do avô, pai da mãe, e eu nada disse. Cirilo, o grosseirão que eu tirara à custa do boteco minutos antes para nos levar àquelas brenhas de moradas decadentes e cor de sujeira antiga, olhou para mim como se perguntasse o que eu esperava dele.

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Blue Monday – Fernando Dourado

Esta manhã, despertei em Dresden. Mal coloquei os pés no chão, já fui pensando em dar-lhe notícias, meu caro editor. Na verdade, para efeitos da conversa que teremos, pouca diferença faria escrever-lhe da beira do rio Elba ou do São Francisco.

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Mitteleuropa – Fernando Dourado

Berto e Isa são os pais de Beatriz, Cíntia e Guilherme, este o caçula, por todos também chamado de Gui. Se os pais não formam um casal fusional, não seria exagero dizer que eles conheceram mais momentos bons do que ruins, e que estão dispostos a se ajudar mutuamente…

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O labrador da discórdia – Fernando Dourado

Quem já teve um labrador em casa ou mesmo no apartamento, sabe da doçura dessa raça de índole hiperativa, incansável na hora de correr atrás de uma bolinha para devolvê-la ao arremessador. Como lhe ignorar, ademais, a euforia contagiante quando o dono pega a coleira na gaveta…

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O voo TK 1828 ou digressões sobre um tormento – Fernando Dourado

Vistas da janela, as luzes da torre Eiffel tremeluziram à distância por menos de um minuto até que as nuvens baixas reduziram a paisagem a enormes chumaços de algodão cinzento, que as asas do avião iam laminando.

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Haute Cuisine: um almoço no “Au Crocodile” – Fernando Dourado

Quase todo dia, nas deambulações que faço em ziguezague pelo Mercado de Natal de Estrasburgo, passo pela rue d´Outre. Trata-se na verdade de um beco ricamente ornamentado, bem atrás do imenso pinheiro cheio de guirlandas da praça Kléber que…

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Anotações Apressadas da Alsácia – Fernando Dourado

A quinta-feira transcorria muito bem e eu queria aproveitar o último entardecer antes da inauguração do mercado de Natal de Estrasburgo para ver o filme “Amanda”, bastante elogiado pela crítica e ambientado numa Paris pós-atentados.

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Sobre Carlos Ghosn – Fernando Dourado

“O que se comenta aqui no Líbano é que Carlos Ghosn é 100% dos nossos. O avô dele foi para a fronteira Brasil-Bolívia na época do boom da borracha. O pai dele casou por lá também com uma libanesa vinda da África. Como você sabe, há séculos temos sírios e libaneses vivendo na Nigéria.

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Bolso Leaks – Fernando Dourado

“Sr. Presidente, recebi com desolação a notícia de que Vossa Excelência infelizmente não vai poder vir à posse do novo presidente brasileiro. Quando atinei para a data do evento, e na qualidade de vosso humilde Embaixador em Brasília, julguei que era chegada a hora de mostrar a Lady Kwanza a propriedade de que havíamos falado.

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Comunicados Interceptados – Fernando Dourado

“Que seja portanto registrado junto à Sua Majestade Real, Aquela que tem sob Sua Iluminada Custódia as Duas Mesquitas Sagradas, que a presença de Sua Alteza o Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman bin Abdul Aziz bin Abdul Rahman bin Faisal bin Turki bin Abdullah bin Mohammed bin Saud

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Pequeno Atlas Sentimental de A a Z – Fernando Dourado

Atenas – Quem conhece Atenas, Grécia, associa a região da Plaka às galerias de arte e às tavernas que se espalham pelos terraços ornados de rosas brancas. Nos canteiros floridos, gatos preguiçosos contemplam turistas com indiferença.

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Como Aznavour mudou minha vida – Fernando Dourado

Amanhã, dia 5 de outubro de 2018, talvez à mesma hora da publicação deste simulacro de réquiem na revista “Será?”, o jovem Emmanuel Macron falará para a França e o mundo diante do caixão do ator e cantor Charles Aznavour, no pátio interno dos Inválidos, em cerimônia de poucos precedentes em local tão simbólico.

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Abundância: o discurso misericordioso de magnânimos, ardilosos e benevolentes – Fernando Dourado

“Puxa, cara, estou genuinamente sentido por você. Nunca tive ilusão de que não estávamos em lados opostos do espectro político. Sempre soube que sim. Menos mal que isso quase nunca abalou nossa amizade.

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Dor e luz – Fernando Dourado

Em plena manhã desta quinta-feira, 6 de setembro de 2018, despertei ilhado em Oak Park, subúrbio de Chicago. Chovia muito. Esperando que o calor arrefecesse com a água abundante, levantei da cama lentamente para atender ao aviso sonoro, indicativo de que uma mensagem prioritária acabara de entrar.

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Pernambuco para principiantes – Fernando Dourado

Pela janela, vejo o mar. Lá longe, onde a vista não alcançaria, ao cabo de uma linha reta imaginária que começa na varanda e que recorta a água por pouco mais de 5000 km, fica Luanda, a outrora bucólica capital angolana, hoje Meca da cleptocracia.

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“Cherchez la femme” – Fernando Dourado

Quem se lembra do que disse o célebre informante “Deep Throat” aos jornalistas que investigavam o caso Watergate, na versão do filme “Todos os homens do Presidente?” “Follow the money”, ou seja, que seguissem as pegadas do dinheiro.

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Aconteceu em Nob Hill – Fernando Dourado

Naqueles dias, quando os anos 1980 estavam a poucos meses do fim, San Francisco ainda era cheia de casarões vitorianos de sacada florida onde se alugavam cômodos amplos para temporadas curtas.

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Dasvidania, Rossiya – Fernando Dourado

Tendo ido dormir tarde – ou demasiado cedo, a depender da ótica -, acordei com enorme dor de cabeça, uma sede bíblica e uma ansiedade enorme por conta dos três ou quatro e-mails inconvenientes que tinha mandado ao voltar do jantar…

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Um outono em Moscou – Fernando Dourado

Por precaução, comprei mais um analgésico letal caso aquele dente volte estranhamente a incomodar. Por que digo estranhamente? Ora, porque não há qualquer vestígio de inchaço ou de inflamação na área.

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From Russia with love – Fernando Dourado

Cheguei a Frankfurt depois de um breve cochilo e um almoço decente. Fui direto para o terminal B, de onde saem os voos para a Europa do Leste e, lá chegando, vi diminuírem as chances de encontrar a tal roupa de frio de que precisava.

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Anotações de uma viagem solitária de Leste a Oeste da Polônia – Fernando Dourado

Se você está na terra de Ludwik Zamenhof, o linguista que tentou desfazer o nó da Torre de Babel e criou o Esperanto – a sonhada língua universal -, nada mais esperável que se sinta tentado a almoçar no café do mesmo nome…

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A Polônia onde até a paisagem fala iídiche – Fernando Dourado

Márcia Diamond me perguntou ao telefone que cara tem a cidade de Lublin. Normalmente desinteressada por tudo o mais que não seja o universo lúdico de seus cães de estimação, por uma vez me surpreendi com a curiosidade dela por essas bandas do mundo.

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Um mojito com o embaixador – Fernando Dourado

Será que José Dirceu de Oliveira e Silva voltaria um dia a atravessar de carro o vale do Ribeira, aquela região feiosa do estado de São Paulo, logo depois da divisa do Paraná? Não, era quase certo que nunca mais faria o trajeto.

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O dia de canalha de Yves Farias – Fernando Dourado

Todo homem de meia idade tem um cartel de feitos e derrotas de que pode se orgulhar ou se penitenciar. Isso vai da severidade com que o examine. Dito rigor não é imune a flutuações que podem variar de acordo com a mecânica…

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As vidas paralelas de Tibério Bontempo – Fernando Dourado

Tibério Bontempo, 43 anos, caminhou lentamente até o meio do parque e, apesar de ter trilhado um longo declive, chegou resfolegante ao banquinho onde costumava sentar para apreciar o panorama.

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“Dernier virage” – Fernando Dourado

No jargão interno da Air France, quando o avião se aproxima do terminal para o encaixe da porta no finger, uma voz encorpada emana da cabine de comando e anuncia um enigmático: dernier virage.

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A fábrica – Fernando Dourado

Até os 15 anos de idade, José Umbelino Gomes Farinha amaldiçoava o pai todo dia por lhe ter dado um nome de batismo tão ridículo quanto ingrato. Ora, por muito que se esforçasse em ser identificado simplesmente como José, certo é que o Umbelino tinha uma força gravitacional forte.

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O fim do passado – Fernando Dourado

De olho na televisão, Harold se divertiu com o depoimento do salva-vidas. Tanto achou interessante o que o rapaz disse, que chegou a enxugar uma lágrima de emoção. “Se você sentir que a corrente o está puxando, não tente nadar em direção à areia.

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