
Quatro universidades brasileiras, a Unicamp, a Federal do Rio de Janeiro, a Federal do Ceará e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo decidiram romper seus convênios de cooperação com as universidades israelenses de Haifa, de Ben Gurion e com o Instituto Tecnológico Technion, em reação às violências cometidas por Israel na Faixa de Gaza, depois do ataque terrorista do Hamas no 7 de outubro de 2023.
Esses convênios previam intercâmbio de alunos, professores e projetos mútuos de pesquisa. Esse mesmo tipo de boicote tem a participação de universidades da Noruega, Irlanda, Bélgica e Espanha.
Na Suíça, onde as universidades de Lausanne e Genebra também aderiram ao boicote, o jornal Le Temps procurou saber quais consequências negativas podem resultar desse movimento tanto para Israel como para as universidades israelenses e estrangeiras. Para isso, foi entrevistado Shlomi Kofman, responsável pela parceria de Israel com o programa Horizon Europe.
A síntese dessa entrevista é a de que “o boicote a Israel é contraproducente” no domínio da pesquisa científica, havendo riscos tangíveis para a ciência, segundo os cientistas israelenses. desde 1996, Israel e a Europa se beneficiam dessa parceria em ciência e tecnologia, envolvendo estudantes, pesquisadores e empresas europeias.
Até hoje, Horizon Europe tem favorecido de maneira apolítica a pesquisa e a política, evitando ser envolvido pela política concentrado no objetivo de inovação e progresso para a humanidade.
A revista K, preocupada com os judeus na Europa e com o ressurgimento do antissemitismo, integrada por universitários e jornalistas, abriu um grande espaço dedicado “aos universitários israelenses face ao apelo pelo boicote de suas universidades.
Três professores contribuíram com suas respostas: Itai Ater e Alon Korngreen, do grupo Universitários pela democracia israelense, e o prof. Eyal Benvenisti, membro do Fórum dos professores de direito israelenses pela democracia.
Sobre os impactos decorrentes dos boicotes às universidades israelenses, acham que são muitos limitados. O governo israelense considerará serem ataques a Israel, hostilidade internacional, e reforçará as posições atuais.
O boicote será proveitoso ao governo atual e prejudicará as universidades, reforçará também a ideia de que “o mundo está contra Israel” levando o governo a um isolacionismo. O boicote prejudicará no que se refere às iniciativas de pesquisa e colaborações internacionais, reduzindo financiamentos e impedindo avanços universitários, limitando as trocas de ideias.
Muitas universidades israelenses -contam eles – participam de pesquisas inovadoras nos campos da medicina, tecnologia e meio ambiente. O boicote causará a perda de parceiros internacionais importantes para o progresso dos projetos e impedirá seus avanços.
Eles enumeram os prejuízos para os universitários israelenses, mas é também importante considerar a perda correspondente para os estudantes das universidades boicotadoras, privados de pesquisas e de experiências internacionais. Resta a dúvida se a aplicação do boicote tem algum resultado positivo.
Algumas referências:
https://www.letemps.ch/monde/moyenorient/le-boycott-d-israel-est-contre-productif-dans-le-domaine-de-la-recherche-scientifique?srsltid=AfmBOoptr8N7ucP6gk-GhFgko60-_aqLHaVHDmgUJCZMfV_bfouIZiPl
https://k-larevue.com/universite-israel-boycott/
https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-10/faculdade-da-usp-rompe-convenio-com-universidade-de-haifa-de-israel
https://www.estadao.com.br/opiniao/usp-se-dobra-a-intolerancia/?srsltid=AfmBOoqrp7s4FoJdyT54-ySVG-b7BLl8x37t0r_z0yoSgSnrbIe90d8u
https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2025/10/07/ufc-anuncia-rompimento-de-acordo-de-intercambio-com-universidade-de-israel-por-guerra-em-gaza.ghtml
Pois é, dificil fazer uma análise de “custo-beneficio” de qualquer boicote (e talvez até de qualquer embargo comercial). Lembra quando suspenderam em um país europeu a apresentaçao do Balé Bolshoi depois da invasão da Ucrânia pela Rússia? É apenas um grão de areia de manifestação de opinião. Lembro que minha orientadora em Cambridge, Joan Robinson, declarou e cumpriu, que jamais iria ao Chile, mesmo a convite da Universidade, enquanto se mantivesse a ditadura de Pinochet. Não adiantou grande coisa, mas acho que estava certa, mesmo que a Univeridade do Chile perdesse a sua visita. Em todo caso,parabéns por abordar tema difícil.