
No Kings
Os cidadãos dos Estados Unidos, finalmente, se levantaram contra o autoritarismo, a arrogância, o ataque à democracia e aos direitos humanos do presidente Donald Trump. No último final de semana, em quase todas as cidades de médio e grande porte dos Estados Unidos (até alguns vilarejos), milhões de norte-americanos saíram às ruas rejeitando o comportamento imperial do abominável presidente. Os organizadores da grande manifestação do final de semana estimam que mais de oito milhões de pessoas (2,5% da população) saíram às ruas em todo o território dos Estados Unidos, acompanhados de manifestantes em cidades europeias. “Em pouco mais de um ano no poder, Trump atropela, sistematicamente, os fundamentos da democracia, agride a Constituição com desenvoltura, desrespeita a soberania das nações, promove a desorganização da economia mundial, com impacto inflacionário nos Estados Unidos, abandona a participação da grande nação nas principais instituições e acordos internacionais. E promove a guerra violenta e criminosa, num insensato bombardeio para destruir o Irã, provocando uma grave crise econômica e geopolítica.
Trump se comporta como se fosse o rei do mundo. Por isso, o grito “no kings” deve ecoar em todas as partes do planeta, dos povos agredidos pela sua fúria agressiva, pelos defensores das normas internacionais de convivência e da paz mundial, da democracia e dos direitos humanos. De alguma forma, ainda tímida, o mundo começa a reagir, inclusive os países historicamente aliados dos Estados Unidos, como França, Reino Unido, Alemanha, Itália e, principalmente Espanha, que se recusam a um envolvimento na agressão de Trump ao Irã. “Esta guerra não é nossa”, afirmou o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha. Os governos europeus se recusaram a entrar em confronto com o Irã e mesmo a permitir a utilização das bases militares estadunidenses nos seus territórios. Embora não se possa aprovar o regime autocrático da teocracia iraniana e seja lamentável a crise do petróleo que está provocando com o bloqueio do Estreito de Ormuz, a reação do Irã – David contra Golias – está jogando na lona o alucinado presidente dos Estados Unidos. Trump recorre ao deboche no meio de uma guerra violenta com declarações perversas, além de mentirosas, ameaça cortar luz, água e petróleo do Irã e disse que “se o Estreito de Ormuz não for aberto, concluiremos nossa adorável estadia no Irã explodindo todas as suas usinas geradoras de eletricidade, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente as usinas de dessalinização), que propositalmente ainda não tocamos”. E, diante da recusa dos países europeus a mandarem armada para o Estreito de Ormuz, Trump esconde sua derrota com a mais descarada soberba, menospreza os aliados afirmando que os Estados Unidos não precisam dos europeus que, segundo afirma, não têm coragem e precisam aprender a luta por si mesmos. Se quiserem, disse aos aliados europeus vítimas da sua guerra insensata, vão lá buscar o petróleo ou podem vir comprar nos Estados Unidos. Trump já perdeu esta guerra, o que vai acabar com sua soberba e a sua atuação imperial. E perdeu, principalmente, o eleitorado dos Estados Unidos que vai se manifestar nas eleições de meio de mandato em novembro próximo. O mundo poderá, então, voltar a respirar sem aparelhos.
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