O Brasil está no olho do furacão combinando uma grave crise política e uma degradação moral no meio do desmonte da economia. Nesta situação lamentável, o Brasil não tem mais presidente e ainda não conta com novo governante, nau sem rumo ou, pior, com um rumo assustador no curto prazo: mais recessão, agudo desequilíbrio fiscal, polarização e radicalização política. A situação é dramática no imediato, enquanto não for definido o novo governo e implementadas medidas adequadas para o enfrentamento do desastre econômico e fiscal, esta sim uma herança prá lá de maldita. E mesmo no médio prazo, o Brasil vai conviver com grandes dificuldades criadas pelo passivo e pelos enormes estrangulamentos estruturais, com destaque para o nó da previdência social. Estamos mal. Muito pior está a Venezuela, mergulhada num completo caos social, político e econômico, único país da América Latina e um dos poucos do mundo que supera o Brasil no desastre. Em três anos, de 2014 a este ano (2016), o PIB-Produto Interno Bruto venezuelano vai cair quase 18% (cerca de 6% ao ano) o que torna os venezuelanos muito mais pobres; no mesmo período, a economia brasileira deve ter um tombo nunca visto na história de, aproximadamente, 8%, mesmo assim, menos da metade da queda do país vizinho. A inflação oficial da Venezuela (de pouca credibilidade) já alcança 140% ao ano, acompanhada de desabastecimento de produtos elementares e agora do racionamento de energia elétrica por quatro horas diárias. E a moeda evapora: o dólar, cotado a 6,30 bolivares no câmbio oficial, é negociado no mercado negro por 1.100 bolívares. Se o Brasil vive uma crise de governabilidade, a Venezuela é, decididamente, um Estado falido. Apesar da diferença na gravidade da crise nos dois países, existem semelhanças no conteúdo e nas causas da desorganização econômica e política no Brasil e na Venezuela: o populismo fiscal, a imprevidência nos gastos, e a mistificação de um discurso salvacionista e, pretensamente, de esquerda.
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Temos bons motivos para crer que os acontecimentos recentes no panorama político brasileiro podem ter nos livrado de uma sina parecida ao do país vizinho. Se o petróleo de lá – talvez o melhor do mundo, o de extração mais barata e a dois passos do maior cliente da Terra – constituiu uma maldição similar à que obliterou os horizontes da Nigéria e Angola, não esqueçamos que também estivemos a um passo do cadafalso. Em grande parte, devido ao aparelhamento da Petrobras. Como ocorreu na Sonangol, na PDVSA ou mesmo da Pemex.
Isso dito, registro que a Venezuela se descuidou de um plano de desenvolvimento industrial de forma inaudita. Com a força do bolívar, importava tudo. Os restaurantes serviam água Perrier a melhor preço do que na França. O uísque de batalha era Old Parr. Os “croissants” servidos no café da manhã do hotel Tamanaco vinham em voo da Viasa, de Miami, pousando no aeroporto de madrugada. Isso eu testemunhei ao longo de 30 anos e já não sei quantas visitas.
Para não dizer que eles nada tinham além de petróleo, havia uma indústria de alumínio na foz do rio Orenoco. Vez por outra, eu exportava fluoreto de alumínio da CNQB Votorantim para lá. No mais, eram uns irresponsáveis com o amanhã.
Como se tamanho desmazelo não bastasse – et pour cause -, se abate sobre o país uma liderança nefanda como a do coronel Chávez. (Aliás, é um ótimo alerta para nossas vivandeiras de quartel que acham que militar pode ser solução para nossos problemas). Pois bem, disparado o gatilho do populismo, os oportunistas acorreram para lhe dar apoio político e se desencadeou a gastança irresponsável e a propaganda de seus voos de galinha. O resultado é o que o editorial retrata.
É bom que se diga: petróleo nas mãos de certos líderes – esses que usam macacão laranja em plataformas e pousam com as mãos maquiadas de preto para o ar – é uma arma letal. Quem já viu um líder norueguês dizer que seu país é o próximo Emirado? Pois lá, os excedentes vão para um fundo soberano que assegurará educação de ponta para os noruegueses pelos próximos 100 anos. Na América Latina, vai para a máquina de propaganda. Aqui, s´a expectativa alardeada com o pré-sal ensejou em boa medida uma desindustrialização perigosa.
Enfim, uma hora, a bolha estoura (pluft).
FD
Prezado Fernando,
Sua análise é clara e objetiva, resumindo com precisão essa triste ópera bufa, que são os (des)governos populistas e suas nefastas consequências.
O Editorial aponta com clareza que o cenário está – muitíssimo – pior na Venezuela.
Felizmente, apesar do estrago já consumado, além de termos acordado mais cedo desse pesadelo perpetrado pela gangue do PT e seus cúmplices – muitos dos quais (notadamente no PMDB), sairão dessa parte da história como “salvadores da pátria” – a economia brasileira tem melhor estrutura e diversidade, podendo sair mais rapidamente no buraco em que os canalhas salafrários incompetentes nos meteram, pois nossa dependência do petróleo é muito menor do que a dos tristes cidadãos venezuelanos.