O adiamento, pelo Tribunal Superior Eleitoral, do julgamento do processo que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, por suposto abuso do poder político e econômico na campanha eleitoral de 2014, alonga as incertezas e a instabilidade política e econômica do Brasil. Embora o governo Michel Temer continue avançando com as reformas no Congresso, a insegurança sobre a decisão futura do TSE tende a inibir as decisões dos agentes econômicos e a atrasar eventual reanimação da economia brasileira. Se as acusações contra a chapa tiverem fundamento legal, o TSE pode invalidar as eleições de 2015, o que, sem nenhum efeito sobre a presidente Dilma Rousseff, já afastada pelo impeachment, levaria à cassação do mandato do presidente Temer. Do ponto de vista legal, parece lógico que, tendo havido crime eleitoral, a chapa inteira tenha sido eleita de forma irregular, de modo que deveriam ser afastados presidente e vice-presidente. Se, ao contrário do que afirma o Partido dos Trabalhadores, Dilma e Temer foram eleitos juntos por um mesmo conjunto de eleitores – votos de Dilma viabilizaram Temer da mesma forma que os milhões de votos do PMDB tornaram possível a eleição de Dilma – os dois estão ligados no jogo eleitoral, e formam uma única chapa. De qualquer forma, se o adiamento do processo no TSE alonga a instabilidade, a eventual cassação do atual presidente aprofundaria e agravaria a crise de governabilidade, inviabilizaria a reforma da Previdência, fundamental para as finanças públicas, e afundaria a economia. Pela Constituição, no caso de cessação do mandato do presidente Temer, assumiria o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que deveria convocar eleições indiretas para escolha do presidente de transição até o pleito eleitoral de 2018. Neste caso, se abriria um grande vazio político, que poderia paralisar o país e produzir uma enorme incerteza sobre o futuro imediato do Brasil. Se o governo do presidente Temer já tem de conviver com muito baixa avaliação da população, o que esperar da frágil interinidade de um presidente escolhido pelo Congresso Nacional, que, apesar de legítimo, está completamente desmoralizado? Se a chapa tem de ser cassada, incluindo Temer, que seja. Mas não podemos ignorar as graves consequências da crise de governabilidade. De qualquer forma, o pior dos mundos é este alongamento da incerteza.
Sobre o autor
Postagens Relacionadas
Postagens recentes
-
Guerra religiosa contamina eleição – Editorialout 2, 2026 -
Nossa Senhora vai às Urnasout 2, 2026 -
Padroeira faz parte de nossa culturaout 2, 2026 -
-
Incertezasout 2, 2026 -
Eleiçõesout 2, 2026 -
Agruras de uma velhinha tratando de votarout 2, 2026 -
Regulação é sempre melhor que proibiçãoout 2, 2026 -
Última Páginaout 2, 2026
Assinar Newsletter
Assine nossa Newsletter e receba nossos artigos em seu e-mail.
Brasil Clemente Rosas crônica cultura democracia democracia brasileira Direitos Humanos Donald Trump Editorial Eleições 2026 Elimar Pinheiro do Nascimento Eli S. Martins Estados Unidos Extrema-direita Fernando da Mota Lima Fernando Dourado Fluxo da Historia FluxoDaHistoria Frederico Toscano freud Geopolítica Helga Hoffmann História do Brasil História Política instituições José Paulo Cavalcanti Filho João Humberto Martorelli João Rego Literatura Luciano Oliveira Luiz Otavio Cavalcanti lula memória Paulo Gustavo Penso Logo Duvido PensoLogoDuvido política brasileira Política Internacional Relações Internacionais RevistaSerá Revista Será? STF Sérgio C. Buarque Teresa Sales Trump
comentários recentes