Ao longo deste tumultuado e conflitivo ano de 2019, que termina agora, os brasileiros e os observadores internacionais acompanharam, perplexos e espantados, as barbaridades do Presidente Jair Bolsonaro e sua entourage. Com reiteradas e imprevisíveis declarações e ações obscurantistas, os bolsonaristas escancararam seu desapreço pela democracia e seu desprezo pelos valores civilizatórios construídos pela Constituição Brasileira. Com todas as limitações e perda de credibilidade de algumas instituições, e apesar de algumas avarias de difícil recuperação, a institucionalidade democrática tem resistido ao festival de horrores alimentado pela insanidade ideológica e pelos impulsos autoritários do bolsonarismo. Em apenas um ano de governo, Bolsonaro defendeu o Ato Institucional nº 5, que apertou o garrote da ditadura militar no Brasil, elogiou o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, ofendeu e ameaçou sistematicamente a imprensa e os jornalistas, propagou ódio na sociedade, sugeriu a exploração mineral em terras indígenas e desprezou o desmatamento e as queimadas da Amazônia. Primando pela subserviência a Donald Trump e a truculência diplomática, o governo agrediu chefes de Estado de nações amigas e importantes parceiras comerciais. Seguindo as instruções do “guru da Virginia”, o governo Bolsonaro montou trincheiras institucionais para desencadear uma “guerra cultural” contra o marxismo dos seus pesadelos paranóicos. O ano de 2019 não foi o desastre total do Brasil porque uma competente articulação do Ministro da Economia com os presidentes da Câmara de Deputados e do Senado fez aprovar importantes reformas econômicas, especialmente a Reforma da Previdência, que está tirando a economia brasileira da UTI. Graças à condução da política macroeconômica e à sinalização de amplas reformas estruturais, a economia brasileira mostrou, neste ano que se encerra, um movimento consistente de recuperação. Se não bastasse o belicismo reacionário do Presidente da República, do outro lado do espectro ideológico, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva saiu da carceragem de Curitiba espumando e soltando fogo pelas ventas. O ano termina com a intensificação da polarização fanática na política brasileira, bolsonaristas e lulistas disputando o campeonato nacional da insensatez e do desequilíbrio emocional. A quebra desta polarização, com a construção de uma alternativa política racional e democrática, que defenda as instituições e apoie as reformas econômicas, é o grande desafio do Brasil em 2020.
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Eu bem que gostaria de aderir à onda de otimismo com a economia que se espalhou nesse fim de ano. Que voltem os investimentos no novo ano! Que diminua o desemprego! Fato é que 2019 encerrou uma década perdida: pois em fins de 2019 o PIB conseguiu apenas recuperar o nível que havia atingido em fins de 2012. A economia caiu aproximadamente 6% no biênio 2015-2016, cresceu perto de 2% no biênio seguinte, e cresceu 1,2% em 2019. Por ora recuperou algo como metade do que perdeu na depressão. “Esperança é a última que morre.”