Adriano, o bom imperador de Roma.

 

Públio Élio Adriano. Considerado um dos cinco bons imperadores romanos. Nasceu no ano 76. Morreu em 138. Seu reinado compreendeu o período de 117 até sua morte.

Foi um imperador viajante. Visitou quase todas as províncias romanas. Encorajou a disciplina no Exército. Projetou e financiou pessoalmente várias instituições civis e religiosas.

Em Roma, reconstruiu o Panteão. E construiu o Templo de Vênus. Era amante da cultura grega. Procurou fazer de Atenas a capital cultural do Império.

Adriano também atuou para garantir o apoio do povo. Para isso, organizava jogos de gladiadores. Dispensava privilégios. E perdoava dívidas.

Talvez haja síntese apropriada para interpretar seu modo de governar. A combinação virtuosa de paixão pela cultura e senso de organização.

Essa maneira de lidar com os cidadãos do Império ajudou a viabilizar Roma. Numa época em que rivalidades faziam correr sangue como águas do Tibre. E num tempo em que disseminar igualdade entre pessoas era política improvável.

Homens como Adriano ajudaram a construir a civilização. Incentivando o culto à beleza. Valorizando instituições. Apoiando a sobrevivência de valores atemporais.

Homens como Adriano são espaços de sensatez. Do mesmo modo como Donald Trump e Jair Bolsonaro são intervalos de risco.

A posse de Joe Binden, nos Estados Unidos, foi momento mágico. Porque produziu três efeitos imediatos.

O primeiro efeito foi atualizar a pauta temática dos americanos. E, por consequência, do resto do mundo. Sai o populismo autoritário. E entra o compartilhamento de decisões entre parceiros nacionais. Sai o nacionalismo, que gerou o nazifascismo. E entra a negociação própria dos sistemas democráticos. Sai a mentira. Entra a verdade.

Entram na pauta a sustentabilidade ambiental, o acolhimento a migrantes vulneráveis, o realismo sanitário, a valorização dos órgãos multilaterais.

O segundo efeito foi gerar clima de otimismo em países da Europa, da Ásia e da América Latina. Renovando o valor da palavra. A dimensão do compromisso. O realce às vias institucionais. A visão de decisões compartilhadas.

O personalismo, na vaidade vã, cede à compreensão madura do acordo. A ira, própria de Talião, é substituída pela empatia. Compare-se as expressões faciais de pessoas presentes à posse de Trump. Com as de pessoas presentes à posse de Biden. Tornam-se claras paisagens opostas de apreensão e alegria.

O terceiro efeito foi fortalecer a democracia. No mesmo Capitólio onde, quinze dias antes, os supremacistas brancos quiseram suprimir o regime de representação política.

Na Organização Mundial de Saúde – OMS, seu diretor geral, o etíope, Tedros Adamom, saudou o recém chegado representante norte americano, Anthony Fauci, um dos mais respeitados infectologistas do mundo, com afeto: Welcome, my brother !

Mudam as palavras. Muda o tempero. Muda a culinária. A exorbitância voluntariosa dá lugar ao equilíbrio de porções. É isto que dá gosto aos comensais. Assim é a democracia. Democracia é sabor. Liberdade. Respeito à lei.

Por isso, o presidente brasileiro, possesso na ameaça risível de usar pólvora na falta de saliva, apequenou-se. Numa carta esconsa. Oportunista. Mas pedagógica.