Gaza, o horror

Gaza, o horror

Tema polêmico, que muito nos afeta. Temos procurado não nos manifestar abertamente. Sempre interrogados, sempre questionados. Respostas genéricas têm sido dadas. Mas, tendo posição firmada, acreditamos que devemos externá-la, após inúmeras provocações.

Aproveitamos o momento, pois acreditamos que tem relação com o ato de ser de esquerda, tema que nos é caro, posição que sempre assumimos.

No que tange à situação atual de Israel, deixamos claro que somos totalmente contra o atual governo de Benjamin Netanyahu e suas ações destrutivas. Manifestar-nos abertamente é uma necessidade: atrocidades jamais devem ser toleradas.

No entanto, discordamos de muitos que se dizem de esquerda e associam os dois lados como ideológicos: Israel de direita, Hamas de esquerda.

Acreditamos que termos como “genocidas” têm sido usados equivocadamente. Reconheçamos que é uma crise horrenda e que atrocidades têm sido cometidas contra a população palestina. Como dissemos, essas devem ser fortemente criticadas. Mas a definição de genocídio é incorreta.

O termo genocídio simboliza o “extermínio deliberado, parcial ou total, de uma comunidade, grupo étnico, racial ou religioso”. Não vimos nenhuma declaração oficial nesse sentido por parte das autoridades israelenses. Supor uma intencionalidade de extermínio de um povo é uma visão forjada, sem embasamento em dados concretos.

O que precisa ficar claro é o desejo de exterminar o Hamas, grupo terrorista — não as populações que sofrem por serem usadas como escudo humano.

É revoltante ver as cenas de fome e desnutrição veiculadas nas últimas semanas — injustificáveis, sem dúvida. Mas são sim resultado de uma guerra contra um grupo terrorista que usa a população para esconder seu desejo de aniquilar o Estado judeu.

Além de semanticamente incorreto, o uso do termo “genocídio” enfatiza apenas a visão de um lado do conflito — aquele que agora é apresentado como o “bonzinho” da história.

Não reagir seria um desastre. É difícil acreditar ser possível viver sempre ameaçado por um grupo — repetimos, terrorista — que realizou a atroz ação de 7 de outubro de 2023.

O lema “do rio ao mar” tem sido insistentemente usado como meta de destruição total da nação israelense. Ou seja, o Hamas defende um processo de aniquilamento completo do Estado de Israel.

Não há acordo possível com um grupo que não mede consequências e sacrifica toda sua população, inclusive usando-a como escudo humano, para realizar ações que visam, estas sim explicitamente, o extermínio do povo judeu que vive em terras de Israel.

Dizer que as terras sempre foram dos palestinos distorce a realidade histórica. Basta lembrar que, no tempo de Cristo, aquelas terras se chamavam Judéia, referindo-se aos povos que lá habitavam.

Desde 1947, com a Resolução 181 da ONU, propôs-se a partilha da Palestina em dois Estados, um árabe e um judeu — único caminho para uma paz duradoura, desde que reconhecida e respeitada por ambos os lados. Não foi Israel que recusou historicamente; desde a primeira guerra, os países árabes não aceitaram.

Este deveria ser o caminho da esquerda: a defesa intransigente de vida digna para as duas populações. Não tomar partido de um grupo armado que, em seu ideário e origem, não tem nenhuma identidade com as teses que defendemos.

Em síntese, criticar as atrocidades de Netanyahu é necessário — sem esquecer que o Hamas foi responsável pelo início desta atual destruição cruel e continua propagando que seu caminho é a destruição total do Estado judeu.

Chamar o Hamas de esquerda é um absurdo. Ficamos perplexos ao ver que muitos companheiros assim o fazem.

Voltemos às origens: ser de esquerda é buscar maior igualdade e justiça social. Num país como o Brasil, é procurar diminuir as disparidades de renda e inter-regionais, apoiar políticas que promovam maior bem-estar social para os desamparados, lutar por educação, saúde e moradia dignas e de qualidade para toda a população.

Não tomar partido de um grupo que semeia ódio, que quer destruir uma nação, que se dispõe a ser frente de luta de um regime teocrático e fundamentalista como o do Irã.

Solidariedade e participação popular se fazem necessárias. Pensar nos desfavorecidos, e não apenas nos interesses individuais, é o caminho para uma sociedade mais justa. Isso é o que nós, verdadeiramente de esquerda, desejamos e procuramos fazer acontecer.

Lutemos para resolver a crise humanitária do povo de Gaza, sem dúvida. Propondo ações efetivas e consistentes, mas sem demagogia, sem nos entregarmos aos poderosos, sem sermos manipulados por esquerdistas de ocasião.

Não aceitaremos que sejam ignorados os crimes cometidos e as atrocidades de um regime cruel e perverso de direita. Não deixaremos apagar da história os males gerados pelo atual governo de Israel. Denunciaremos firmemente, sem, contudo, deixar de contar a história como ela é — com os dois lados que a fazem e suas reais ambições.

Essa é a nossa luta. Respeitem a tradição da esquerda, pois, com sobriedade e determinação, não arredaremos pé.

“Esquerda Consciente e Unida, Jamais Será Vencida!”