Der Untermensch A film by Kays Mejri

Der Untermensch A film by Kays Mejri

Durante uma grande parte de minha vida, que é longa, sempre foi a extrema direita a líder do antissemitismo, culminando com a perseguição e massacre de judeus pelos nazistas de Hitler. Uma grande parte da intelligenzia era formada de judeus e os primeiros kibutz em Israel eram socialistas.

Ora, nestes últimos anos, vem acontecendo o inverso, embora não se trate declaradamente de antissemitismo mas ocorra sob a cobertura de antissionismo. Assim, a pretexto de se criticar a estrutura do Estado de Israel e colocar em questão sua própria existência, negando-se aos judeus o direito a um Estado, vem ressurgindo a tendência de se transferir essas críticas aos judeus, inclusive aos que vivem fora e longe de Israel.

É esse amálgama o detonador do fenômeno social atual do antissemitismo, provocando mesmo o surgimento de dois projetos de lei, de certa forma parecidos, um no Brasil pela deputada federal Tábata Amaral, e outro na França, pela deputada Caroline Yadan, provocando fortes reações nas redes sociais de esquerda.

Uma petição do partido LFI, de extrema esquerda, França Insubmissa, contra o projeto Yadan, já reuniu mais de 500 mil assinaturas, enquanto no Brasil as redes sociais de esquerda agridem a deputada Tábata Amaral.

Qual a semelhança entre esses dois projetos de lei?  A de enquadrar as novas formas de antissemitismo dissimuladas como antissionismo.

Diante da recrudescência do antissemitismo, a jornalista Mariliz Pereira Jorge publicou, na Folha de São Paulo, com título sugestivo Antissemitismo gourmet, um texto sobre o aviso colocado à entrada de um café bastante frequentado no Rio de Janeiro, de que “americanos e israelenses não são bem-vindos”, antecipando, talvez de alguns meses, a proibição da entrada de judeus em outros bares, cafés e restaurantes.

Não estamos ainda na obrigatoriedade da Estrela de Davi amarela, símbolo de segregação dos judeus na Alemanha nazista, mas é preciso se tomar cuidado.

Parece também inapropriado se prever o fim do Estado de Israel antes de completar 100 anos, pois os comentários postados, debaixo dessa profecia publicada no canal Opera Mundi, revelam muitos sentimentos antissemitas extremados, lembrando o slogan “Do rio ao mar” pela destruição de Israel. Não há justificativa para esse tipo de publicidade.