
Dinheiro e eleição
O tabuleiro eleitoral do Brasil registrou uma importante inflexão nos últimos dias pelo efeito combinado do filme de Bolsonaro e da caneta do presidente da República, combinação que favorece a reeleição de Lula. Se, até outubro, não houver nenhuma grande surpresa no jogo eleitoral, o Presidente Lula da Silva tem tudo para ser conduzido ao seu quarto mandato. A candidatura de Flávio Bolsonaro tende a afundar depois da lambança que evidenciou a sua intimidade com o tóxico banqueiro Daniel Vorcaro, com a visita em prisão domiciliar e o pedido de dinheiro para financiar um filme que contaria a vida política do seu pai. Curioso que depois de toda incompetência de Jair Bolsonaro e do seu desastroso governo, o que vai desmontar o projeto de poder da família de extrema-direita é um filme que conta a sua lamentável biografia. E que estava sendo produzido para constituir uma peça de propaganda eleitoral de Flávio.
Flávio deve resistir e, provavelmente, manterá a candidatura, numa expectativa infundada de que continuaria sendo o escoadouro natural da alta rejeição eleitoral de Lula. O bolsonarismo já deixou claro que não abre espaço para nenhum outro nome de extrema-direita, menos ainda, da direita ou centro-direita. Bolsonaro prefere perder as eleições a permitir o surgimento de uma candidatura alternativa de direita com mais chances, principalmente se o candidato tiver algum princípio democrático e demonstrar respeito aos valores civilizatórios.
Enquanto a candidatura de Flávio vai derretendo, o presidente Lula pegou a caneta e, sem qualquer inibição, está gastando toda a tinta disponível com uma farra de bondades que aumentará as suas chances eleitorais. O custo econômico e fiscal vem depois e pode caber a ele lidar com a “herança maldita” que está plantando no final do mandato. A rejeição a Lula ainda é muito grande – 52% desaprovam o seu governo – mas o medo a Flávio Bolsonaro já é maior, segundo a última pesquisa da Atlas/Intel. O festival de generosos agrados da caneta de Lula pode apenas moderar a rejeição, mas não eliminar o desgaste da sua imagem pública e do seu terceiro governo.
De qualquer forma, sobram muitas dúvidas e incertezas sobre o resultado das eleições de outubro. Três grandes interrogações: 1. Para onde (ou quem) deve migrar o anti-lulismo persistente se o candidato de Bolsonaro afunda e não oferece condições reais de derrotar o presidente? 2. Até que ponto a fragilidade eleitoral do clã de extrema-direita levaria a um declínio da polarização Lula-Bolsonaro? 3. Um eventual declínio da polarização estimularia o lançamento de outros candidatos de centro e mesmo esquerda? As possíveis respostas não chegam, contudo, a ameaçar a reeleição do presidente Lula. Mas, podem ser fundamentais para a definição do futuro político do Brasil.
Como sempre, os editoriais da Será? tocam nos pontos cruciais de nossa conjuntura. Creio, contudo, que há aqui um otimismo arriscado. É muito cedo para pregar a quarta vitoria de Lula. Muita agua deve correr pela ponte até outubro. São mais que três meses. – 134 dias. É quase o segundo tempo de uma partida de futebol.
A despeito da caneta e do filme, ainda aposto que o antilulopetismo derrotará o incumbente Luiz Inácio.
Os comentários acima curiosamente funcionam como indício de que não dá para ter certeza do resultado em outubro.
Não haverá fim na polarização por negaćão aos polos, só quando houver um outro polo que atraia. Mas não parece haver uma base eleitoral com vontade por um polo alternativo de propósitos.. Os eleitores orbitam em torno aos própositos sócio econômicos de um ou outro dos dois extremos, e os outros, nem conseguem sair desses modelos, da caixinha única de ambos, ou não conseguem convencer aos eleitores, ou caem em um dos extremos, sucubem à lógica maior dos popósitos deles dois. Por falta de imaginação ou de vontade fora da caixinha rejeitam mais um dos polos, em vez de criarem um polo altetnativo. No mâximo propoem uma terceira via eleitoral com os mesmos propósitos da Eta da Abundância, em vez de proporem um mundo novo para a Era da Escassez, cujo conceito rejeitam, sucubindo ao mesmo mundo passado dos dois polos: querem equilibrio ecologico aumentando consumo, universidade para todos sem erradicar analfabetismo e promover alfabetizaćão de todos para a contemporaneidade,
Em certos aspectos lembra muito a época de ARENA X MDB, ANTAGOINISMOS DE FAIXADA PARA A MANUTENÇÃO DE UMA FARSA PO´LITICA, ONDE PRIMEIRO VEM OS INTERESSES DAS MINORIAS PRIVILEGIADAS (POLÍTCO/EMPRESARIAL ETC) E DEPOIS VEM OS INTERESSES DO PAIS E DO POVO, CANSADO DE OUVIR TANTA BABOSEIRA.
Minhas respostas às perguntas:
1) O anti-lulismo não migrará para lugar nenhum. Ele se nutre de uma profunda prevenção, talvez inconsciente, da classe média não intelectualizada e das elites contra um operário de aparência tosca, por mais brilhante que seja o seu desempenho como governante e a sua imagem no Exterior.
2) A polarização é fato político consumado, não declinará.
3) Os candidatos alternativos não prosperarão
Sendo assim, parece-me que os que prezam as conquistas democráticas devem assegurar a vitória de Lula logo no primeiro turno, ante uma alternativa que reputo catastrófica.