Superamos a ditadura, implantada há 50 anos, mas a democracia está enferma. Embora tenhamos instituições democráticas sólidas, a política vem sendo um grande negócio no qual se vendem e compram votos do eleitor e votos de parlamentares, se negociam cargos e liberação de recursos públicos e comissões de todo tipo. Por conta disto, as eleições são um mercado de votos com retorno econômico e parte do negócio se manifesta nas doações, principalmente doações de empresas que esperam retorno futuro. De acordo com a Transparência Brasil, citada pelo Estado de São Paulo, as eleições de 2012 custaram quase dois bilhões de reais, sendo 34,9% financiados legalmente por empresas privadas. A maioria do STF-Supremo Tribunal Federal aprovou esta semana a proibição total de doações de empresas para financiamento de campanha eleitoral, embora ainda seja incerto se aplicada às próximas eleições. Embora correta, a decisão não resolve o problema e provavelmente aumentará a parcela das doações “não contabilizadas”, para usar de um eufemismo para designar doações ilegais. Esta forma de doação não legal reforça o compromisso dos candidatos com os doadores, numa cumplicidade promíscua e pouco republicana. A questão de fundo é outra e muito mais profunda: a utilização de poderosas máquinas publicitárias que manipulam a opinião pública e despolitizam o debate político, transformado o processo eleitoral num espetáculo midiático de imagem, som e animação. Por isso a busca desesperada de tempo de televisão (alguns minutos mais podem sempre ser comprados no mercado político com a moeda de cargos e favores), e dinheiro, muito dinheiro para montagem do espetáculo de marketing que vende candidatos como quem seduz o consumidor para uma marca de pasta de dente.
Postagens recentes
-
O tarifaço e as eleições presidenciais – Editorialjul 17, 2026 -
Notas Sobre “Uma Infância Nazista”jul 17, 2026 -
As chuteiras de Donald.jul 17, 2026 -
Tecnologia: Não confunda a minha cabeçajul 17, 2026 -
Irã, a ingenuidade de Tom Altman no Opera Mundijul 17, 2026 -
-
Davi E Goliasjul 17, 2026 -
Última Páginajul 17, 2026 -
O jogo agora é outro – Editorialjul 10, 2026
Assinar Newsletter
Assine nossa Newsletter e receba nossos artigos em seu e-mail.
comentários recentes
- Glaucio pessoa de vasconcelos julho 20, 2026
- elimar nascimento julho 20, 2026
- Jardean julho 20, 2026
- helga hoffmann julho 19, 2026
- SÉRGIO ALVES julho 18, 2026
A Opinião da Semana Brasil Clemente Rosas crônica cultura David Hulak democracia Direitos Humanos Donald Trump Editorial Eleições 2026 Elimar Pinheiro do Nascimento Eli S. Martins Estados Unidos Fernando da Mota Lima Fernando Dourado Fluxo da Historia FluxoDaHistoria Frederico Toscano freud Geopolítica Helga Hoffmann História do Brasil instituições Ivanildo Sampaio José Paulo Cavalcanti Filho João Humberto Martorelli João Rego Literatura Luciano Oliveira Luiz Otavio Cavalcanti memória Paulo Gustavo Penso Logo Duvido PensoLogoDuvido Política política brasileira Política Internacional Relações Internacionais RevistaSerá Revista Será? STF Sérgio C. Buarque Teresa Sales Trump
Na mosca! É uma engrenagem infernal. Aí está a origem da corrupção generalizada: as campanhas políticas caríssimas. Ou se quebra a espinha dorsal desse esquema ou qualquer partido que realmente dispute as eleições terá de se submeter ao jogo.
Concordo totalmente com Homero Fonseca: é necessário uma ruptura com o esquema vigente, imoral e um verdadeiro balcão de “negócios”…
Concordo com Camilo, com Homero. Acho que a ruptura com o esquema passa pela politização dos eleitores.Acho que em todas as propostas de mudnaças, passam pelas 3 fases: educação, fiscalização, punição. Na prática atual, como isto é feito? Nuna nova proposta, como isto poderá ser feito/realizado.