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Penso, logo duvido.

Do Axé ao Amém – Fortunato Russo Neto

*Fortunato Russo Neto

Metrô em Salvador.

Axé! A última vez que havia estado em Salvador já fazia 05 anos. Apesar da eterna rivalidade com os baianos, vinda desde os tempos coloniais, quando Salvador era a capital política e o Recife sua capital econômica, tal rivalidade não é tema deste artigo. Com ela vêm bairrismo, ciúmes, invejas, raivas, não condizentes com trabalho, inovação e competência. Qualidades intrínsecas e conquistadas com o passar do tempo a custo de muito investimento. Em Salvador ou no Recife.

Depois de tanto tempo sem ir a Salvador, fiquei impressionado com a mudança na vida da cidade. Surpresa essa logo na chegada, com os diversos empreendimentos lançados na Avenida Paralela. Loteamentos de excelente nível, um desenvolvimento imobiliário comercial pujante, e finalmente o tão esperado metrô, este aéreo. Modal que sai do aeroporto e passa pelos principais bairros da cidade, conectando e complementando, não concorrendo, as linhas de ônibus da região.

Chamou-me a atenção a implantação de ciclovias na cidade, mas não retirando faixas de veículos, mas reduzindo canteiros centrais mais largos para sua implantação. Não prejudicando o já caótico trânsito da cidade, que, aliás, está muito melhor do que há cinco anos. Não posso deixar de falar na construção de excelentes praças para as comunidades mais pobres. E muito utilizadas.

Como bom visitante da cidade, não pude deixar de ir a alguns de seus pontos turísticos. Do Pelourinho, passando pelo Elevador Lacerda, Mercado Municipal até a Matriz de Nosso Senhor do Bonfim. Impressionou-me a limpeza em todos eles, e o orgulho dos soteropolitanos ao “vender” sua cidade, apesar dos “conselhos” de alguns que tivéssemos cuidados com nossas mochilas e nossos celulares. Afinal, “estamos no Brasil”!

Apesar da melhora “a olhos vistos” da cidade, Salvador padece do mesmo problema que atinge qualquer cidade em crescimento do mundo: o abandono das áreas centrais e a migração dos investimentos para bairros mais novos, apresentando um sem-número de imóveis desocupados e ao mesmo tempo a oportunidade de aproveitar tais imóveis para realizar parcerias com os proprietários a fim de implantar habitações populares e outros usos de comércio e serviços. A exemplo de nosso Recife Antigo que conseguiu se reerguer com o advento do Porto Digital e hoje clama pelo próximo passo, a atração de outros comércios e residências.

Encontrei uma cidade alegre, orgulhosa, confiante, e apesar dos problemas que enfrenta, com esperança. Amém!

*Fortunato Russo Neto é engenheiro civil e mestre em economia e finanças.

6 Comments

  1. Bela análise urbanística, Fortunato. O que funcionou no porto Digital do Recife? Quais seriam os próximos passos lá e como vê a implementação de espaços semelhantes em outras cidades?

    • Milhares de metros quadrados retrofitados. Milhares de empregos e centenas de empresas de tecnologia instaladas. Agora a luta é por atração de residenciais e hospitality no local. E incentivar mais o comércio.

  2. Esse artigo de Fortunato Russo Neto é daqueles que a gente sente gosto em ler, tantas ideias no lugar. A gente sabe que é humana a rivalidade entre cidades: desfazendo o vizinho, temos o sentimento de nos valorizar. Um querido amigo, recifense que, como eu, voltou à terra depois de longo “exílio” em São Paulo, chegou ao extremo de afirmar um dia que o Vatapá foi invenção nossa, e não dos baianos. Ora, ora, se até Gilberto Freyre, um homem além de seu tempo, tanto ontem como hoje, dizia que o bom era almoçar na Bahia e depois vir comer a sobremesa no Recife? Uma boa crítica de livro, de filme, é aquela que nos leva a querer ler e ver. Preciso urgente voltar a visitar Salvador, para além de sentir o cheiro de acarajé em Amaralina.

    • Teresa, obrigado pelo elogio. Realmente foi uma experiência excelente. Fiquei muito surpreendido pela mudança da cidade. Ainda, como o resto do país, muito sofrida com a crise. Espero que saiamos dela muito melhores. Todos.

  3. Fiquei com vontade de voltar a Salvador.

  4. Sou apaixonado por Salvador desde a primeira vez que a visitei, há bem mais de meio século. Lá tenho voltado muitas vezes, e nunca dispensei o prato quase exclusivo de sua culinária: a moqueca de siri mole!

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