Trump

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Nos Estados Unidos e no Brasil, forças políticas ligadas por uma ideologia de extrema direita formam uma aliança nefasta, na agressão e no desrespeito às instituições democráticas brasileiras e na afronta direta à soberania nacional. Do Norte, vem Donald Trump ameaçando o Brasil e expondo seu desprezo pela democracia. Em Brasília, a bancada bolsonarista no Congresso esperneia e ocupa, de forma abusiva e autoritária, a mesa das duas casas do Congresso para impor as suas pautas. Lá e cá, a intolerância, o atraso e o espírito ditatorial convergem para desmontar o regime democrático nas duas grandes nações.

No seu furor despótico, Trump vem, sistematicamente, atropelando e passando por cima dos fundamentos da democracia e do sistema federativo dos Estados Unidos, como se o país não contasse com meios para deter a escalada ditatorial trumpista. Na política externa, ele está resgatando o velho imperialismo americano do “big stick” (o grande porrete), despertando a fera que parecia adormecida. A diplomacia chantagista de Trump aborda o Brasil com o porrete na mão para impor seus descabidos propósitos, sem qualquer respeito pela soberania nacional. Para ele, o Brasil é apenas o quintal dos Estados Unidos que ousa construir outras alianças na geopolítica global. Não bastasse a punitiva tarifa alfandegária de 50% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil, o governo Trump aprovou sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF-Supremo Tribunal Federal, que estaria prejudicando seus aliados internos. Em nota recente divulgada pela Embaixada do Estados Unidos, o Departamento de Estado distribuiu advertências graves a outros ministros e políticos que viessem a ajudar Moraes, numa interferência indevida nos assuntos internos do Brasil. A nota conclui que todos “estão avisados para não apoiar nem facilitar” a conduta do magistrado sob sanção, e que Washington “monitora a situação de perto”.

Esta intolerável molecagem diplomática é uma afronta a uma nação independente. Mas o deputado Eduardo Bolsonaro, que vive conspirando em Washington, comemorou e apoiou a ameaça. Os EUA, segundo declarou, “deram um recado claro” e “estão dispostos a ir às últimas consequências para destruir todos os obstáculos ao resgate dessa harmonia entre os poderes”. O que significa para os bolsonaristas estas “últimas consequências” anunciadas pelo deputado? Parece que estão, mesmo, contando com um empurrão de Trump, até as últimas consequências, para tomar o poder e implantar uma ditadura comandada pelo inefável Jair Bolsonaro? Por isto, em sintonia com as ameaças de Trump e sua molecagem diplomática, na semana passada, a base bolsonarista ocupou a Mesa Diretora da Câmara de Deputados e do Senado, usurpando a autoridade dos seus presidentes e impedindo o livre funcionamento do Congresso Nacional, desrespeitando as instituições democráticas para forçar uma anistia aos acusados de golpe de Estado liderado por Jair Bolsonaro. Trump e Bolsonaro atacando a democracia brasileira e a soberania nacional.