As diferentes formas de democracia direta não substituem os sistemas representativos de decisão, principalmente em sociedades complexas e de grande escala. Reforçada pelas novas e revolucionárias tecnologias de comunicação, a democracia direta complementa o sistema representativo das democracias contemporâneas, servem como corretivo das falhas das representações. Independente de canais e regras formais, as redes sociais constituem já uma forma espontânea e não programada de democracia direta como um poderoso instrumento de influência sobre a visão e as decisões dos representantes. Mas a democracia direta tem limites e falhas e deve ser concebida e utilizada com parcimônia e de acordo com a relevância e a complexidade dos temas em discussão. Este é o principal aprendizado do plebiscito do Reino Unido que decidiu pela saída da União Europeia (por uma margem de menos de 2% dos votos). Decisão sobre os fundamentos da nação e de grandes implicações sobre o seu futuro não deveria ser aprovada por uma margem tão restrita de votos. Principalmente quando o debate tende a ser contaminado por fatores conjunturais e emocionais – medo, ressentimento, arrogância e ódio – que abafa e esconde informações, argumentos e análise das consequências. A sabedoria da Constituição brasileira, neste aspecto, exige a aprovação de 3/5 dos parlamentares para realizar mudanças estruturais de ordem constitucional ou mesmo para o impeachment de um presidente da República. Margens semelhantes de maioria devem ser consideradas em consultas populares de tamanha densidade e relevância como a decisão de rompimento de uma integração econômica histórica e consagrada como a União Europeia.
Sobre o autor
Postagens Relacionadas
Postagens recentes
-
-
O Brasil Pós-Lula. Quando?abr 23, 2026 -
O Resto É Loucura!abr 23, 2026 -
-
-
Conversas de ½ Minuto (51) – Religiososabr 23, 2026 -
Última Páginaabr 23, 2026 -
Os intocáveis – Editorialabr 17, 2026 -
A derrota de Orban e consequênciasabr 17, 2026
Assinar Newsletter
Assine nossa Newsletter e receba nossos artigos em seu e-mail.
A Opinião da Semana bolsonarismo Brasil Clemente Rosas crônica cultura David Hulak democracia Direitos Humanos Editorial Elimar Pinheiro do Nascimento Eli S. Martins Fernando da Mota Lima Fernando Dourado Fluxo da Historia FluxoDaHistoria Frederico Toscano freud Geopolítica Helga Hoffmann Ivanildo Sampaio Jose Paulo Cavalcanti José Paulo Cavalcanti Filho João Humberto Martorelli João Rego Literatura Literatura Brasileira Luciano Oliveira Luiz Otavio Cavalcanti Marco Aurélio Nogueira memória Paulo Gustavo Penso Logo Duvido PensoLogoDuvido Política política brasileira Política Externa psicanálise Relações Internacionais RevistaSerá Revista Será? STF Sérgio C. Buarque Teresa Sales Trump
comentários recentes