Foto dos Presos políticos, durante a Ditadura Militar, libertados em troca do Embaixador Americano.

Foto dos Presos políticos, durante a Ditadura Militar, libertados em troca do Embaixador Americano.

Dois importantes dirigentes do PT-Partido dos Trabalhadores – José Dirceu e José Genoíno – foram presos no dia 14 de novembro, depois de um demorado julgamento em que foram condenados pela mais alta corte de justiça do Brasil. Os dois políticos refutam a acusação e se declaram presos políticos, tentando aparecer como vítimas e heróis. Por que preso político? O que diferencia um preso comum do preso político é a natureza do crime e as circunstâncias sócio-políticas e institucionais em que são julgados e condenados. Quando foram presos nos anos 60 e 70, Dirceu e Genoíno foram perseguidos e aprisionados por um “crime” definido pela Lei de Segurança Nacional que criava regras de exceção para os que se opusessem, por ideias ou por gestos, à ditadura. E, se foram julgados na época foi pelo Superior Tribunal Militar. Com todo o grupo do chamado Mensalão, os dois políticos foram agora condenados pelo Código Penal e por crime de corrupção ativa, esperando ainda o julgamento dos embargos infringentes pelo crime de formação de quadrilha. Foram julgados em processo aberto, com amplo direito de defesa, representados por vários e brilhantes advogados, e contando com apoio do partido político no poder. Todos foram condenados pelo STF-Supremo Tribunal Federal, formado por magistrados reconhecidos e respeitáveis, a maioria deles nomeado pelos presidentes dos governos petistas. Genoíno é um homem de bem e foi um grande parlamentar. Mas, como presidente do PT durante a operação de corrupção do Tesoureiro do partido e compra de votos de deputados pela Casa Civil da Presidência da República é corresponsável pelos crimes comuns, não políticos. A história vai reconhecer os méritos de José Genoíno, apesar da prisão. Mas é lamentável que manche a sua imagem agora com esta tentativa burlesca de se mostrar à opinião pública como uma vítima e um prisioneiro político como se ainda vivêssemos na ditadura contra a qual lutou.

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