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Mais imposto, Presidente? – Editorial

Editorial

Applicants for Admission to a Casual Ward, by Luke Fildes 1874.

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A presidente Dilma Rousseff foi ao Congresso Nacional esta semana para pedir a criação de um novo imposto, a CPMF. O Estado se apropriaria de mais recursos dos cidadãos sem nenhum retorno para o desenvolvimento e para a qualidade dos serviços públicos. Vivemos, no Brasil um total descolamento da relação imposto-desenvolvimento (o que sai do bolso do brasileiro e o que volta – ou não volta – em benefício do país). A carga tributária é extremamente alta: em torno de 35% do PIB-Produto Interno Bruto. Contudo, o governo não oferece quase nada que compense este esforço, pois a economia do país está travada, a pobreza e a desigualdade social persistem, a violência é intolerável e os serviços públicos estão muito precários. Para não falar dos bilhões que são desviados pela crescente rede de corrupção implantada no Brasil. Por outro lado, a Presidente Dilma Rousseff, a quem cabe administrar os recursos públicos, perdeu completamente a confiança da esmagadora maioria da população brasileira, precisamente porque o seu governo desmontou as finanças públicas com políticas irresponsáveis e equivocadas. Esta presidente, que não sabe gerir as finanças do país, com suas desastrosas políticas e investimentos públicos, pede agora mais sacrifício da população, com aumento de impostos. Diante desses dois fatos graves – elevada carga tributária e incapacidade (para dizer o menos) da Presidente – é inaceitável a criação de um novo imposto como a CPMF. E, no entanto, o governo Dilma, com incompetência e voluntarismo, deu um nó derradeiro na armadilha fiscal que talvez não seja possível desatar sem algum aumento de receita no curto prazo. O orçamento é extremamente rígido e inflexível, restringindo a mobilidade nos gastos, a começar pela Previdência Social, que compromete 26,3% de todo o orçamento, assim como as várias cotas e percentuais legais para diferentes usos obrigatórios, nem sempre tão necessários e adequados. A folga é pequena e o governo Dilma não tem utilizado os poucos meios disponíveis para a redução dos gastos correntes que só fazem aumentar. A reforma ministerial prometida, por exemplo, foi ridicula e não avançou na prometida eliminação de cargos comissionados. É esse o dilema que vive o Brasil neste momento delicado da sua história: necessidade de sacrifício para pagar pelos erros e desvios do passado (para não falar nas mentiras e no roubo), sem que se possa confiar em um governo que levou o país a esta armadilha. A CPMF só seria tolerável se a presidente convocasse um Conselho de Crise apartidário e com técnicos de reconhecida competência e respeitabilidade para acompanhar a gestão financeira e orientar a recuperação das finanças públicas do Brasil. Do contrário, pode ser um cheque em branco para a Presidente e o PT-Partido dos Trabalhadores.

5 Comments

  1. João, acho que a presidente não estudou a curva de Lafer na pós dela. E parabéns pela bela ilustração.

  2. “É esse o dilema que vive o Brasil neste momento delicado da sua história: necessidade de sacrifício para pagar pelos erros e desvios do passado (para não falar nas mentiras e no roubo), sem que se possa confiar em um governo que levou o país a esta armadilha.” – Que vive e sempre viveu. E não só o povo brasileiro mas a maioria das nações.

  3. Isso é um descalabro,não há outra palavra. Dia desses eu fazia uma palestra numa renomada faculdade de São Paulo e o diretor me pediu que desse uma injeção de ânimo nos alunos. Segundo ele, a imensa maioria vinha pensando em deixar o Brasil. Fosse para estudar, trabalhar ou mesmo viver. Fui sincero. Disse que estava ali para falar do mundo como palco de oportunidade. E não para fazer uma palestra motivacional com vícios de origem. A essência de minha mensagem é que eles se abrissem para o mundo e fizessem as malas. Interesses nacionais à parte, nenhum jovem merece sacrificar uma fase de ouro da vida para,além de tudo, coonestar absurdos como o aludido pelo editorial. Em suma, estamos emparedados entre a desesperança e o cinismo. Imposto uma ova, Dona Rousseff. Foi por pensar assim – recorrer ao cheque especial – que sequer a loja de artigos a R$1,99 que ela teve foi para frente. Estamos sob conjunção astral diabólica, não há outra palavra.

    FD

  4. Não sou economista. Mas, penso que o problema maior não seja à criação ou aumento de impostos já existentes. Um planejamento nos gastos, ou melhor, uma reforma orçamentária que comprometesse municípios, estados, autarquias e união, que, administrassem os recursos de forma correta funcionaria melhor. Bem melhor do que sempre colocar a conta dos erros contábeis e administrativos (sem falar nos desvios $$$) nas costas de milhões de cidadãos brasileiros.

  5. A palavra estadista perdeu perdeu sentido entre nós. Não se tem mais governo,tem-se administradores do caus generalizado. Estadista administra as políticas de governo objetivando atingir o marco determinado, o ponto onde deve chegar o Estado. O Brasil, depois de Getúlio, tornou-se uma nau sem rumo, barco a deriva. JK, ao meu ver , foi o maior desastre para o país.Sem, rumo, sem filosofia,Brasília, foi tudo o que fez , sem representar nada em infra-estrutura,país endividado, ficou no limbo de toda ordem . Nem industrial, nem agrícola, muito menos tecnológico . congresso, como sempre, inoperante corporativista,puramente político, de resultado eleitoreiro e vetor de crise. O congresso tem que fazer uma alto critica e mostrar ao povo brasileiro que não tem poder executivo que funcione com esse congresso composto, em sua maioria, por pessoas incompetentes, inescrupulosas e impostoras, ate bandido se elegem no Brasil. Não é Dilma Rousseff que é a vilã do desmando nacional,muitos tem culpa,mas o congresso nacional entrava qualquer iniciativa que faça ser esse país independente. Os interesses escusos que motivam a maioria dos parlamentarem agirem assim nem Deus sabe.

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