O Brasil está em guerra. Em 2015, foram assassinados no Brasil 58.467 pessoas. Não uma guerra declarada entre inimigos formais, nem sequer uma guerra civil com disputa de interesses e projetos coletivos, mas uma guerra surda e dispersa na qual os brasileiros estão se matando. Em cinco anos (2011 a 2015), foram assassinadas no Brasil 279.567 pessoas, pouco mais do total de vítimas fatais na guerra civil da Síria, bem menor que o Brasil, é verdade, mas na qual são utilizados poderosos e letais artefatos militares. Antes fosse uma guerra civil que permitiria negociação e acordos entre partes em litígio. Esta nossa violenta guerra interna tem múltiplas causas e exige respostas e medidas complexas e diferenciadas, políticas públicas mas também atitudes da sociedade para enfrentar as suas causas estruturais, que vão muito além da atual crise do sistema prisional: dramática desigualdade social, marginalidade de jovens fora da escola e sem oportunidades de emprego (22,5% dos jovens brasileiros), degradantes condições de vida da população nos grandes aglomerados populacionais. Configuração perfeita para a ampliação, o fortalecimento e a irradiação do crime organizado na sociedade brasileira, dominando territórios com a capacidade financeira do comércio de drogas e o seu surpreendente poder militar. Na frente de combate desta guerra, vítimas e algozes, estão policiais e supostos e efetivos criminosos que, como lembra Elisandro Lotin, têm quase a mesma origem: os “sem camisa” – praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes) – e os “descamisados” – brasileiros das periferias das cidades. A guerra se amplia na medida em que os brasileiros se armam. Armas de fogo continuam circulando nos bairros, facções criminosas reforçam seus arsenais, e as empresas privadas de vigilância aumentam seu contingente (em 2015, empregavam 519 mil vigiantes, quase o mesmo o contingente das polícias civis e militares do Brasil estimado em 552 mil). Que fazer? De imediato, enquanto mudanças estruturais não mostram resultado, desarmar a população e destruir o arsenal do crime organizado.
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Custo a acreditar que os editores da “Será?” tenham escrito uma frase como (sic)”Antes fosse um guerra civil que permitiria negociação e acordos entre partes em litígio.” Uma frase dessas depois do que estamos vendo na Siria, por exemplo? Ou que quase aconteceu na Turquia? Ora essa, a guerra civil começa exatamente quando as partes se mostram incapazes de negociar. Acho uma frase muito infeliz, deve ter escapado sem vocês pensarem até o fim o seu significado. Quanto à rebelião dos encarcerados, antes de desarmar a população toda, o que demoraria, como é que não conseguem impedir que armas e telefones entrem nas prisões? E nem estou falando em acabar com “visitas íntimas”; estou pensando que os funcionários e empregados das prisões em que foram encontradas armas e telefones deveriam ser suspensos e investigados. Ali deve ter corrido propina.
Cara Helga:
Acho que você tem razão. A formulação – “antes fosse uma guerra civil”- foi infeliz e não expressa o que a Revista gostaria de ter dito. O que pensamos é que este conflito do Brasil, impreciso e disperso e que se irradia na sociedade, é muito mais complexo e difícil de resolver devido à inexistência mesmo de interlocutores (contendores em enfrentamento) claros para uma negociação. Pedimos desculpas a você e aos leitores pela imprecisão da frase que pode ter levado à interpretação de que a revista seria favorável a uma guerra civil, embora seja evidente pela linha editorial geral e mesmo pelo restante do texto que jamais teríamos esta intenção. Grato pelo seu comentário que nos permite explicitar melhor a nossa ideia.
Saudações,
Conselho Editorial
Isso sem contar um número aproximado de pessoas que morrem em acidentes de trânsito. Uma mortandade absurda.
Você tem toda a razão, Helga. “Passamos batidos” nesses dois aspectos. Faço aqui o meu “mea culpa” individual, e convido meus colegas do Conselho Editorial a se manifestarem também.