No seu discurso de posse como novo presidente da Argentina, Alberto Fernandez abriu o caminho para uma reconciliação com o governo brasileiro, depois de uma intensa guerra de palavras e gestos com o presidente Jair Bolsonaro. “Com a República Federativa do Brasil, particularmente, temos que construir uma agenda ambiciosa, inovadora e criativa em temas de tecnologia, produção e estratégia, que esteja respaldada pela irmandade histórica de nossos povos, que é mais importante que qualquer diferença pessoal de quem governa a conjuntura”. Fernandez defendeu uma agenda bilateral ambiciosa com o Brasil que “vá além das pessoas que governam esta conjuntura”. Estas foram as palavras do presidente que, há poucos meses, como candidato, visitou o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva na prisão em Curitiba, e comemorou sua vitória pedindo a liberdade do ilustre prisioneiro, e fazendo o L do “Lula livre”. Do lado brasileiro, não faltaram agressões ao candidato Fernandez que, segundo Bolsonaro, iria trazer de volta ao poder os “bandidos” kirschneristas. O presidente brasileiro fez campanha aberta para Maurício Macri e ainda ameaçou expulsar a Argentina ou retirar o Brasil do MERCOSUL. Alberto Fernandez não é um peronista histórico e estava rompido com Cristina Kirschner há alguns anos, por divergências políticas, mas também por conta das denúncias de corrupção da ex-presidente que agora é sua vice. Evidentemente que ele não teria a menor chance eleitoral se não fosse o apoio de Cristina, que o convidou para encabeçar a chapa numa jogada política ousada, na medida em que corre risco de ser condenada à prisão. O discurso de posse de Fernandez parece antecipar sua independência política da ex-presidente, e uma postura pragmática nas relações internacionais, o que alimenta a esperança de recuperação e fortalecimento do MERCOSUL. Depois de anunciar que não iria à posse do presidente da Argentina, numa atitude pouco republicana, Bolsonaro cedeu a pressões e enviou o vice-presidente Hamilton Mourão, que respondeu positivamente ao gesto de Fernandez, deixando aberta a porta para negociações entre os dois países. A Argentina é o terceiro parceiro comercial do Brasil e membro importante do MERCOSUL, plataforma para acordos comerciais com o resto do mundo e, de imediato, para viabilização do tratado assinado com a União Européia. A economia argentina, por outro lado, está fortemente integrada à brasileira, que influencia de forma decisiva no desempenho econômico. Os dois países só têm a ganhar com o entendimento e a cooperação econômica e comercial.
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Ainda bem que a retórica de “cowboy” grosseiro do nosso Presidente é pior, no fim das contas, do que os atos políticos concretos. Não há outro caminho possível se não esforçamo-nos por cooperação com os argentinos. E é o melhor para ambos os países.