Bolsonaro em crise.

 

“O Brasil está quebrado e eu não consigo fazer nada”. Esta foi uma das recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, expressando a sua incapacidade para governar um país com a complexidade e os problemas do Brasil.

Talvez uma das poucas afirmações acertadas de Bolsonaro ao longo da sua história política e do seu desastroso governo. Ele acerta quando diz que o Brasil está quebrado, mas esquece que ele tem uma cota de responsabilidade nesta quebradeira, pelo seu completo desinteresse pelos reais e relevantes problemas do país, pela insegurança institucional que desperta com suas posições levianas e autoritárias, pelas dificuldades que tem criado na negociação e aprovação das reformas estruturais do seu próprio governo.

Ele acerta mais ainda quando diz que não consegue fazer nada, na verdade não tem competência nem interesse para fazer nada de sério e construtivo, exceto provocar tensões na sociedade.

Diante desta evidência, senhor presidente, por que o senhor não renuncia ao mandato?

O senhor se livra do pesado encargo de governar um país quebrado e ingovernável e deixa de atrapalhar o futuro do Brasil. Deixe a presidência para alguém que sabe e pode governar, alguém que consiga fazer alguma coisa, como coordenar as medidas de proteção e defesa dos impactos da pandemia e o programa de vacinação em massa dos brasileiros. Alguém que acelere as reformas estruturais e, antes de tudo, alguém que tenha respeito pelos valores civilizatórios, pelas instituições democráticas e pela imprensa.

O Vice-Presidente da República, general Hamilton Mourão, foi eleito na sua chapa, e é um militar com um passado controverso.  Basta lembrar que, há poucos anos, fez uma homenagem ao torturador general Brilhante Ustra, ídolo de Jair Bolsonaro. Mas Mourão tem demonstrado bom-senso e racionalidade, confiança na ciência, capacidade política de negociação, e respeito pelas instituições e pela imprensa. O Brasil precisa urgentemente de bom-senso e serenidade na alta cúpula dirigente, para negociar e conciliar interesses, distender os conflitos sociais e as tensões institucionais, e conter radicalização política.

Deixe o Brasil em paz, presidente. Se o senhor é, realmente, um patriota, aceite sua incompetência e renuncie.