Luiz Felipe D´Ávila.

 

“A primeira condição é que meu nome una o Partido Novo. Que voltemos a ser um movimento, que se resgate o DNA. A minha cota de partido desunido eu já tive no PSDB e não preciso ter outra. A segunda é que, antes de tudo, nós devemos agir para a construção de uma união do Centro.”

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“Gostava muito de ir à casa dos meus avós paternos, Gute e Andrea. Moravam num prédio defronte da praça Buenos Aires, em Higienópolis. Lembro-me do meu avô sempre perfumado, com um cigarro na boca, e fazendo brincadeiras com a gente. Ele me levava à Praça Buenos Aires para brincar com uma lancha de controle remoto no pequeno lago. Meu avô Gute é responsável por eu ter decidido torcer para o Santos Futebol Clube. Me levou para assistir o Pelé jogar no Pacaembú. Nunca mudei de time!”

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“Minha viagem favorita era para a fazenda dos meus avós maternos, João e Ruth Pacheco Chaves, em Piracicaba. Eu era apaixonado pela fazenda. Adorava a casa, a comida maravilhosa, as aulas de billiards com meu avô, os banhos de piscina após longos passeios a cavalo. Descobri lá o prazer de cavalgar. Nada me dava tanto prazer como galopar pelos pastos da fazenda. Nasceu a paixão pelos cavalos. Adorava também dormir escutando os latidos dos cães-fila. Me davam segurança, mas eu os temia. Férias de verão era sempre no Guarujá. Alugávamos um apartamento no canto da praia de Pitangueiras, no edifício Sobre as Ondas. Era um prédio de gente conhecida, onde chamávamos todos de tio e tia. Andar pela praia de Pitangueiras era divertido. Parávamos nas barracas de amigos para brincar, conversar, tomar limonada gelada. Adorava ver os surfistas deslizando pelas ondas. Além da praia, ia ao Clube Samambaia pular no trampolim da piscina e nadar até o pontão no mar. Não me esqueço do meu pai de smoking e da minha mãe de vestido de gala para celebrar o réveillon. Adorava também o Carnaval no Clube da Orla, tomar sorvete na Caramba e assistir a filmes no Cinema Central que estava sempre gelado por causa do ar-condicionado – uma raridade naquele tempo”.

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“Lembro-me bem de Petrolina. Da tia Zefinha na cabeceira da mesa, sempre muito atenciosa. Enxergava perfeitamente. Me impressionou uma preta batendo pilão num cômodo da casa e aquela mesa farta que parecia um buffet de restaurante todas as horas do dia. Os adultos me impressionaram e me deram um pouco de medo. Todos grandes, gordos, comiam muito e falavam alto para o meu temperamento paulista. Me impressionava também a quantidade de doces (deliciosos, mas demasiado açucarados para o meu paladar). Com os meus primos, era só diversão. Passeio de burro, nadar no rio, jogar carta. O único programa que só os mais velhos faziam à noite era ir para a Zona de Petrolina. Outra coisa que me lembro era do calor alucinante, mesmo em julho!” 

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“Descobri em Lake Forest que adorava ser minoria. Ninguém presta atenção à maioria. É quando você faz o contraponto que fomenta uma polêmica. É quando entra no debate do lado da minoria que você cresce, que começa a polir os argumentos e precisa saber muito mais do que os outros para triunfar na sala de aula, no palco da vida. Havia a súmula dos cursos com as leituras obrigatórias e as recomendadas. Eu lia tudo por gostar e para estar preparado para o embate. Em Lake Forest, a maioria defendia o Carter e eu adorava o Reagan. Gostava do seu jeito sereno e direto; da sua visão preto e branco no mundo da Guerra Fria; da maneira simples e clara de dizer as coisas mais sensatas de um jeito que qualquer um podia entender perfeitamente. Sentia que o Presidente caubói acabaria com a inflação de 10% ao ano, vingaria a vergonha de ter deixado os iranianos transformar as pessoas da embaixada em vítimas de terroristas. Reagan enfrentaria o obscurantismo e não deixaria os Estados Unidos ser tratados como um João Grandão que apanha de baixinhos. Nessa época, eu cultivava uma profunda admiração por Reagan e Thatcher. Me parecia uma dupla perfeita para acabar com corporativistas que mamavam nas tetas do Estado e impediam o empreendedorismo, a liberdade e o florescer do capitalismo”.

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“Tive grandes professores que estimularam a minha verve intelectual muito além do mundo acadêmico. Carla Sullwold era professora de História da Arte e Literatura, mas também me estimulou a fazer peças de teatro e a organizar uma Mozart Week na escola. Professor Allen era um extraordinário acadêmico que ensinava História dos Estados Unidos e gostava de tocar órgão. Havia também Ernie Barrie, professor de espanhol e técnico de atletismo, esporte em que eu competia pela escola em arremesso de disco e de peso, e nas provas de revezamento de 100 e 200 metros rasos. Competia também nos times de futebol e natação da escola. Foi um período muito marcante e feliz. Me tornei um dos alunos de maior destaque tanto na parte acadêmica, como nos esportes, nas artes e também na vida social. Recebi o Primorde Award, que era o Prêmio mais importante concedido ao aluno que se formava na escola.”

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“Meu pai insistia para que eu voltasse para não perder o elo com o Brasil e a família. Dizia que havia empresas grandes expandindo seus mercados internacionais e que a minha experiência poderia ser um grande diferencial. Eu não estava muito convencido da ideia. Mas o fator decisivo foi o réveillon de 1986-87. Naquele ano, fui passar em Porto Seguro com meu irmão, meus avós João e Ruth, e minha mãe. Estavam também hospedados na casa de Renato Archer, em Corumbau, Ulysses Guimarães. Estavam ali os três grandes amigos (vovô, Ulysses e Renato) tomando banho de mar, petiscando lula frita, cerveja, e cachaça nos botecos de Trancoso. Animado pelo papo de política, comecei a contar ao Renato a minha tese sobre o papel da diplomacia na reconstrução da Europa após as Guerras Napoleônicas e minha admiração por Metternich e Bismarck. Na nossa despedida, ele me disse: você tem de ingressar na diplomacia e prestar exame para o Rio Branco! Convidou-me para trabalhar com ele no Ministério da Ciência e Tecnologia, enquanto me preparasse para o exame do Itamaraty. Não era conversa de botequim. Quando me formei 6 meses depois, recebi os votos de parabéns e um aviso que ele estava me esperando em Brasília. Foi a gota d ‘água para eu voltar para o Brasil”.

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“A política é uma atividade para os bravos e corajosos. Para quem é capaz de conviver com a volatilidade, com a traição, com a falta de palavra e com a mudança de lado por causa de cargo, poder ou interesse. Mas aqueles que são capazes de lidar com essa volatilidade, recebem como recompensa a primazia de transformar o País e de criar uma nação melhor para os nossos filhos e netos. Não deve haver na vida recompensa mais gratificante”.

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“Os últimos que li? Gostei muito do livro de Alexandre Duval-Stalla, André Malraux-Charles de Gaulle: une histoire, deux légendes. Dois grandes homens públicos – um de esquerda, outro de direita – mas unidos por uma grande amizade e pelo amor incondicional à França. Gostei da biografia de Leonardo da Vinci, de Walter Isaacson, que mostra um traço importante da genialidade de da Vinci: a curiosidade insaciável pelo mundo (ciência, arte, música, arquitetura, medicina), e sua capacidade de perceber como tudo no universo está conectado. É um elemento presente nele, em Aristóteles e Einstein. Dictator, de Robert Harris, retrata os últimos anos da vida de Cícero, escrito pelo seu fiel empregado e amigo, Tiro. Adorei Jorge Caldeira em História do Brasil com Empreendedores. É um livro fantástico que revela como o nosso espírito empreendedor sempre esteve presente na construção da civilização brasileira e mesmo antes da constituição do Estado brasileiro”.