Criança dos povos originários do Brasil.

 

Na sua sanha perversa de destruição da natureza e de invasão das terras indígenas, o presidente Jair Bolsonaro aproveita que as atenções da opinião pública e da imprensa estão totalmente voltadas para a guerra da Ucrânia para aprovar projeto de lei que autoriza a exploração mineral nas reservas indígenas. Mesmo antes da guerra, Bolsonaro já insistia na defesa de autorização da atividade garimpeira em terras indígenas, a mais devastadora forma de degradação ambiental, social e étnica. A guerra serve também para a manipulação, pelo presidente, de informações e dados, explorando a preocupação legítima dos brasileiros com o suprimento de fertilizantes para o agronegócio e a dependência de importação da Rússia. A guerra vai dificultar o suprimento de fertilizantes, mas o Brasil tem enormes reservas de potássio em vários Estados brasileiros, dois terços das quais estão situadas em Sergipe, São Paulo e Minas Gerais, suficientes para elevar a produção e atender à demanda nacional. E mesmo das reservas de potássio na Amazônia, apenas 11% estão em terras indígenas. Uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, citada pela CNN, mostra que o Brasil tem reservas que garantiriam o abastecimento de potássio até 2100, o que permite elevar a produção e reduzir a sua dependência externa sem entrar em território indígena. 

Mais uma vez o presidente mente e tenta enganar a sociedade brasileira, como se a sobrevivência da agricultura brasileira dependesse do potássio que está em áreas da população indígena, justificando os seus propósitos destrutivos. O aumento da produção nacional de potássio pode ser importante para a redução da dependência nacional de fertilizantes, mas, dificilmente, terá resultados de curto prazo para contornar a crise atual de suprimento de fertilizantes decorrente da guerra. A iniciativa de Bolsonaro não surpreende, porque todo mundo sabe do seu desprezo pelas nações indígenas. Mais preocupante é que o Congresso Nacional não se canse de mostrar sua subserviência às pretensões mais detestáveis do presidente da República. A Câmara de Deputados aprovou por larga margem a urgência para a votação do projeto de lei de exploração mineral nas terras indígenas. Lamentável!