
Fome em Gaza
Para eliminar o grupo terrorista Hamas, o governo de Israel está massacrando o povo palestino que vive na Faixa de Gaza, no maior dos crimes contra a humanidade deste século XXI. O genocídio de Darfur, no Sudão (2019 a 2023), foi decorrente de uma guerra civil com o massacre de três tribos no oeste do território, e a violência da Nigéria teve um conteúdo religioso com a perseguição de cristãos. A Faixa de Gaza é o gueto palestino, mais de dois milhões de habitantes confinados numa área de 365 quilômetros quadrados (densidade de 5.479 hab./km²), massacrados pela poderosa força militar israelense e submetidos à fome e carência de assistência médica. Os dados são assustadores: população submetida à fome e carência de medicamentos básicos, mais de 62 mil mortos (sendo um terço de crianças), mais de 54 mil imóveis totalmente destruídos, sendo 26 hospitais, 360 mil imóveis danificados, incluídos 392 centros educacionais. Nesta semana, em um único ataque, as forças israelenses assassinaram cinco jornalistas palestinos, elevando para cem o número de vítimas de repórteres que cobrem a insensata e cruel guerra.
À insensibilidade de Benjamin Netanyahu soma-se o apoio do presidente Donald Trump ao massacre e a omissão dos chefes de Estado e governos do mundo civilizado com a tragédia dos palestinos de Gaza. Diante das imagens de crianças palestinas, esqueléticas e desesperadas pela fome, difundidas pela imprensa mundial, é impossível evitar a comparação com as fotografias dos judeus nos campos de concentração nazista. O brutal terrorismo do Hamas, condenado com veemência pela opinião pública internacional, parecia briga de rua diante da escala e da gravidade da destruição do povo palestino pelo governo de Israel, desproporcional resposta à violência do grupo palestino.
Para destruir o Hamas, Israel parece disposto a eliminar o povo palestino da Faixa de Gaza e, em conluio com o mega empreendedor Donald Trump, ocupar o território para um grande empreendimento imobiliário e turístico. Expulsa a população palestina que sobreviver ao bombardeio, à invasão e à fome, destrói as cidades e assume o controle total de Gaza. Não importa a discussão semântica. Mesmo que não se possa classificar como genocídio, se trata do massacre do século. E Israel vai carregar esta mancha na sua história como, até hoje, a Alemanha é culpada pelo holocausto que matou seis milhões de judeus.
Excelente. Oportuno editorial. Massacre ou genocídio, tudo é inferno…
Editorial que expressa a nossa indignação, vergonha e impotência. História que jamais conseguirá ser apagada das nossas vidas.