COP30

COP30

A Cúpula de Chefes de Estado da COP 30 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas – ocorre num momento crucial da civilização, tendo que enfrentar um desafio decisivo para o futuro da humanidade: efetivar uma redução significativa da emissão de gases de efeito estufa capaz de impedir a elevação da temperatura mundial a mais de 1,5º acima da era pré-industrial. Esta é a segunda vez que o Brasil sedia a reunião de líderes mundiais para discussão do meio ambiente, a primeira conferência foi a Rio 92 – Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada em 1992, que abriu caminho para o Protocolo de Kyoto (1997) e, principalmente, o Acordo de Paris (2015), quando foram definidas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa: declínio de 37% até 2025. Ao contrário desta expectativa criada pelo Acordo de Paris, nos últimos nove anos, de 2015 a 2024, as emissões cresceram cerca de 2,5%, registrando, em todo caso, uma leve desaceleração.

Se forem mantidas as metas atuais, mesmo com a desaceleração recente, a temperatura do planeta vai ultrapassar, rapidamente, o limite de 1,5º acima da era pré-industrial que, segundo os estudos científicos, intensifica as mudanças climáticas. Em 2024, a temperatura média do planeta já chegou a 1,55º, acima do limite estipulado, e mais de meio ponto percentual acima do valor registrado em 2010. De acordo com as Nações Unidas, será necessária uma redução de 9% ao ano, até 2030, para evitar o desastre climático, com todas as consequências ambientais, sociais e econômicas.

A COP 30 se reúne neste momento crítico, tendo que decidir mudanças dramáticas na organização das economias e nos padrões tecnológicos para evitar a aceleração das mudanças climáticas. Ocorre, contudo, em condições políticas muito desfavoráveis. Sob a presidência do negacionista Donald Trump, os Estados Unidos, segundo maior emissor de GEE, rejeitam as análises e projeções científicas, ignoram os problemas globais e apostam na expansão da exploração e utilização de energia fóssil. A China, maior emissor de GEE, tem feito um esforço de transição energética, praticamente estacionando o volume de emissões, mas ainda investe em fontes fósseis de energia, incluindo carvão. E a Europa que, até recentemente, avançou mais na política de enfrentamento das mudanças climáticas, tem tido dificuldades para aumentar as metas de redução das emissões. A cúpula não contará com a presença de alguns dos chefes de Estado e governo que mais emitem gases de efeito estufa: além dos Estados Unidos, China, Rússia e Índia (três deles fazem parte do BRICS), os quatro países responsáveis por 47,5% do total das emissões de gases de efeito estufa no planeta.

Como sede desta conferência num momento tão delicado, o Brasil pode assumir um papel de liderança mundial no tema ambiental e na negociação em torno dos objetivos de contenção da elevação da temperatura do planeta. Além de ter a maior floresta tropical da terra, o Brasil apresenta a matriz energética mais limpa do mundo, tem tido uma política efetiva de redução de desmatamento, e pode mostrar que reduziu em 16,7% as emissões de GEE em 2024 (em relação ao ano anterior). O governo brasileiro será criticado pela autorização do IBAMA para prospecção de petróleo na Margem Equatorial, bem perto de Belém, mas o Brasil ainda é o país mais bem-sucedido na área ambiental e, por isto, tem autoridade para cobrar o compromisso do resto do mundo.