
Cuba
Cuba é a próxima vítima de Donald Trump, o alucinado do Salão Oval voltando a atacar a América Latina. Ainda totalmente atolado na aventura militar no Irã junto com Israel, o presidente dos Estados Unidos já alardeia, com toda a sua empáfia, que pretende “tomar Cuba”, assim mesmo, tomar o pequeno país do Caribe. E acrescentou: “Creio que possa fazer o que quiser com ela (Cuba). É uma nação muito debilitada neste momento”. Cuba está estrangulada porque agora Trump impôs o embargo total de importação de petróleo, impedindo o suprimento de combustíveis da Venezuela. Depois que o governo bolivariano da Venezuela capitulou, que a presidente-encarregada praticamente se ajoelhou aos pés do imperador, há três meses não entra uma gota do combustível em Cuba.
A pequena ilha do Caribe está amargando a mais cruel crise de abastecimento. Excetuando o pequeno suprimento que recebeu do México em janeiro (86 mil barris de petróleo), a ajuda humanitária do governo brasileiro (medicamentos e alimentos) e a contribuição de movimentos de solidariedade, Cuba está sendo esmagada economicamente por Trump, que ameaça os países que ajudarem Havana com as suas famosas armas alfandegárias. A Rússia, outra aliada e grande fornecedora de petróleo para Cuba, parecia encolhida, imobilizada diante do bombardeio ao Irã, seu parceiro estratégico no Oriente Médio, e atolada também na sua invasão aventureira da Ucrânia. Só agora, dois meses depois do embargo estadunidense, e quando Cuba já está à beira do colapso, a Rússia decidiu encarar os Estados Unidos e ignorar o bloqueio, enviando um petroleiro com 200 mil barris (que dá para pouco mais de dez dias).
Trump parece completamente livre para atacar, destruir e humilhar os países que considera seus inimigos, e Cuba surge agora como o principal alvo da sua estratégia de dominação da América Latina. Se (ou quando) Trump atacar Cuba, bombardeando ou forçando uma submissão como fez com a Venezuela, violando, mais uma vez, a soberania de um país, o mundo vai se limitar a protestos diplomáticos e reuniões do Conselho de Segurança da ONU, sem qualquer eficácia. Mesmo os grandes aliados de Cuba, Rússia e China, não vão apoiar uma eventual reação dos cubanos, e a Europa não vai se envolver numa ação trumpista num pequeno país do Caribe. Forças externas não estão conseguindo deter a fúria imperialista de Trump, a comunidade internacional está perplexa, enquanto ele ignora as regras das relações internacionais e pisoteia a soberania das nações. Resta a esperança de uma reação interna do eleitorado estadunidense, insatisfeito com o desgaste militar e diplomático, com o custo da guerra e com a inflação, mesmo os que elegeram Trump, derrotando-o nas eleições de meio termo (em outubro). Já se percebe uma fissura no bloco republicano, e mesmo entre os trompistas, que se opõe às guerras e, como afirmou o ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos (NCTC), Joseph Kent, quando renunciou ao cargo, o Irã não representava uma ameaça iminente ao país e Trump caíu numa armadilha de Netanyanu.
O grande teste político de Trump em Cuba passa pela chegada, na próxima semana, do petroleiro russo no porto de Havana. Se Trump tentar impedir a passagem do petroleiro russo, furando o bloqueio criado pelos Estados Unidos, pode explodir um grave conflito diplomático e militar no mar do Caribe. Em proporções menores, lembra a crise dos misseis cubanos de 1962, quando o mundo esteve na iminência de um confronto nuclear entre as duas potências da época (Estados Unidos e União Soviética). No momento mais quente da guerra fria, a sensatez dos líderes das duas potências impediu o desastre nuclear. O problema é que não se pode esperar o mínimo de sensatez do megalomaníaco e narcisista Donald Trump.
A próxima vítima provavelmente não será a última e o mundo perplexo se ajoelha aos pés do “megalomaníaco e narcisista Donald Trump”.
Excelente artigo. Corretíssimo e completo. Acho que o inominável do norte subestima a resiliência do Povo Cubano, bem como a crescente solidariedade do mundo todo. Se ganhar algum tempo, Cuba terá condições de mudar sua matriz energética. Há muitos anos atrás os EUA não levou em consideração a resiliência do Povo Vietnamita, nem a crescente Solidariedade no mundo inteiro. Lembro que nós mesmos, no Movimento Estudantil, realizamos uma série de manifestações de apoio ao Povo Vietnamita….e fomos vitoriosos junto com o bravo Povo do Vietnam.