Trump

Trump

Eu continuo achando que Trump não termina o mandato. É provável que minha premonição não se materialize concretamente, mas não tenho a mínima dificuldade de visualizá-lo saindo algemado da Casa Branca. Ele já fez tudo e mais alguma coisa para merecer isso. São erros crassos em cascata.

Nesse contexto, nunca ouvi um discurso tão patético e tão adolescente quanto o deste 1 de abril de 2026. Se ouvi, não me lembro. No mínimo, foi próprio de quem não tem uma única boa carta para jogar. A menos que a fala procure encobrir algo de realmente pérfido – o que em nada surpreenderia.

Eu como muitos, interrompi o que estava alegremente fazendo em vésperas de feriado para ouvir o que esse homem tinha a dizer. Muitos devem ter feito o mesmo. Nem os idiotas do Big Brother em seus discursos de despedida ou em seus esparramados pedidos por clemência conseguiriam chegar a um nível tal de bufoneria e blefe.

Poucas horas antes, por coincidência, lia um trecho do que dizia um antigo político da Finlândia sobre a ignorância dos políticos ocidentais em geral. O nome dele era Juho Kusti Paasikivi. Não era fácil ser um líder finlandês com Stálin do outro lado da fronteira. E muito menos se fazer respeitar.

Disse ele: “Stanley Baldwin, Neville Chamberlain, Franklin Roosevelt, Clement Attlee, Ernest Bevin are naïve, easily cheated. Do they know history? No. Do they know geography? No. Do they know foreign languages? No.” O que ele diria de Trump?

Em benefício das lideranças ocidentais, o velho lobo finlandês teria feito justiça a Angela Merkel e Condoleezza Rice que conheciam história, geografia e, numa competência bem específica, falavam russo – ademais de terem enfrentado as idiossincrasias de um mundo multipolar e complexo.

Quanto ao discurso de Trump é cedo para dizer que a montanha pariu um rato – apesar de todas as evidências apontarem neste sentido. Não me espantaria que a sordidez se esconda em algum lugar da fala narcisista e tatibitate. É difícil crer que não tenha sido só uma manobra protelatória.

Jogador de damas, ele está perdido no xadrez global. Imagino as tiradas de ridicularização em Moscou e Pequim. A menos que já estejam avisados de que o desastre que vem se verificando na campanha do Golfo tenha que ser multiplicado para livrá-lo de uma vergonha mais escancarada.

Quem pode de sã consciência ter aplaudido a fala deste primeiro de abril? Se ele não fizer uma coisa tremenda, se ele não protagonizar uma jogada de alto risco – maior do que todas as patacoadas que fez até agora -, é capaz de ter perdido o resto de respeito que até os grotões do Meio-Oeste lhe devotavam.