Discussing the catch- Louis Charles Moeller.

Estamos bem perto do fim, volto a dizer. O livro já está pronto. É das últimas colunas. E ando já com saudades, ao perder o encontro mensal com o leitor neste espaço.

 Dr. ARMANDO MONTEIRO FILHO, sogro. Usina Cucau. Tinha 5 anos e estava com Henry Ralph Trenchard Shorto, diretor da Mendes Lima – uma das mais importantes empresas açucareiras da época. Foi quando apareceu um trem. O primeiro de sua vida. E o maquinista com macacão vistoso, pendurado na cabine de comando, veio apitando aquele monstro de ferro e aço. Para espanto do menino.  Seu Shorto perguntou

 – Quando crescer, vai querer ser maquinista?

 E ele, antecipando seu futuro,

 – Não, vou ser dono de trem.

 JOSÉ PAULO NETO, filho. Dedé começou a pilotar carros no autódromo de Caruaru. Ano seguinte acabou campeão, ganhando todas as corridas. Depois foi para a Fórmula 3, em Donington Park (Inglaterra), mas essa é outra história. Certo é que antes de uma corrida pernambucana dona Lectícia, preocupada, lhe deu conselho que acabou na primeira página do Jornal do Commercio

 – Meu filho, corra devagar.

 JOSÉ ROBERTO CAVALCANTI, Zeca, irmão.  Lembrou diálogo de Brecht em A vida de Galileu (escrita em 1937 mas publicada só em 1943) que começa com fala de personagem que trabalhava com Galileu Galilei, Andrea Sarti, filho de uma governanta

 – Infeliz do povo que precisa de herói.

 Ao que seu mestre retruca

 – Não, Andrea, infeliz é o povo que não tem herói.

 Pensei no Brasil e completei

 – Não, Zeca, verdadeiramente infeliz é o povo que precisa e não tem heróis.

 * * *

Tinha que levar a filha, todas as noites, para o ballet; e esperava lá duas horas, lendo livros, até voltar para casa com ela. A dona da academia sugeriu que participasse das aulas, seria um bom exercício, tanto que os bailarinos saíam de lá suados. E completou

 – Tem ainda uma vantagem, grande, que é o direito a uma Carteira de Estudante. Vai poder pagar meia entrada, nos cinemas.

 – Na carteira diz qual o curso?

 – Sim, ballet.

 – Sai nela minha foto?

 – Não, só o nome.

 – Então me inscreva.

 – Diga o nome completo, para informar à UNE.

 – Pois não, José Paulo Cavalcanti Filho. Pode?

 Só mesmo Zeca.

LUCIANA MONTEIRO CAVALCANTI, filha. No telefone, voz de mulher desesperada

 – Pai, pai, vão me matar. Eles querem dinheiro.

 – Raquel, minha filha, é você?

 – Sou eu, pai, me salve.

 – Seja feliz, querida, e desliguei.

 O cliente, na minha frente,

 – Era sua filha?

 – Não, era um ladrão.

 Só para lembrar ao amigo leitor, minha filha se chama Luciana.

Dona MARIA LIA, mãe. Quando fez 40 anos, mandei bilhete

 – Minha mãe, não é por nada não mas a IDA começa aos 40.

 Sem resposta. Mas, quando fez 80, seu motorista chegou bem cedinho com esse recado

 – Meu filho, esperei 40 anos para lhe responder. A IDA pode ser que comece aos 40. Mas a VIDA começa, mesmo, é aos 80.

SERGINHO, filho, advogado e Master on Law (Cyberlaw) por Harvard. Fez operação, dessas para emagrecer, e seu motorista Marcelo preocupado. Segue as mensagens que trocaram, pelo zap,

 – Patrão, saiu tudo bem né?

 – Foi tudo ótimo.

 – Graças a Deus, que meu emprego está garantido.

 SOBRE AS SOGRAS. Por sugestão do cronista João Alberto Sobral, o fotógrafo Pedro Luiz bateu retrato de certa dama. Quando foi entregar, soube que havia falecido na noite anterior. A história passou a ser conhecida, nas redações. Certo dia, chega cidadão e pede

 – Quero lhe contratar para tirar uma foto de minha sogra.

 * * *

O jornal PODER, edição de 27/04/2022, deu manchete sobre Francisco

 – O Papa elogia as sogras.

 Mais, por baixo, esse comentário do jornalista Tonico Magalhães

 – É porque ele nunca teve uma.