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Penso, logo duvido.

E agora, Brasil? – Sérgio C. Buarque

S?rgio C. Buarque

Eduardo Campos e Marina Silva.

Eduardo Campos e Marina Silva.

Artigo publicado logo ap?s o acordo entre Eduardo Campos e Marina Silva, no ano passado, dizia que a diferen?a entre os dois (PSB e Rede) poderia dificultar a alian?a mas, dando certo, levaria ? constru??o de uma s?ntese program?tica melhor do que cada um deles isoladamente: a combina??o da vis?o desenvolvimentista de Eduardo Campos com a concep??o ambientalista de Marina Silva. Aos poucos esta proposta ia se formando com a condu??o de Eduardo Campos, que contemplava reformas estruturais na economia, gest?o macroecon?mica respons?vel e gest?o p?blica por resultados e pelo m?rito. Marina Silva, por sua vez, completava Eduardo Campos, mas na sua aus?ncia n?o o poder? substituir. E agora? Na aus?ncia de Eduardo na cabe?a da chapa, passa a predominar a vis?o de mundo e a concep??o pol?tica de Marina sem o contrapeso desenvolvimentista de Eduardo Campos.

 

Marina ? uma pol?tica s?ria e dedicada a nobres causas. Mas a morte de Eduardo Campos quebrou a s?ntese que poderia levar a uma estrat?gia de desenvolvimento que requer crescimento econ?mico, investimentos em infraestrutura, com destaque para energia, responsabilidade macroecon?mica e fiscal, e reformas estruturais em aspectos centrais que estrangulam a economia brasileira. Pelo perfil ideol?gico de Marina, a conserva??o ambiental pode anular o outro polo do desenvolvimento, travando a moderniza??o e a dinamiza??o da economia, propostas de Eduardo Campos. Al?m disso, Marina n?o demonstra abertura para entendimentos com diferentes setores da sociedade e n?o tem a mesma desenvoltura e capacidade de negocia??o e constru??o de consensos, caracter?sticas pr?prias de Eduardo Campos. Antes de ser confirmada como candidata, Marina j? anunciou que n?o vai participar de campanha junto com o PSDB de S?o Paulo que tem como candidato a vice um pol?tico do PSB, M?rcio Fran?a.

 

Ser? que Marina vai conversar com o agroneg?cio e com empres?rios da ind?stria? Ser? que ela defender? a reforma tribut?ria, a independ?ncia do Banco Central e das Ag?ncias Reguladoras, como propunha Eduardo Campos? E quanto ? reforma do Estado, ao ajuste fiscal e ? gest?o p?blica por resultado que o ex-governador implantou em Pernambuco? Como ela pensa lidar com os grandes projetos hidrel?tricos sem os quais o Brasil n?o tem chances de crescimento econ?mico nem de atendimento das demandas da popula??o no futuro? Estas s?o perguntas que os eleitores de Eduardo Campos podem estar se fazendo neste momento de perplexidade e incerteza.

 

Apesar de algumas diferen?as importantes, o candidato A?cio Neves, do PSDB, tem mais afinidade pol?tica com Eduardo Campos do que Marina Silva, a julgar pelas declara??es e propostas de pol?tica econ?mica e das reformas estruturais, mas tamb?m pela concep??o de gest?o p?blica que o ex-governador A?cio implementou em Minas Gerais. ? dif?cil que A?cio tenha o tr?nsito e a capacidade de aglutina??o pol?tica que Eduardo demonstrava, principalmente com o PT e com os movimentos sociais. No entanto, a postura muitas vezes intolerante de Marina pode dificultar mais ainda os entendimentos e as negocia??es pol?ticas para constru??o de acordos e converg?ncias em torno de medidas e reformas estruturais necess?rias ao desenvolvimento do Brasil. Sem estas negocia??es, ningu?m poder? governar o Brasil nos anos dif?ceis que teremos pela frente.

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