Eventos tão diversos quanto a Brexit, plebiscito que separa a Grãbretanha da União Européia, e o brutal atentado terrorista do Aeroporto de Istambul são sintomas isolados de uma mesma mazela: as feridas do processo acelerado de globalização. O mundo encolhe e se integra, levando as novidades a cada canto e propagando ganhos de qualidade, ao mesmo tempo em que se fragmenta e dispersa, criando e expondo diversidades e desigualdades econômicas, sociais e culturais. Toda grande transformação na história da humanidade encerra movimentos contraditórios com a emergência do novo que, no entanto, deixa rastros de resistência de segmentos e setores esmagados pela destruição criativa. Como a mais intensa, profunda e rápida transformação da história das civilizações, a globalização gera este movimento complexo e contraditório de modernização econômica e social, inovação tecnológica, e integração mundial, com tudo que tem de positivo, mas acompanhado de quebra de relações tradicionais, desestruturação nacionais e desorganiação de segmentos da sociedade e da economia que não conseguem acompanhar as mudanças ou ficam presos aos velhos paradigmas. A globalização é um processo histórico inevitável. Mais do que isso, é um movimento desejável de aproximação das nações, integração econômica, propagação de inovações tecnológicas, movimentação de capital de pessoas, e potencial de desenvolvimento econômico. Cabe aos Estados e às instituições globais a tarefa de organizar a transição de modo a minimizar os desequilíbrios e as mazelas sociais, evitando as feridas, feridas que estimulam alternativas retrógradas. Os dois eventos críticos desta semana mostram a reação dos degradados da globalização, na Grã-bretanha e no Oriente Médio, pelos caminhos perigosos e reacionários da direita populista e xenófoba da Europa e do fanatismo religioso e medieval do Estado Islâmico.
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João:
A “Será” está passando da conta! Essa edição é um mosaico e, assumindo o lugar comum: um caleidoscópio primoroso. O seu editorial conciso, enxuto e perfeito; A aula-visão de Fernandinho, ao encadear episódios aparentemente comuns, revela a sutil grandeza dos sentimentos culturais do gênero – hoje tão desprezado – Humano! ; A fantástica “busca do tempo encontrado” forrada de ternura, na memória de Clemente Rosas, em suas lembranças da juventude; O embate ideológico de Sérgio, preciso e certeiro em seu enfoque de economista, colocando com simplicidade suas divergências científicas; E, para arrematar, Luciano de forma jocosa coloca suas fragilidades que, ao invés de diminuí-lo simplesmente o engrandece. Sinto-me orgulhoso dessa convivência, acreditem…
Caro Ivan
São impressões generosas como as suas que nos motivam a seguir em frente com um projeto como o da Revista Será?
Apenas uma ressalva, tudo é resultado do trabalho do Conselho Editorial, para o qual eu redireciono seus valiosos elogios.
Um forte abraço
João Rego
A globalização é um dado, e as mazelas são outros tantos dados. Poderíamos lembrar os benefícios que a globalização trouxe, que não são poucos, entre os quais tirar da miséria milhões e milhões de habitantes do planeta – e não só na China ou na India. Com as mazelas acontece o mesmo que com miséria e desgraceira no Brasil: antes da urbanização, e da enorme modificação nas comunicações, ela estava escondida no campo. Conflitos, divisões e guerras tribais assassinas existiam antes da era mais recente de globalização. Sim, mudaram de forma e sentido. Mas a grande diferença é que agora todo mundo fica sabendo, instantaneamente.