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Penso, logo duvido.

(Im) previdência social e fiscal – Editorial

Editorial

Rodrigo Maia – Presidente da Câmara dos Deputados.

Sem segurança sobre o apoio para aprovação da reforma da previdência na Câmara de Deputados, o Governo adiou a votação para fevereiro. Lamentável. Como resultado, amplia a dúvida sobre as finanças públicas e provoca incerteza em relação à economia brasileira, que mostra claros sinais de recuperação. A previdência social vai continuar sangrando com o aumento dos gastos com benefícios, que já comprometem cerca de 40% das despesas primárias da União. E quanto mais o Estado gasta com previdência, menos dispõe para os investimentos e o custeio da educação e da saúde, para citar as despesas mais importantes. Os parlamentares sabem disso. Ao contrário da população, bombardeada por desinformação e manipulação de dados contra a reforma da previdência, os deputados não desconhecem as condições reais de insustentabilidade do sistema de previdência social do Brasil. Como homens públicos experientes e assessorados por técnicos competentes (ambos muito bem pagos), os deputados e senadores têm informação fundamentada e sólida sobre o comprometimento crescente da receita pública com a previdência, sobre os elevados déficits e, principalmente, sobre a enorme desigualdade entre o sistema do INSS e a previdência dos servidores públicos. E por que o governo não consegue apoio parlamentar para aprovar esta proposta de reforma já bastante desidratada? A oposição, claro, rejeita a proposta porque aposta no desastre fiscal com que pretende aumentar o desgaste do atual governo e dificultar a recuperação da economia brasileira. Assim, esperam voltar ao poder. Mas alguns aliados, como um grupo de deputados do PSDB, anunciam que não aprovarão a reforma, fugindo da responsabilidade com decisões fundamentais para o futuro do Brasil. Muito pior, contudo, são aqueles que se utilizam de uma falsa dúvida para vender caro seu voto ao presidente. É vergonhoso que o Presidente da República compre votos com a distribuição de cargos e a liberação de emendas parlamentares, para aprovar a reforma. Porém, mais que vergonha, os parlamentares que vendem o seu voto merecem repulsa e indignação. Mesmo quando votem a favor da reforma, contribuindo assim para sanear as finanças públicas e acabar com os privilégios da previdência social, estes deputados são a escória da política brasileira. Numa mistura de imprevidência social e irresponsabilidade fiscal, o Congresso Brasileiro mostra que não está à altura dos grandes desafios do Brasil.

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