A cena é aterrorizante: grupo de parlamentares ao lado do presidente da República sorrindo e fazendo o sinal de uma pistola atirando, no momento em que o chefe de Estado assinava o decreto que libera o porte de arma de fogo para várias categorias e segmentos da sociedade. Embora este governo não tenha uma cara nítida e consistente, esta é a mais fiel imagem do presidente da República, que parece disposto a transformar o Brasil num faroeste tropical. Em total desacordo com o Estatuto do Desarmamento, o decreto escancara as possibilidades de porte de arma de fogo, num país com grandes tensões sociais e elevados índices de violência. Além disso, autoriza o porte para políticos em exercício de mandato, advogados, oficiais de justiça, caminhoneiros, agentes de trânsito, entre outros, criando as condições para a explosão da violência no Brasil. E como autoriza o porte para colecionadores de armas e sócios de clubes de tiro, basta que o cidadão se matricule num desses clubes e registre a sua arma para poder circular armado pelas ruas das cidades. O decreto ainda libera a compra de até cinco mil munições anuais por pessoa, quase um arsenal privado de alto risco. Felizmente, o presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, está pedindo um parecer técnico para demonstrar a inconstitucionalidade do decreto, e a base evangêlica do Congresso, normalmente bolsonarista, percebeu a irresponsabilidade da medida e se articula para forçar a sua retirada. Em pouco mais de quatro meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro e sua “entourage”, com destaque para os filhos neuróticos, limitam-se às sistemáticas e permanentes agressões contra o “fantasma do comunismo”. Excetuando a proposta de Reforma da Previdência e as medidas de liberalização da economia que, quase como um governo paralelo, avançam apesar do Presidente, o governo Jair Bolsonaro é um desastre político e social, e uma ameaça ao futuro do Brasil.
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Excelente!
Vou publicar no Direto da Redação logo mais.
Abraço.
https://www.correiodobrasil.com.br/o-senhor-das-armas/
O decreto do porte de arma é demagogia, irresponsabilidade sem qualquer embasamento técnico, não resulta de uma análise de dados e da experiência empírica aqui ou noutros lugares. É um rompante e uma enganação a dar a alguns uma falsa sensação de segurança. Consta que foi assinado sem que o Ministro da Justiça Sérgio Moro fosse consultado. E, pelo visto, até sem consultar as leis no Brasil. Mas Sergio Moro assinou o decreto. Para quem defendeu aqui que ele aceitasse o convite para a Justiça, a subserviência da figura que tinha popularidade maior que a de Jair Bolsonaro assustou. Sergio Moro afirmou que o decreto não era parte da política da segurança, até sugeriu que não concordava com a medida. Mas assinou. Que triste figura para o herói que alimentou a esperança de que nos traria ideias bem pensadas sobre como combater o crime organizado e a violência. Claro que mais essa encrenca também prejudica a tramitação da reforma da Previdência, mas, felizmente, já existe uma compreensão mais geral no Congresso e na opinião pública de que ela é indispensável para que a economia comece a se reanimar e o desemprego volte a cair.