O Congresso comemorou, com a presença do ex-governador, ex-senador e ex-presidente José Sarney, os quarenta anos da retomada da democracia em nosso país. E o fez muito bem. A ele devemos, ao lado de Marco Maciel e Aureliano Chaves, que compuseram a Aliança Liberal, a derrota do candidato da Ditadura Militar no Colégio Eleitoral, após a frustração da recusa da Emenda das Eleições Diretas. Embora tendo colaborado com o regime de exceção a nós imposto em 1964, eles compreenderam que era, enfim, a hora de mudar, e restaurar a república brasileira, em sua plenitude.
A inesperada doença de Tancredo Neves representou o primeiro desafio à democracia renascente, na medida em que a posse de Sarney, como vice-presidente eleito, foi questionada. Mas prevaleceu o bom senso e o estrito cumprimento das normas legais, padrão, inclusive, que veio a pautar todo o comportamento consequente das nossas instituições, desde então. E assim temos atravessado e vencido momentos difíceis e delicados, como dois impeachments de presidentes, escândalos como “mensalões”, “petrolões”, tentativas de golpe militar, abusos de autoridades, conflitos entre poderes. Podemos hoje dizer que nossas instituições democráticas estão consolidadas.
A ele, Sarney, o primeiro presidente civil após o Regime Militar, mesmo com todas as suas limitações, devemos esse fato. E agora, em que o avantesma das radicalizações e dos maniqueísmos parece ameaçar nossas conquistas nesse campo, cabe-nos lembrar que apenas um pacto se pode exigir das democracias: o “pacto nomocrático”, neologismo proposto por J. G. Merquior para designar o absoluto respeito às regras do jogo republicano. E que vença quem o povo livremente escolher.
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