
O Tribunal da Democracia
O julgamento de Jair Bolsonaro e de seu “núcleo crucial”, acusados de tramar um golpe contra o Estado Democrático de Direito, é um momento decisivo para a democracia brasileira. Não se trata apenas de punir crimes políticos, mas de afirmar os fundamentos institucionais que sustentam a República desde a Constituição de 1988.
Sabemos que muitos — movidos pelo antilulismo ou pelo fanatismo ideológico — enxergam o bolsonarismo como uma espécie de antipolítica, uma reação “contra tudo que está aí”; sabemos também que parte relevante de nossa elite política e econômica, historicamente patrimonialista e predatória, também mantém relações promíscuas com o Estado e suas instituições, enquanto as desigualdades sociais, persistentes e brutais, continuam a marcar nossa nação com o selo da vergonha.
A democracia, sempre tensionada, é o espaço onde se confrontam diferenças ideológicas, contradições sociais e interesses econômicos. É ela que permite a convivência das diversidades humanas e de pensamento, garantindo a construção de um projeto civilizatório, ainda que permeado por crises recorrentes.
Desde a Constituição de 1988, a nação vem consolidando seu processo democrático — que, afinal, é interminável, pois democracia não é um fim, mas um vetor de construção social e política da sociedade e de sua própria história.
É esse vetor que vem moldando, desde então, a nação e nossas vidas.
É preciso dizer também aos seguidores mais fanáticos de Bolsonaro, cegos pelo ódio ou pelo messianismo, que não se trata de perseguição política, mas de justiça. O processo é conduzido dentro da legalidade, com direito à defesa e julgamento público, como convém a um Estado democrático. É a lei — e não a vingança — que está em curso.
Enfrentar os que tentaram romper a ordem constitucional é reafirmar que crises da democracia se resolvem com mais democracia, pela força da lei e dos mecanismos do Estado de Direito.
O Brasil envia hoje ao mundo, em meio às ameaças do populismo autoritário que também rondam outras nações, a mensagem serena e firme de que a democracia pode resistir e se fortalecer diante da intolerância e da barbárie.
De pleno acordo. Ataques à Democracia devem ser respondidos com mais Democracia. Mas com Justiça e aplicação da Lei. E, também, claro, com a punição aos que cometeram crimes e tentaram destruir o Estado Democrático.