
Praia Formosa – Cabedelo
Há uns quatro dias, ao ver, da minha varanda, o mar na primeira luz da manhã, como sempre costumo fazer para meus prognósticos, tive uma grata surpresa: soprava um vento brando, do nordeste, pondo termo aos mais de três meses de ventanias do sul-sudeste, carregadas de chuva e de frio. Enfim, acabava o desconforto da visão de um mar encapelado, fosco, hostil a banhistas e pescadores.
Convém-me observar que essa história de quatro estações não é aplicável ao Nordeste brasileiro, sobretudo ao chamado Saliente Nordestino, que exclui Maranhão e Piauí. Só temos mesmo o inverno, que vai das “águas de março” às ventanias de agosto, e o verão, entre setembro e fevereiro. Este, portanto, fazia-se tardar, talvez pelo descontrole climático que vem afetando o nosso planeta.
E agora é que, contrariamente ao anúncio das “promessas de vida” da bela canção de Tom Jobim, podemos contar com as benesses do estio: “beijos do sol, abraços do mar”, caminhadas, convivência mais intensa com os amigos, contemplação mais serena do espetáculo do nascer de uma lua cheia quase rubra, “emergindo do mar como a cria do ventre materno”, no dizer de um poeta meu amigo.
A Praia Formosa, apesar de ser a mais antiga estação de veraneio da Paraíba, e de ter acolhido, no passado, gente ilustre como José Lins do Rego, Celso Furtado e Órris Soares (biógrafo e “revelador” de Augusto dos Anjos), mantém sua vocação: a maior parte de suas casas permanece desocupada no resto do ano, ao contrário das outras praias. Só nós – eu e alguns parentes – nos fixamos aqui, em definitivo, e nos tornamos cabedelenses. Mas ansiamos pela chegada do verão, quando o resto da família e amigos aparecem, para as festas de fim de ano e as confraternizações nos terraços.
E como não enaltecer o verão? Do alto da minha varanda, de onde o horizonte se alarga, posso ver o mar uniformizar-se na cor azul, pressinto a tepidez da água, o calor bem comportado do sol – que nunca vi ir além dos 32 graus – as redes dos banhistas armadas entre coqueiros, em busca do aconchego efêmero das suas sombras. Tudo convidando a uma curtição de amizades, amores, exaltações, alegrias.
Rubem Braga, em sua inesquecível crônica sobre a viagem de Yúri Gagárin ao espaço sideral, e a observação do astronauta sobre a cor da terra vista de lá, proclamou que o fato deveria ser transmitido a todos os terráqueos tristes e desalentados: “irmãos, a terra é azul, é toda azul”. Parodiando o grande cronista – embora consciente da desproporção do caso – proponho a todos os amigos, que têm, numa postura bem compreensível, uma visão sombria sobre o presente e o futuro do nosso país, e mesmo da biosfera terrestre, uma trégua em suas reflexões e inquietudes. Apenas uma pausa, para abrir espaço a um lampejo de otimismo.
Amigos, o verão chegou.
Que venha mais um verão de Praia Formosa meu tio, e que eu possa ter a alegria da convivência diária com todos vocês da família a beira desse mar tão lindo ❤️. Que para mim não tem outro igual, só serve o de Praia Formosa. Suas palavras como sempre, uma delícia de leitura. Beijos, Sandrinha.
Sua crônica já me fez sentir na beira do mar de Formosa, onde, como diz Colasanti , “ otempo ainda tem cheiro de sargaço”.
Bela crônica sobre a nossa amada Praia Formosa, justificando a trégua proposta pelo Autor.
Como, há muitos anos arás, bem comentou a notável carioca Marina Colasanti, em uma crônica inesquecível:, “Formosa” é o nome apropriado para esse refúgui sereno com suas águas plácidas, aliás captada com muita felicidade na foto que ilustra a atual elegia.
Viva o verão! parabéns, Clemente Rosas.
Humberto Espinola
Bela crônica sobre a nossa amada Praia Formosa, justificando a trégua proposta pelo Autor.
Como, há muitos anos arás, bem comentou a notável carioca Marina Colasanti, em uma crônica inesquecível:, “Formosa” é o nome apropriado para esse refúgio sereno com suas águas plácidas, aliás captada com muita felicidade na foto que ilustra a atual elegia.
Viva o verão! Parabéns, Clemente Rosas.
Humberto Espinola
Irmã, sobrinha e amigo: vejo que toquei o coração de vocês.
Sinto-me bem recompensado.
Abraços calorosos.
Com a prerrogativa de laços de profunda amizade (de um filho adotado), é certo que Mr Rosas (como assim carinhosamente o trato) escreveu esse texto com tinta azul, variando frases cadenciadas que não somente tocaram o coração daqueles que amam o mar, mas despertaram lembranças, que só aqueles que experimentaram a brisa salgada são capazes de compreender.
A brisa do vento Nordeste é afetuosa, principalmente quando agraciada no espetáculo mágico do dia: a despedida do sol e o nascimento da lua.
Parabéns Mr Rosas: de maneira singular você respingou as almas dos leitores, com as águas da bela Praia de Formosa, destino de mais uma futura expedição!
Obrigado, amigo Eurico! Belas lembranças de nossas viagens de trabalho – e das aventuras náuticas!