Trump

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Depois que a Venezuela se ajoelhou aos pés de Donald Trump e a direita ganhou as eleições na Colômbia, grande parte da América do Sul escolheu ser o quintal dos Estados Unidos. A exceção é o Brasil e o pequeno Uruguai que, embora tenha um governo conservador, não se curva ao projeto hegemônico do inefável presidente Donald Trump. A faixa andina de nações, da Venezuela ao Chile, tende a ser o palco privilegiado das insanidades políticas e diplomáticas do presidente dos Estados Unidos, da reedição da Doutrina Monroe e da criação do chamado “Escudo da América”, supostamente para combater o crime organizado. A Argentina e, em menor medida, o Paraguai se juntam a esta avalanche direitista na América do Sul, com graus diferentes de radicalização e de adesão ao projeto trumpista.

Excetuando a Venezuela, onde Trump interveio diretamente com o sequestro do ex-presidente Nicolás Maduro, o maremoto trumpista no subcontinente decorre de eleições livres, evidenciando o esgotamento de governos que não conseguiram lidar com as crises econômicas e sociais e/ou envolveram-se em escândalos políticos. A forte inclinação à direita da região pode ter sido estimulada pelo governo estadunidense, mas constitui, antes de tudo, uma resposta dos eleitores às condições internas de insatisfação e desgaste político das velhas lideranças. Não pode ser vista como uma conquista do presidente dos Estados Unidos, mas pavimenta o caminho para o domínio de Trump na América Latina.

Na equação trumpista, falta o Brasil. O país mais importante da América do Sul – com 48% da área total, 48,5% da população e 55% do PIB do subcontinente e fronteira com quase todos os outros países – o Brasil é um grande obstáculo às ambições hegemônicas de Trump. Parece evidente, portanto, que o Brasil seja agora a bola da vez na estratégia de desestabilização de Donald Trump. Ele fala de Cuba e ameaça “tomar” a ilha do Caribe, como fez com a Venezuela, mas o seu principal delírio megalomaníaco é controlar o Brasil, incorporar o país ao seu projeto de dominação das Américas. Para isto, já deixou claro que pretende interferir nas eleições presidenciais de outubro para eleger o senador Flávio Bolsonaro, de modo a completar a onda trumpista no subcontinente. As eleições do Brasil seriam o seu “próximo grande teste”, como expressou artigo do portal New Max divulgado por Trump. Como não será fácil – o Brasil está longe de viver uma crise econômica ou social, como a maioria dos países vizinhos – o mesmo artigo citado por Trump levanta suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro, como se deixasse em aberto uma alternativa golpista. O Brasil já mostrou que não aceita a quebra das regras institucionais e eleitorais, mas os brasileiros precisam manifestar nas urnas a repulsa à ingerência de Trump nos assuntos internos do país.