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Democracia e intermediação – Editorial

Editorial

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Em reunião recente com a bancada do seu partido, o PSL-Partido Social Liberal, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que “o poder popular não precisa mais de intermediação” porque as midias sociais permitem uma ligação direta entre o eleitor e seus representantes. Ele foi eleito assim, com interação direta com os eleitores através das novas tecnologias de comunicação, por cima dos partidos e apesar da desconfiança dos meios de comunicação. Ganhou a eleição sem intermediação, mas não poderá, nem deverá governar sem as diversas instâncias de mediação com o eleitorado, esta entidade difusa, imprecisa e heterogênea, parte da qual, diga-se de passagem, não aprovou suas propostas para o Brasil. Esta relação direta do líder com o povo (outra abstração imprecisa) chama-se populismo, de triste e lamentável história em todo o mundo e também no Brasil. A democracia exige mediações, requer um sistema de representações baseado num parlamento que expressa a complexidade econômica, social e política do país, e onde devem ocorrer as negociações e as decisões relevantes para o Estado.  A maioria dos brasileiros delegou o poder a Bolsonaro atraída por um discurso vago e genérico de combate à violência e à corrupção, recheado com algumas afirmações pontuais tão discutíveis quanto complicadas. Mesmo que a maioria dos brasileiros tenha aprovado tais ideias, a sua execução exige uma negociação política, que passa pelos representantes de uma nação diversificada e complexa. O Congresso Nacional é a melhor expressão das diversas caras do Brasil, dos múltiplos interesses e visões de mundo, e também o espaço dessa negociação política. Além do mais, o Congresso conta com uma estrutura de apoio e análise técnica para orientar as decisões políticas, que pode moderar e conter os impulsos voluntaristas do presidente da República. O sistema democrático e representativo cria as mediações políticas e técnicas que, felizmente, não permitem que o futuro do Brasil seja definido através de uma troca de whatsapps do Presidente com a sua base eleitoral.

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