Numa cena constrangedora e de grande simbolismo político, no último domingo, o presidente Jair Bolsonaro desceu a rampa do Palácio para saudar os manifestantes bolsonaristas com uma enorme bandeira dos Estados Unidos ao fundo. Na sede do governo brasileiro, o presidente Bolsonaro, que se apresenta sempre como o grande patriota, exibe, mais uma vez, a sua vergonhosa subservivência aos Estados Unidos, durante ato político que defendia o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Democrata ele não é, nem nunca tentou enganar os brasileiros. Muito pelo contrário, em diversas e reiteradas manifestações ele defendeu a ditadura militar, e prometeu destruir os comunistas que, na sua visão, eram todos os seus adversários. Mas ele sempre se declarou como um grande patriota, abusando do slogan “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” para convencer o eleitorado. Que patriota é este, afinal, que usa a bandeira de outro país como símbolo político e, pior, na entrada do palácio do governo? Essa manifestação claramente antipatriótica desbota mais uma das máscaras utilizadas no seu marketing político, que teve grande importância na campanha eleitoral. A saída de Sérgio Moro do governo, na semana passada, denunciando a tentativa de Bolsonaro, de interferir na Polícia Federal para proteger filhos e colaboradores, tira de cena o principal avalista da sua promessa de luta contra a corrupção, outra das suas máscaras políticas. Além disso, com menos de ano e meio de governo, o presidente abandonou sua promessa de acabar com a “velha política”, negociando o apoio e a participação do “Centrão”, símbolo maior desta “velha política”, que começa a arrastar para a Esplanada dos Ministérios as malas fartas da corrupção. Diante destes sinais claros de um presidente sem nenhum compromisso com a verdade e, menos ainda, com o desenvolvimento do Brasil, parte crescente do eleitorado, que votou nele com sincera esperança, começa a perceber que foi enganada pelas suas promessas e declarações populistas. Se já não bastasse a sua truculência politica, seu autoritarismo e sua incompetência, o presidente da República vai se aliar à velha política que tanto criticava, na tentativa de conter o enorme desgaste público. Está pensando apenas no seu mandato e na sonhada reeleição em 2022. E o que sobrará do Brasil?
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A Opinião da Semana bolsonarismo Brasil Clemente Rosas crônica cultura David Hulak democracia Direitos Humanos Editorial Elimar Pinheiro do Nascimento Eli S. Martins Fernando da Mota Lima Fernando Dourado Fluxo da Historia FluxoDaHistoria Frederico Toscano freud Geopolítica Helga Hoffmann Ivanildo Sampaio Jose Paulo Cavalcanti José Paulo Cavalcanti Filho João Humberto Martorelli João Rego Literatura Luciano Oliveira Luiz Otavio Cavalcanti Marco Aurélio Nogueira memória Paulo Gustavo Penso Logo Duvido PensoLogoDuvido Política política brasileira Política Externa Política Internacional psicanálise Relações Internacionais RevistaSerá Revista Será? STF Sérgio C. Buarque Teresa Sales Trump
É isso. Mal secou a tinta do Editorial e de novo estamos atônitos: anteontem a primeira entrevista da Secretária de Cultura Regina Duarte a revelou analfabeta e rastejante, ontem o convite do PR para um churrasco de 300 no Palácio, “de brincadeira”, quando o Brasil atingiu 10 mil mortos por Covid-19. A bandeira americana postada resume a política externa atrelada aos EUA, que, além de violar o Artigo 4º da Constituição, causa prejuízos ao Brasil como o derretimento da credibilidade internacional, perda de mercados, fuga de investimentos, dificuldade de importação de equipamento médicos, preocupação dos países fronteiriços com a exportação do novo vírus. A vassalagem está analisada em artigo/apelo, “A reconstrução da política externa brasileira”, assinado em conjunto por pessoas que tiveram altas responsabilidades nas relações internacionais em governos passados: Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira, Celso Amorim, Celso Lafer, Francisco Rezek, José Serra, Rubens Ricupero e Hussein Kalout. Saiu em grandes jornais em 08/05/2020.