Trump

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A intervenção dos Estados Unidos sobre a Venezuela chegou ao auge, esta semana, com quase uma declaração de guerra pelo cerco do país “pela maior Armada já reunida na história da América do Sul”, segundo o presidente Trump. Há alguns dias, Trump tinha decretado o fechamento do espaço aéreo e agora amplia a agressão com o impedimento da movimentação de petroleiros nos portos venezuelanos. A grande armada de Trump inclui o maior porta-aviões dos Estados Unidos, destroieres, cruzadores de mísseis, um navio de assalto anfíbio, um submarino nuclear, incluindo voos de bombardeiros B?52 e aparições de unidades especiais,  helicópteros táticos, uma força desproporcional para a cínica justificativa trumpista de combater o tráfico de drogas.

A escalada militar de Trump tem como objetivo imediato a derrubada do governo impopular de Nicolás Maduro com a possível invasão do território venezuelano, de modo a impor o domínio norte-americano sobre o país que tem as maiores reservas de petróleo do planeta. Ninguém pode acreditar que o autoritário presidente Trump, que está minando a democracia nos Estados Unidos, esteja seriamente interessado na recuperação da democracia na Venezuela. Na verdade, a mobilização das poderosas forças armadas dos Estados Unidos contra a Venezuela é uma forma de intimidação dos países da América Latina, e a face visível da estratégia de segurança nacional de Trump, que tem como prioridade a hegemonia dos Estados Unidos no continente.

A comunidade internacional, principalmente os países da América Latina, têm sido lenientes na condenação e rejeição veemente da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que pode evoluir para a invasão do território de um país independente. O que não significa a defesa da ditadura cívico-militar de Maduro, que está destruindo a Venezuela, perseguindo os opositores, desrespeitando os direitos humanos e fraudando as últimas eleições, o que impediu a posse do candidato vitorioso; sem falar na propagação da corrupção nos escalões do governo e no suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mas é absolutamente inaceitável que os Estados Unidos intervenham nos assuntos internos de outro país, mesmo quando se trata de uma ditadura cívico-militar destrutiva e detestável. Até agora o governo brasileiro tem se limitado a manifestar preocupação e a conversas do presidente Lula da Silva com Trump e Maduro, defendendo uma difícil negociação de paz entre o arrogante imperialista e o ditador que está destruindo a Venezuela. O Brasil deveria promover a formação de uma aliança de países da América do Sul para impedir a invasão da Venezuela, e para liderar uma negociação política para restauração da democracia venezuelana.