
Trump by IA
Em apenas um ano de governo, da sua cadeira no Salão Oval da Casa Branca, Donald Trump disparou uma metralhadora giratória de ameaças espalhafatosas, para dentro e para fora do país, que logo se transformaram em ações desencontradas e destrutivas. Em tão curto tempo de mandato, Trump está conseguindo desorganizar o sistema comercial internacional, desmontar as regras de convivência diplomática, abandonar acordos globais — como o importante Acordo de Paris —, derrubar tratados e princípios que, mal ou bem, regem a estrutura de poder global, eliminar inimigos criados por sua paranoia e atacar até amigos e aliados históricos do seu país.
Mais grave: ele apoia e promove guerras absurdas e agressões perversas, como o massacre em Gaza, a intervenção na Venezuela e os ataques a barcos no Caribe. E agora, o bombardeio massivo do Irã (além do apoio aos ataques de Israel ao Líbano), uma agressão insensata e irresponsável que provoca um grave desequilíbrio geopolítico no Oriente Médio, com consequências para a economia mundial e para a elevação das emissões de gases de efeito estufa.
O mundo treme só de pensar que esse desmantelo foi obra de um governante desequilibrado em apenas um ano de mandato, passando por cima dos instrumentos constitucionais dos Estados Unidos e ignorando as Nações Unidas. E imaginar que ele ainda terá mais três anos de alucinações e delírios narcisistas e megalomaníacos — tempo suficiente para provocar novas guerras, acelerar as mudanças climáticas e estimular uma corrida armamentista no planeta, com potencial de risco de um cataclismo atômico.
Não existe camisa de força capaz de deter a fúria destrutiva do alucinado do Salão Oval: nem interna — o Congresso se curva à sua vontade —, nem externa — com as Nações Unidas enfraquecidas, a Rússia mergulhada e afundando em sua própria guerra na Ucrânia (parece ter abandonado seu grande aliado no Oriente Médio) e a China, discreta, paciente e cuidadosa, aparentemente limitada a esperar a hora de avançar sobre Taiwan.
Nas ambições de Trump, a América Latina ocupa um lugar de destaque, como foco da disputa de hegemonia com a China. Ele anda muito ocupado no Oriente Médio, mas sua estratégia também se concentra no subcontinente. Acaba de realizar uma reunião com países da região — a chamada Cúpula das Américas — com o claro objetivo de consolidar sua hegemonia e conduzir a guerra contra o narcotráfico.
Nessa reunião, declarou que, depois do Irã, iria cuidar de Cuba, que já está estrangulando com o embargo total de petróleo. “Cuba está em seus últimos momentos de vida”, afirmou, com todas as letras. A reunião contou com a adesão de apenas onze países, aliados da direita na região, a maioria deles da América Central.
E o Brasil? Onde entra o Brasil na estratégia do alucinado do Salão Oval?
O Brasil é a joia da coroa: um país de enorme importância estratégica e de vastos recursos naturais. Trump certamente deve bufar diante da aproximação entre Brasil e China. Recentemente, disse-se encantado com Lula, mas suas palavras não têm a mínima credibilidade.
Afinal, por qual motivo ele está enviando seu assessor especial, Darren Beattie, para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão?
Excelente artigo. Mostra o perigo que o mundo corre, e agora a América Latina e especialmente o Brasil, pelo fato de os Estados Unidos terem como governante um sujeito desequilibrado como Trump.
Israel contra ataca em vez de ataca o Hizbolah no Líbano. Esta organização terrorista eh um proxy do Irã. O presidente do Líbano pediu ajuda a Israel para expulsar tais terroristas do solo libanês. Jorge Zaverucha
Eu esperava um professor de ciência política da UFPE como Zaverucha mais cuidado com a verdade. O atual Presidente do Líbano, Joseph Aoun, não pediu ajuda militar a Israel. O que aconteceu é que este mês de março o Presidente Aoun acusou o Hezbollah de colocar o Líbano em risco de colapso agindo por ordens do Irã, e propôs negociações diretas com Israel para encerrar o conflito. Algo inédito na política do Líbano, innndício de um enfraquecimento do Hezbollah dentro do Líbano. O que o presidente do Líbano pediu a Israel foi diálogo, não intervenção. Fora intensificação dos bombardeios, ainda não há resposta oficial do governo Netanyahu.
Não há resposta do Governo Netanyahu, e provavelmente não haverá. No afã de eliminar o Hezbollah, Netanyahu vai continuar massacrando libaneses, sejam eles civis, mulheres ou crianças. Para ele, todos são “goym”.
Retificando: GOYIM
Você tem alguma EVIDÊNCIA para afirmar que o primeiro ministro eleito democraticamente de Israel tem afã de massacrar que não é judeu?
Sabe citar um discurso que indique isso? Uma ação? análise militar dos ataques? Quantas vítimas militares e quantas vítimas civis de ataques israelenses quando comparadas a outras guerras? Um análise sem adjetivos é possível? Ou basta espalhar frases sem fundamento contando com o anitsemitismo dos outros para lhes dar algum signficado?
E, de resto, não esqueçam por um segundo que o Líbano teve sua chance de silenciar o Hezbolah. Mas não tomou ações para isso. Não pediu ajuda internacional (como pediu para parar o exército de Israel). Enfim, o governo do Líbano permitiu que o Hezbolah atacasse Israel novamente. E novamente sem ser provocado. Porque é bom lembrar que em 8/10/2023, quando ainda havia militares e civis de Gaza dentro dos kibutzim israelenses estuprando, matando e sequestrando, um dia depois da chacina do Hamas, o Hezbolah intesificou sua campanha de mísseis (que já durava mais de 20 anos). Deslocou centenas de milhares de israelenses a viver longe de suas casas por quase 2 anos. E agora, quando Israel tratava de impedir que a ditadura teocrática que massacra a população do Irã voltasse a obter a capacidade de atacar o mundo com armas nucleares, o Hezbolah decidiu atacar novamente em solidariedade ao aiatolá sanguinário que matou mais de 30 mil civis em poucos dias apenas para manter o poder da minoria xiita. A milícia libanesa que faz parte do governo libanês chamada Hezbolah atacou. Não contra-atacou. Não se defendeu. Atacou. Você pode querer quanto quiser que Israel não se defenda para depois brandir sua solidariedade aos mortos no Estado Judeu. Esqueça. Não vai rolar. Israel e os judeus vão se defender, não vão esperar a solidariedade de tiozões sentados em seus sofás confortáveis, lamentando os excessos de uma minoria fanática. Que aliás pode ser fanática, mas minoria é que não é.
Quando a realidade contraria as nossas convicções e não se conforma aos nossos desejos, a gente fura os olhos para não ver a realidade. É a lição de Albert Camus
Cara Helga Hoffmann, o Professor Zaverucha foi preciso no seu comentário. Eu vivo em Israel há exatos 35 anos e artigo as palavras dele como sendo verdadeiras. O Líbano não quer mais o hezbolah para o país árabe. Eles só trazem a destruição. Como o exército libanês não é superior ao hezbolah, a solução é dar luz verde a Israel para dizimar o terror dentro do Líbano.
Caro Mário Rob Melo, não o conheço, mas só posso lhe dar parabéns pela coragem de continuar vivendo em Israel no momento atual, tendo que que ir se abrigar a todo momento em instalações que resistem a bombardeios. Insisto: não é cerdade que o atual Presidente do Líbano pediu ao governo de Israel que bombardeasse o Líbano. Acredito até que o atual governo do Líbano não queira mais abrigar o Hesbollah em território do Líbano, tanto é que disse que o Hezbollah está levando o Líbano ao colapso, mas o que ele pediu por enquanto foi negociações diretas com o governo de Israel. Tais negociações possivelmente não seriam exclusivamente sobre Hezbollah e as mortes de civis libaneses. E o que os analistas especializados em Oriente Médio dizem é que Netanyahu quer é guerra permanente, que é o que garante sua permanência no poder, como suposto garantidor da segurança em Israel. O que a gente sabe, também, que a informação é sempre controlada dentro de um país em guerra. É bem velho o provérbio “na guerra a primeira vítima é a verdade”.
Helga, aceite minha réplica: o Professor Zaverucha não disse que o presidente libanês pediu a Israel para bombardear o Líbano. Mas, sim que deseja normalizar as relações diplomáticas com Israel e para isso, é mister o fim do hezbolah. Abraços.
Essa formulação é a tua, que considero uma distorsão típica de Netanyahu. Não é o que disse oficialmente o Prsidente Joseph Aoun. Impossivel “normalizar relações” entre o Líbano e Israel enquanto Israel continuar bombardeando o Líbano. Para haver negociações, é preciso uma trégua, qualquer que seja a guerra.
Helga, boa tarde…. Como não encontrei uma janela para responder a última mensagem sua sobre este assunto , irei postar aqui. Preliminarmente registro que modéstia a parte, sou eu quem vive aqui no Oriente Médio e não você. Tenho muito orgulho do país que adotei como pátria amada desde 1991. Aqui, cheguei sem antipatia aos vizinhos, muito menos ÓDIO, que é exatamente o que eles sentem por todo israelense. Moro há dez quilômetros do Líbano e quase morri em 2006, face a perversidade do hezbolah, que espero de você não apoiá-lo como o PT faz a mando de Lula e um ativista brasileiro que me envergonha por ser do Brasil também, chamado de Thiago Ávila. Na verdade ele é um terrorista, melhor dizendo. Agora, entrando no mérito da sua última resposta, digo que é natural que o presidente do Líbano não queira e goste do que vem acontecendo, porque o país dele pode se tornar uma nova Faixa de Gaza. Mas, ratifico que ele quer o fim do hezbolah e conta com a ajuda de Israel para isso, caso você não saiba, Infelizmente, sinto em suas palavras um ar de condenação a Israel por unicamente se defender do terrorismo por parte do Irã que sustenta e promove o terrorismo no mundo, inclusive, já se infiltrou na América do Sul , na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai. Acredito que também no Chile. Em relação a Natanyahu, não gosto do partido dele, mas não conheço ninguém mais inteligente que ele para dirigir Israel.
Eu tento discutir alguns dos temas apresentados nas páginas da “Será?”. Não sei avaliar o resultado. Obtivemos um pedacinho de autobiografia de um sobrevivente de bombardeios, bem triste, e assim confirmamos que Netanyahu tem eleitores e, desculpem a amargura, encerramos com a confirmação do que já sabíamos: destruída Gaza, Netanyahu quer um nova guerra e nova “faixa de Gaza” para se reeleger. Os colonos da direita religiosa de Israel continuam tomando terras na Cisjordânia com a proteção das IDF. Igualmente em nome da segurança nacional. Enquanto Trump (o da ilustração horrorosa), para ajudar o sócio do futuro resort no Mediterrâneo, causa a maior disrupção da economia mundial dos últimos 80 anos.
https://www.foreignaffairs.com/israel/israel-quietly-annexing-west-bank