Black Blockers – Rio de Janeiro, 2013.

Black Blockers – Rio de Janeiro, 2013.

Segundo pesquisa recente, a maioria da população brasileira rejeita os meios utilizados pelos grupos de mascarados nas violentas manifestações do Rio de Janeiro e de São Paulo: depredação de agências bancárias, queima de ônibus, destruição do patrimônio público e agressões a policiais. Mas, e quanto aos fins? O que pretendem e o que esperam alcançar os mascarados apresentados como Black blocs? Ninguém sabe. Tudo indica que os fins são os meios. Qualquer motivo serve e qualquer manifestação pública, legítimas e justas, pode ser um espaço para exercitar a violência e a destruição gratuita e injustificada. Como se apresentam como anarquistas, os Black blocs rejeitam a civilização, o Estado e as instituições, incluindo as instituições democráticas. Mas não dizem o que querem, não têm um projeto e nem mesmo sabem o que pretendem para o futuro do Brasil, o que desejam construir ou implantar em substituição às instituições de desprezam. Como analisa Ari Paul, o que buscam é, principalmente, “criar imagem de destruição, violência e conflito com o Estado, quase como uma performance artística ao vivo” para demonstrar uma difusa insatisfação com o capitalismo, a civilização e o Estado. Com meios violentos e carentes de propósitos, os mascarados Black blocs provocam um ambiente político negativo que desacredita a democracia e atrasa as transformações sociais.

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