O jogo agora é outro

O jogo agora é outro

Para o Brasil, a Copa do Mundo de Futebol acabou. Acabou, melancolicamente, porque, depois da desconfiança inicial com a seleção, os brasileiros tinham embarcado, outra vez, numa grande euforia e numa certa pretensão de superioridade, a ambicionada busca do hexa. Acabou e, agora, o jogo será disputado nas urnas e, desta vez, os brasileiros têm o poder de escalar o time e, para usar uma metáfora atual, decidir quem vai bater o pênalti. O time não será mais a pátria de chuteiras. Os brasileiros podem definir agora a escalação do grupo de pessoas que vão ocupar os principais cargos executivos do Estado brasileiro – Presidente e governadores – e os que vão formar o Congresso nacional, deputados e senadores. Não mais, a seleção, que vai tentar ganhar a copa do mundo, em busca da alegria momentânea e efêmera de mais um título, mas o time que vai decidir o futuro do Brasil, que vai lidar com as grandes questões nacionais e com os principais desafios.

Esse jogo político já começou e os brasileiros têm a oportunidade de descer das arquibancadas, entrar no campo e fazer as escolhas, escalar a equipe que deve tomar as decisões políticas. Como têm este poder, os eleitores serão responsáveis pelo resultado. Se o time fracassar, levando o Brasil para continuar na mesmice ou, pior, para o desastre, a culpa será também dos eleitores que escolheram a formação política. E não podem ficar gritando das arquibancadas (permitam a metáfora) reclamando e protestando contra a degradação da política no Brasil marcada pelo corporativismo, pela mesquinhez dos interesses pessoais, pela visão imediatista e pela corrupção.

A democracia concede aos eleitores o poder e a responsabilidade de definição do futuro do Brasil através da escolha dos homens públicos que vão ocupar os postos chaves de decisão política. Esquecendo o fracasso da seleção brasileira na Copa do Mundo, os brasileiros têm agora a oportunidade de abrir o caminho para um futuro promissor do Brasil, a retomada do crescimento econômico, a melhoria da qualidade de vida da população, a eliminação das dramáticas desigualdades sociais, a conservação do patrimônio ambiental e a afirmação nacional no cenário internacional.

EM TEMPO, AINDA SOBRE A COPA DO MUNDO: A Bélgica salvou o torneio ao derrotar os Estados Unidos no campo. Vitória arrasadora e humilhante diante da lamentável e descabida interferência de Trump e da descarada subserviência da FIFA invalidando a suspensão do atacante Folarin Balogun, que recebeu cartão vermelho no jogo contra a Bósnia Herzegovina.