
Flávio e Trump
O senador Flávio Bolsonaro fez uma visita relâmpago a Washington, nesta semana, numa tentativa de neutralizar o derretimento da sua candidatura provocada pela demonstração de relações suspeitas que teria com tóxico banqueiro Daniel Vorcaro. Com o seu breve encontro com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, Flávio espera também transmitir uma imagem de político com estatura internacional, sendo recebido pelo presidente da maior potência internacional. Objetivos muito duvidosos na medida em que mostra, por outro lado, uma afinidade ideológica indesejável com um governante errático, truculento e destrutivo que está provocando um desequilíbrio no comércio mundial, desrespeitando a soberania das nações, provocando guerras e distribuindo ameaças, chantagens e violência mundo afora. Esta afinidade com Trump pode despertar mais desconfiança e rejeição que inclinação favorável ao candidato do PL-Partido Liberal. As duas fotos no Salão Oval mostram o senador de pé, ao lado da poltrona em que está sentado o presidente Donald Trump, que nem sequer olha para o visitante, numa imagem humilhante de subordinação. No máximo, vai ser útil para produzir “santinhos” distribuídos na campanha eleitoral.
Na principal agenda da reunião, Bolsonaro teria solicitado que Trump classificasse o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, o que, na visão trumpista, autorizaria a intervenção dos Estados Unidos em todos os países com atuação destacada do crime organizado. O candidato brasileiro manifestou disposição de integrar o Brasil ao chamado “Escudo das Américas” que serve para Trump justificar os ataques criminosos ao espaço aéreo e marítimo de países do Caribe e em áreas do Pacífico, destruindo barcos e matando supostos traficantes.
Como o eleitorado brasileiro tem definido a segurança pública (a ausência dela) como o principal problema do Brasil, Flávio Bolsonaro espera que esta proposta de adesão do país ao projeto de combate às drogas do presidente dos Estados Unidos possa carrear para ele uma enxurrada de votos. Aparentemente, estes votos ele já tem. Por outro lado, a adesão (quase subordinação) a Trump oferece um pacote completo que serve aos interesses exclusivos dos Estados Unidos (Make América Graet Again), o Brasil a serviço da hegemonia estadunidense.
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