Omar Abdulkadir Artan

Omar Abdulkadir Artan

Quando um país se candidata a sediar a Copa do Mundo de Futebol se compromete a acolher, com respeito e segurança, todas as delegações que, pelo seu desempenho, adquiriram o direito de participar do maior evento futebolístico do planeta. As seleções que participam da Copa são filiadas à FIFA e deveriam ser tratadas como embaixadores dos seus países com imunidade durante o período da competição. Normalmente, é assim que o país sede recebe as delegações de futebol que vão oferecer o espetáculo do futebol que mobiliza emoções em escala mundial. Além do respeito aos protagonistas da festa, o acolhimento igualitário de todas as delegações garante o equilíbrio da disputa e a qualidade do espetáculo.

Nada disso vale quando o presidente de um dos países é o abominável Donald Trump. Na semana em que se inicia o Campeonato Mundial de Futebol de 2026, o presidente dos Estados Unidos, um dos três países sede da Copa, entrou em campo, furou a bola e ainda a jogou, murcha e inútil, na cara submissa do presidente da FIFA, o senhor Gianni Infantino. O árbitro Omar Artan, da Somália, credenciado pela FIFA para apitar jogos da Copa, foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Embora tivesse visto de entrada, ele foi detido no aeroporto de Miami, interrogado por onze horas e expulso do país, excluído, portanto, da sua contribuição ao evento futebolístico.

A delegação do Irã, que joga as três primeiras partidas nos Estados Unidos, foi obrigada a se hospedar no México porque o governo de Trump não autorizou a sua permanência no território estadunidense. Hospedados em Tijuana, os jogadores iranianos deverão viajar para as cidades em que vão jogar e, ao final do jogo, saírem imediatamente do território dos Estados Unidos; as duas primeiras partidas serão em Los Angeles e a terceira em Seatle, a mais de dois mil quilômetros de Tijuana. O governo Trump ainda cancelou os ingressos que a Federação Iraniana de Futebol recebeu da FIFA, como cabe a todas as delegações credenciadas para a Copa.  Além disso, algumas delegações estão sendo submetidas a tratamentos desrespeitosos e discriminatórios na entrada do país, como a seleção do Senegal e da Bélgica.

Esta será a Copa da vergonha e da humilhação. A FIFA, dirigida pelo senhor Infantino, apelidado de “poodle de Donald Trump” pela sua descarada bajulação ao presidente dos Estados Unidos, silencia, tolera e se submete aos desmandos trumpistas. A submissão e bajulação do presidente da FIFA alcançou o paroxismo em dezembro do ano passado, na cerimônia do sorteio das partidas: Infantino inventou um “Prêmio da Paz da FIFA” e concedeu a primeira honraria a Trump, que já mostrava sua violência interna contra os imigrantes e suas garras imperialistas no Oriente Médio e na América Latina. Instituição multilateral de grande abrangência (mais associados que as Nações Unidas) e prestígio internacional, a FIFA deveria protestar, rejeitar, enfrentar as agressões e desrespeitos do governo Trump. Mas Infantino prefere a ignomínia.