
Trump e Lula
Enquanto bilhões de pessoas no mundo inteiro se emocionam com os jogos da primeira rodada da Copa do Mundo, os chefes de Estados das grandes nações ocidentais discutiram em Evian, na França, dois temas centrais da geopolítica: a guerra da Ucrânia e a guerra do Irã. Depois do encontro do G7, em Versalhes, os Estados Unidos e o Irã assinaram acordo de paz que suspende as agressões e viabiliza a abertura do Estreito de Ormuz, o fim das hostilidades no Líbano, um programa de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã, a retirada das sanções estadunidenses impostas à economia iraniana e o compromisso do governo iraniano de não construir bombas atômicas. O mundo comemora, mas se pergunta se este entendimento já não teria sido alcançado com as negociações que avançavam, evitando tanta destruição e morte e desorganização na economia internacional.
Com este pano de fundo e no meio das suas declarações ufanistas, o presidente Donald Trump encontrou tempo para se envolver nos assuntos políticos internos do Brasil. Numa frase tão curta quanto desorientada, o presidente do Estados Unidos se mete, mais uma vez, em questões eleitorais no Brasil, manifestando sua simpatia política por Bolsonaro. “Ouvi dizer – declarou Trump – que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque deu uma declaração no Texas”. Em vez de química e simpatia, sobraram tapas e troca de farpas na relação entre Lula e Trump. O presidente Lula da Silva, que pretendia reunir-se com Trump para tratar das novas tarifas alfandegárias definidas pelos Estados Unidos, rechaçou a fala ignorante e descabida do presidente dos Estados Unidos. Declarou que o processo eleitoral brasileiro é assunto interno do Brasil, e que esperava a não interferência de Trump nas eleições, afirmando que Trump conhece pouco a realidade brasileira, conhecimento baseado na sua relação com a família Bolsonaro. Na medida em que se aproximam as eleições presidenciais, devem crescer as tensões e desentendimentos entre Lula e Trump, e quanto mais ele se envolve nas eleições brasileiras, mais o presidente Lula se fortalece na defesa da soberania nacional, diante da arrogância de uma superpotência.
Entretanto, temos no caminho tortuoso da campanha eleitoral, além das flores (oferecidas, sem querer, por Trump), pedras e cacetadas. De volta ao Brasil, uma bomba política caiu no colo do presidente Lula: a operação de busca e apreensão nos endereços de Jacques Wagner, líder do governo no Senado, por suspeita de ligações com o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
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