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Penso, logo duvido.

Fernando Pessoa e o Brasil (II DE II) – José Paulo Cavalcanti Filho

José Paulo Cavalcanti Filho

charge de Fernando Pessoa.

 

Lisboa. Continua coluna indicando frases de Pessoa que valem para nosso Brasil, hoje. Com pequenos comentários que me permiti fazer, em seguida:

HOMEM: “O esforço é grande e o homem é pequeno” (Mensagem – Padrão). Quando o homem é pequeno, por dentro, nem todo esforço vale a pena.

HONESTIDADE: “Mas é tão difícil ser honesto ou superior!” (Apostila). Difícil e raro.

ILUSÃO: “A ilusão é mãe da vida” (Primeiro Fausto). E a vida é mãe de todas as ilusões.

INJÚRIA: “Os homens são sempre mais prontos em retribuir injúrias do que favores, porque retribuir um favor é uma obrigação e retribuir uma injúria é um prazer” (Os preceitos práticos em geral e os de Henry Ford em particular). Melhores são aqueles capazes de não fazer favores impróprios nem retribuir injúrias.

INVEJA: “Invejo a todas as pessoas o não serem eu” (Livro do desassossego). Todas as pessoas invejam quem gostariam de ser.

LENDA: “Assim a lenda se escorre/ A entrar na realidade” (Mensagem, Os Castelos). Nos palácios e nas prisões, pobres lendas.

LUCIDEZ: “Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer” (Tabacaria). E me sinto morrendo, por estar lúcido.

MÁRTIR: “Onde alguém vê um mártir, outrem verá um louco” (Ideias estéticas). Por trás de um louco, outrem verá um mártir.

MITO: “O mito é o nada que é tudo” (Mensagem, Ulisses). O mito é o tudo que é nada.

MORAL: “Para que um homem seja distintivamente e absolutamente moral, tem que ser um pouco estúpido” (Nota solta, sem data). Pena que haja tão poucos homens estúpidos hoje, na praça.

PASSADO: “O passado não é senão um sonho…” (O marinheiro). Mas, por vezes, é também pesadelo.

PÁTRIA: “A minha Pátria é onde não estou” (Opiário). Você é que se perdeu. A pátria está onde sempre esteve.

PERDÃO: “Não haverá, enfim,/ Para as coisas que são/ Qualquer coisa assim/ Como um perdão?” (Sem título, sem data). Algumas coisas não merecem perdão.

PRAZER: “Todo prazer é um vício” (Passagem das horas). Há outros. Piores.

 

PÚBLICO: “O público não quer a verdade, mas a mentira que mais lhe agrade” (Nota). Sobretudo em véspera de eleição.

RICOS: “Respira-se melhor quando se é rico” (Livro do desassossego). Principalmente quando a grana veio fácil, em malas ou contas no estrangeiro.

SILÊNCIO: “O silêncio é dos Deuses” (Sem título, 10/8/1916). E dos sábios.

 

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